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NASA descobre que lagos da lua Titã, de Saturno, estão desaparecendo



Por Patrícia Gnipper

A missão Cassini-Huygens chegou a Saturno e suas luas em 2004, com a sonda Huygens descendo na lua Titã em 2004 e permanecendo ali por cerca de um mês, enquanto o orbitador Cassini permaneceu estudando o planeta gasoso e seu sistema até 2017. Contudo, o fim da missão não significa o fim das descobertas realizadas com seus dados coletados, e agora a NASA revelou que alguns lagos de Titã parecem desaparecer com o tempo.

Titã é a maior lua de Saturno e o segundo maior satélite natural de todo o Sistema Solar (perde apenas para Ganimedes, de Júpiter), é a única lua conhecida que possui uma atmosfera densa, e também é o único objeto espacial que tem líquido superficial além da Terra. Sendo assim, Titã é um objeto de interesse porque sua geologia é bastante parecida com a do nosso planeta, abrigando regiões montanhosas e lagos de material líquido. Só que, enquanto aqui na Terra os lagos são formados por água, em Titã eles são compostos por metano em estado líquido.

No entanto, alguns lagos de Titã estão desaparecendo, de acordo com um novo estudo divulgado pela NASA e publicado na Nature Astronomy. O documento mostra uma avaliação dos lagos do polo norte de Titã, usando dados da Cassini, equipada com um instrumento RADAR e um imageador infravermelho.

Imagens de um sobrevoo da Cassini que aconteceu em 2006 foram usadas para o estudo, quando na época observou-se a presença de manchas escuras no hemisfério norte (os lagos de metano). Ao olhar para a mesma região em outro sobrevoo feito em 2013, os cientistas notaram que o inverno de Titã havia acabado, e já era primavera, com três das manchas escuras vistas em 2006 tendo desaparecido. Vale destacar que Titã completa uma órbita ao redor do Sol a cada quase 30 anos terrestres, então suas estações do ano são muito mais longas do que as que experimentamos em nosso planeta.

Os pesquisadores sugerem que esses "lagos fantasma" podem ser lagoas com poucos centímetros de profundidade, o que explicaria o fenômeno de seu desaparecimento ao fim do inverno. Já outros lagos que não desapareceram, de acordo com outro estudo também publicado na Nature Astronomy, podem ter profundidade que passa de 100 metros.

Essas análises são importantes pois TItã é um dos mundos do Sistema Solar onde não está descartada a possibilidade de existir algum tipo de vida, mas as novas análises também indicam que os lagos fantasma desta lua são "pobres em nutrientes", o que impacta diretamente as chances de haver algum tipo de vida por lá. De qualquer maneira, a NASA decidirá ainda em 2019 se levará adiante a missão Dragonfly, que prevê o envio de um drone ao maior satélite natural de Saturno para estudar dezenas de regiões ao longo de dois anos — o lançamento aconteceria em 2025, com a nave chegando lá em 2034.

FONTE: NASA via canaltech.com.br

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