domingo, 29 de março de 2015

Ventos de buracos negros "desligam" a formação de estrelas


Astrônomos que estudavam o buraco negro supermassivo no centro da galáxia IRAS F11119+3257 descobriram evidências de que os ventos que sopram do buraco negro estão a varrer o reservatório de material de formação estelar da galáxia.

Um grupo de astrônomos a trabalhar no observatório espacial Herschel da ESA descobriu que os ventos de um enorme buraco negro estão a varrer o reservatório de matéria-prima para a criação de estrelas da sua galáxia hospedeira.

Localizados no coração da maioria das galáxias, os buracos negros supermassivos são objetos extremamente densos e compactos com massas que têm milhões e milhões de vezes a do nosso Sol.

Muitos são bastante passivos, como o que está no centro da nossa Via Láctea. No entanto, alguns buracos negros estão a devorar com grande apetite tudo o que os rodeia.

Estes buracos negros devoradores não só usam o gás que os rodeia para se alimentarem, como também expulsam parte desse gás na forma de ventos fortes e jatos. Os astrônomos já suspeitavam que estes ventos eram responsáveis por escoar o gás interestelar das galáxias. Em particular, as moléculas de gás das quais nascem as estrelas.

Este efeito pode afetar a formação de estrelas das galáxias, diminuindo a sua capacidade de criação ou mesmo extingui-la completamente.

Mas, até agora, não tinha sido possível observar este processo. Os astrônomos já tinham detetado com telescópios de raios-X ventos muito perto de buracos negros. E, através de observações em infravermelho, tinham já registado descargas de moléculas de gás de grande intensidade nas galáxias. Mas não tinham ainda observado os dois fenômenos na mesma galáxia.


A galáxia IRAS F11119+3257 mostra características ténues que podem ser detritos de marés, um sinal que este objeto está a atravessar uma fusão galáctica. A imagem de fundo é do SDSS (Sloan Digitized Sky Survey), enquanto a inserção é uma imagem com um filtro vermelho do telescópio de 2,2 metros da Universidade do Hawaii.
Crédito: NASA/SDSS/S. Veilleux

Um novo estudo mudou este cenário. Foram detetados ventos impelidos por um buraco negro, com diferentes intensidades.

“É a primeira vez que vimos um buraco negro supermassivo a explodir o reservatório de gás de criação de estrelas da galáxia”, explica Francesco Tombesi, do Centro de Voo Espacial Goddard, da NASA, e da Universidade de Maryland, nos EUA, que liderou o estudo publicado esta semana na Nature.

Combinando observações em infravermelho do observatório espacial Herschel, da ESA, com novos dados do satélite de raios-X Suzaku, do Japão e EUA, os astrônomos detetaram ventos perto do buraco negro central da galáxia IRAS F11119+3257 e os ventos a empurrarem o gás galáctico para o exterior.

Perto do buraco negro, os ventos são fracos e rápidos, com rajadas de cerca de 25% da velocidade da luz e sopram o equivalente a cerca de uma massa solar de gás por ano.

À medida que progridem para o exterior, os ventos tornam-se mais lentos, mas passam a varrer algumas centenas adicionais de massas solares de moléculas de gás por ano e empurram-nas para fora da galáxia.

Este estudo mostra, pela primeira vez, que os ventos dos buracos negros estão a esvaziar de gás as suas galáxias hospedeiras através de expulsões em grande escala.

E concorda com a teoria de que os buracos negros podem, em última instância, parar a formação de estrelas nas suas galáxias hospedeiras.

“O observatório espacial Herschel já tinha revolucionado o nosso conhecimento sobre a criação de estrelas. Este novo resultado ajuda-nos a compreender como e por que é que a formação de estrelas nalgumas galáxias pode ser alterada ou até mesmo desligada”, diz Göran Pilbratt, cientista do observatório Herschel na ESA.

“O culpado deste mistério cósmico foi encontrado. Como muitos suspeitavam, um buraco negro central pode impulsionar expulsões de gás em grande escala, que extingue a formação de estrelas.”

FONTE: ASTRONOMIA ONLINE

NORAD confessa que caças têm sido despachados constantemente para interceptação de OVNIs



Junto com 9.500 arquivos do Departamento de Defesa Nacional e dos arquivos RCMO sobre OVNIs, o Comandante da NORAD confirmou a um representante da Disclosure Canada (Desacobertamento Canadá), que há uma média de 1.800 relatos e 75 interceptações a cada 5 anos, daquilo que eles se referem como ‘UNKNOWN TRACKS‘ ou ‘Tracks of Interest‘ (Trilhas Desconhecidas, ou Trilhas de Interesse). As autoridades nunca haviam admitido isto antes.
Para endereçar este assunto e outros, uma carta foi enviada ao Honorável Jason Kenney, pedindo ao Ministro para participar ou enviar um representante à série de eventos do Disclosure Canada agora em abril. O propósito deste pedido é o de criar um diálogo entre os canadenses e o governo, sobre assuntos sensíveis à segurança nacional.
“Baseados em numerosos documentos obtidos sob o Ato de Acesso à Informação da Biblioteca e Arquivos do Canadá, agora sabemos que há evidência irrefutável de que caças canadenses têm sido despachados para interceptação destas naves desconhecidas, e que o nosso governo tem estado envolvido em um acobertamento, com parceria do governo dos Estados Unidos, para esconder a verdade de sua população“, disse Christopher Russak, co-Diretor do Disclosure Canada. “Todavia, nunca antes houve uma declaração pública do Departamento da Defesa considerando estas interceptações ou avistamentos.”
O Disclosure Canada, como um grupo de defesa pública que foca na urgência deste assunto de segurança nacional, está assim conduzindo uma série de eventos por todo o Canadá, com pesquisadores especialistas, a fim de explicar para os canadenses esses assuntos relacionados à documentação ainda secreta e a que foi liberada a respeito de ‘naves de origem desconhecida’.
Os eventos serão realizados em 4 de abril (Montreal), 11 de abril (Toronto), 18 de abril (Calgary) e 19 de abril (Vancouver). Conferências de imprensa serão conduzidas em cada um dos eventos.

FONTE: http://www.newswire.ca/
TRADUÇÃO: Ovni Hoje

sexta-feira, 27 de março de 2015

Informação pode ser transferida acima da velocidade da luz


O esquema pioneiro idealizado por Hatim Salih permitiu a idealização do experimento para troca de informações à distância sem transporte de partículas. [Imagem: Hatim Salih - 10.1103/PhysRevLett.110.170502]

Limite de velocidade universal

Consulte qualquer professor de física, ou qualquer livro texto da matéria, e você será informado de que nada pode superar a velocidade da luz e, por decorrência, nenhuma informação pode ser transferida mais rapidamente do que a velocidade da luz.

Este conceito tremeu nas bases - mas não caiu - quando começaram os experimentos com a "ação fantasmagórica à distância" e com o teletransporte quântico.

No caso da "ação fantasmagórica à distância" - baseada no fenômeno do entrelaçamento ou emaranhamento - as partículas entrelaçadas influenciam-se mutuamente mesmo que estejam em extremos opostos da galáxia. Ao que parece, isto ocorre instantaneamente - o que é mais rápido do que a velocidade da luz - mas ninguém sabe exatamente como, e os físicos ainda não concordam que haja uma troca efetiva de informações por meios puramente quânticos.

O teletransporte quântico, pelo menos nos experimentos realizados até agora, ainda não passou pelo chamado "teste de Bell incontestável" (loophole-free Bell test), o que poderia comprovar a existência de influências "escondidas" além do espaço-tempo, eliminando o limite de velocidade universal - a velocidade da luz.

Em termos práticos, os experimentos não conseguem dar uma palavra final sobre o assunto porque eles geralmente dependem do transporte clássico de partículas, normalmente fótons viajando ao longo de fibras ópticas.

Mas tudo isto pode estar mudando.


Esquema da geração de um estado entrelaçado não local, sem troca de partículas, que poderá ser usado em futuras arquiteturas de computação quântica. [Imagem: Qi Guo et al. - 10.1038/srep08416]

Troca de informações fantasmagórica

Em 2013, Hatim Salih, do Centro Nacional de Física e Matemática da Arábia Saudita, desafiou essa noção em um artigo publicado na principal revista de física do mundo, mostrando que a informação pode de fato ser transferida entre dois pontos sem que qualquer partícula viaje entre eles.

Isto é possível graças a um fenômeno chamado "efeito Zeno quântico encadeado", no qual uma série de medições encadeadas garante que "nunca" haverá decoerência do estado quântico das partículas entrelaçadas - em outras palavras, que as duas partículas "gêmeas" nunca perderão sua conexão íntima, que permite a tal ação fantasmagórica à distância, na qual tudo o que acontece a uma se refletirá imediatamente na outra.

Agora, Qi Guo e seus colegas do Instituto de Tecnologia Harbin, na China, apresentaram a proposta de um esquema experimental no qual a informação pode ser transferida efetivamente entre duas partículas distantes sem enviar qualquer partícula física entre elas e sem que ambas precisem estar inicialmente juntas para serem entrelaçadas.

A equipe demonstrou que é teoricamente possível fazer o entrelaçamento de dois qubits distantes - significando que o que acontecer a um instantaneamente afetará o outro - sem qualquer interação. Isto é diferente dos experimentos já realizados - nos quais as partículas são primeiramente entrelaçadas e então separadas - porque os qubits já estarão distantes um do outro quando forem entrelaçados.

Isto significa que um qubit poderá transferir informação para outro qubit desconhecido, de forma não-determinística, sem qualquer comunicação clássica e sem que eles tenham sido entrelaçados previamente.


Em tese, esse interferômetro poderia abarcar uma galáxia inteira, permitindo a construção de uma internet galáctica. [Imagem: Qi Guo et al. - 10.1038/srep08416]

Internet galáctica

Além de balançar toda a interpretação mais aceita da mecânica quântica - com chacoalhões espalhando-se como ondas por toda a física - o experimento proposto dá um novo alento à computação quântica porque demonstra ser possível trocar informações entre qubits distantes.

E os experimentos com teletransporte quântico poderão ter um novo impulso, eventualmente permitindo refazer os cálculos sobre quanto tempo levaria para teletransportar um ser humano.

"Teoricamente é possível construir uma internet galáctica ou intergaláctica usando este esquema, que irá exigir um interferômetro de braço longo intra- ou inter-galáctico e um objeto quântico com tempo de coerência muito longo. Obviamente, entretanto, atualmente é impraticável construir um interferômetro de braço longo, e não existe nenhum estado quântico com um tempo de coerência tão longo," disse o professor Shou Zhang, coordenador da equipe.

Mas Zhang acredita que um experimento mais "terráqueo", para demonstração efetiva do esquema, pode ser possível com a tecnologia atual, utilizando um átomo individual natural e um átomo artificial, chamado átomo de Rydberg, um complexo ultrafrio constituído por um vapor metal-alcalino.

É justamente na sintetização desse átomo de Rydberg metal-alcalino que os experimentalistas vão trabalhar agora - afinal, quem não gostaria de ser o primeiro a demonstrar experimentalmente que "há mais coisas entre as partículas do que a nossa vã física consegue imaginar"?

FONTE: SITE INOVAÇÃO TECNOLOGICA

quinta-feira, 26 de março de 2015

Os planetas perdidos do Sistema Solar


Será que o Sistema Solar já foi parecido com Kepler-11, sistema que tem seis planetas maiores que a Terra em órbitas próximas de sua estrela? Uma dupla de pesquisadores acredita que sim. (Crédito: Nasa)

POR SALVADOR NOGUEIRA
25/03/15 05:58

Você já reparou como muitos dos sistemas planetários descobertos até agora têm vários planetas localizados em órbitas bem pequenas, bem menores que as da Terra? Pois bem. Agora uma dupla de astrônomos nos Estados Unidos está propondo que o Sistema Solar também pode ter sido assim nos seus primórdios, com vários planetas maiores que o nosso ocupando órbitas mais internas.

Certo, fácil falar. Mas onde estão esses planetas agora? De acordo com simulações realizadas por Greg Laughlin, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, e Konstantin Batygin, do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia), esses mundos primordiais teriam sido destruídos por um evento cataclísmico, e foi isso que viabilizou o posterior surgimento da Terra. Se os pesquisadores estiverem certos, mundos de pequeno porte e com atmosferas modestas, como o nosso, podem ser bem mais raros do que antes se imaginava.

A conclusão é bombástica, porque enfatiza que muitos dos planetas detectados fora do Sistema Solar que, pelo porte, se assemelhariam à Terra podem na verdade ser completamente diferentes. “Dramaticamente, nosso trabalho implica que a maioria dos planetas com massa similar à terrestre é fortemente enriquecida em elementos voláteis e é inabitável”, escrevem os pesquisadores em seu artigo, publicado na última edição do periódico “PNAS”.

DE ONDE VEIO ISSO?
Parece uma conclusão extraordinária. E é mesmo. Estamos falando de eventos hipotéticos ocorridos há 4,6 bilhões de anos, dos quais há praticamente nenhuma evidência. O trabalho é altamente especulativo e explora tudo que temos descoberto sobre a formação de planetas nas últimas duas décadas. Vamos recapitular esses passos, e aí a história da pesquisa vai se assemelhar muito à clássica desculpa de bêbado: “Sabe como é, uma coisa levou a outra…”

Tudo começa em 1995, quando o primeiro planeta em torno de outra estrela similar ao Sol, 51 Pegasi b, foi descoberto. Ele era um gigante gasoso, como Júpiter. Até aí tudo bem. O problema é que ele completava uma volta em torno de sua estrela em coisa de quatro dias. Era algo simplesmente impossível, a julgar por tudo que achávamos que sabíamos sobre formação de planetas. Bastou essa única e solitária descoberta para colocar nossos frágeis modelos em xeque, inspirados unicamente pela arquitetura do nosso próprio sistema. Vamos a ela.

Ao redor do Sol, os planetas estão distribuídos confortavelmente em longas órbitas, com os mundos rochosos e menores na região interna do sistema e os gigantes gasosos na região externa. O mais interno dos planetas, Mercúrio, é também o menor, e completa uma volta em torno do Sol em 88 dias.

Compare isso à bizarrice de 51 Peg b — um planeta gigante praticamente colado à sua estrela. Os cientistas estavam convencidos de que aquele mundo jamais poderia ter se formado ali, pois a estrela recém-nascida teria “soprado” todo o gás daquela região antes que o planeta pudesse acumulá-lo em sua volumosa atmosfera. Com isso, os astrônomos começaram a levar a sério a noção de migração planetária — o fato de que interações entre mundos recém-nascidos e o disco de gás e poeira que circunda a estrela e dá origem a eles poderia fazer com que suas órbitas se deslocassem.

No fim das contas, duas décadas e mais de mil exoplanetas depois, já sabemos que o caso de 51 Peg b era mesmo extremo — menos de 1% das estrelas têm um “Júpiter Quente” como ele. Contudo, também restava conclusivamente demonstrado que a migração planetária, em diferentes escalas, era um fenômeno bem possível e comum.

Ao mesmo tempo, com o aumento da amostra de sistemas, descobrimos que o nosso Sistema Solar também não era lá a coisa mais comum do Universo. Muitos dos exoplanetas menores que Júpiter se distribuem em órbitas bem mais próximas de suas estrelas que as vistas nos nossos quatro mundos rochosos — Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.

Laughlin e Batygin citam em seu artigo o caso emblemático do sistema Kepler-11, descoberto em 2011, que tem seis planetas, todos eles com diâmetros entre duas e quatro vezes o da Terra, distribuídos por uma região apenas um pouco maior que a órbita de Mercúrio. Ou seja, onde aqui temos apenas um mundo com meio décimo da massa terrestre, lá existem seis planetas com uma massa total equivalente a pelo menos 40 Terras. E o detalhe sinistro: o Sol e a estrela Kepler-11 são bem parecidos, o que faz supor que talvez ambos tenham tido mais ou menos a mesma quantidade de material ao seu redor para formação planetária. Para onde foi essa joça toda em nosso Sistema Solar, considerando que os nossos quatro planetas rochosos não somam nem três massas terrestres?

REFINANDO O SISTEMA SOLAR
Enquanto isso, os modelos de formação do Sistema Solar encontravam suas próprias dificuldades. Mesmo modulando a quantidade de material para acabar com uma massa compatível com a dos planetas que temos por aqui, as simulações não produziam de jeito nenhum um Marte com o tamanho certo. Ele sempre saía “maior que a encomenda”, mais ou menos como a Terra.

Isso até 2011, quando um grupo de pesquisadores publicou na “Nature” um artigo sugerindo uma solução. A resposta estaria na migração de Júpiter. Suponha que ele tenha se formado a 3,5 UA de distância do Sol (uma unidade astronômica é a distância média Terra-Sol, cerca de 150 milhões de quilômetros) e depois migrado para dentro até uma posição a cerca de 1,5 UA, perturbando o disco de gás e poeira naquela região, para finalmente migrar para fora, até 5,2 UA (sua posição atual), puxado por Saturno, recém-nascido. Se tudo isso aconteceu, as simulações resultantes produzem Marte no tamanho certo e também explicam a distribuição dos objetos do cinturão de asteroides e a presença de água nos planetas rochosos.


A farra do Grand Tack, a migração temporária de Júpiter e Saturno (Crédito: Kevin Walsh et al.)

Desde então, essa hipótese, conhecida como “Grand Tack”, tem sido levada bastante a sério. Afinal, os exoplanetas mostram que migração planetária é um fenômeno mais que comum. Por que não poderia ter acontecido em nosso próprio sistema?

E foi aí que “uma coisa levou a outra” no trabalho de Laughlin e Batygin. Eles pensaram: e se o nosso Sistema Solar também começou com um monte de planetas na região interna do disco, que teriam se formado na mesma época de Júpiter, o que o Grand Tack teria causado em suas órbitas?

DEVASTAÇÃO
O resultado foi basicamente um massacre. As órbitas são bagunçadas, os planetas acabam colidindo uns com os outros, produzem uma reação em cadeia, tudo vira um monte de pedregulhos novamente e a maior parte desse material acaba caindo na direção do Sol. O que sobra acaba formando novos planetas — dessa vez bem menores e mais espaçados. Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Nós.


Imagem de uma das simulações de Batygin e Laughlin do que teria acontecido no nosso Sistema Solar — uma bagunça. (Crédito: Konstantin Batygin et al.)

Uma pergunta que pode ter ocorrido a você a essa altura: foi isso mesmo que aconteceu? Atenção para a resposta mais honesta que se pode dar em ciência: não sabemos.

ALTERNATIVA
Em contrapartida, outra hipótese tem sido defendida em trabalhos recentes pelo astrônomo brasileiro André Izidoro, pesquisador da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e da Universidade de Nice, na França. Em 2014, ele publicou um artigo no “Astrophysical Journal” mostrando que o Grand Tack não era realmente necessário para a formação de Marte — em vez disso, uma mera flutuação na densidade do disco na região poderia explicar o surgimento do planeta vermelho com seu tamanho observado.

“Ou seja, não pode ser assumido como verdade absoluta que Júpiter de fato migrou tanto para as regiões mais internas e voltou depois para uma região mais externa”, disse ao Mensageiro Sideral o astrônomo Jorge Meléndez, da USP (Universidade de São Paulo), que não participou de nenhum dos trabalhos. “O que eu não gostei do artigo da ‘PNAS’ é que ele não discute muito explicações alternativas, como a do trabalho do Izidoro”, completa.

Mas, se não houve Grand Tack, por que o Sistema Solar não tem lá suas superterras? Em parceria com alguns dos proponentes originais do Grand Tack, Izidoro acaba de mostrar que as superterras podem ser planetas originários das regiões mais externas que então migram para dentro — exceto se houver um gigante gasoso no meio do caminho para barrá-los. Em seu mais novo artigo, submetido em janeiro deste ano e aceito para publicação no “Astrophysical Journal Letters”, ele apresenta essa hipótese, sugerindo que Urano e Netuno — e possivelmente Saturno — talvez tivessem migrado para dentro e se tornado superterras ou mininetunos (terminando menores que seu tamanho atual por viajarem para regiões com menos gás durante sua formação), se Júpiter não estivesse no meio do caminho para impedi-los de passar.

Ou seja, Izidoro e seus colegas preveem que sistemas com muitas superterras próximas à estrela devem não ter gigantes gasosos afastados. E isso fornece um meio de testar a hipótese. No momento, apesar de quase 2 mil planetas descobertos, ainda nos faltam estatísticas confiáveis para apontar em qualquer direção. Se encontrarmos muitas superterras em sistemas com gigantes gasosos, saberemos que Izidoro está errado e Laughlin e Batygin devem estar na trilha certa. Por outro lado, se encontrarmos gigantes gasosos com no máximo uma superterra mais interna (as simulações mostram que, em algumas raras ocasiões, a superterra consegue “pular” o gigante gasoso e migrar para dentro sem ser ejetada do sistema), e mais frequentemente nenhuma, então saberemos que Izidoro e seus colegas acabaram acertando o alvo. Nesse caso, poderemos concluir que o Sistema Solar provavelmente nunca teve as superterras primordiais que a dupla da Califórnia propõe.

Talvez essa história toda seja cifrada demais para quem espera da ciência respostas claras e inequívocas. Mas hoje fizemos uma visita aos “porões da astronomia”, por assim dizer. Tiramos os esqueletos do armário e mostramos muito mais o que não sabemos do que o que de fato compreendemos. É aquele estágio de confusão que antecede os consensos, em meio a debates de hipóteses conflitantes, todas passíveis de teste por experimentos (no caso, simulações) e observações (no estudo de exoplanetas). E essa na verdade é a grande força da ciência. Ela não permite que as ideias — por mais belas que sejam — se sobreponham aos fatos. E, no processo, ainda ganhamos um lampejo mais claro da incrível força criativa da natureza. Ainda não sabemos com que receita exata se produzem as arquiteturas dos exoplanetas. Mas já temos a convicção de que elas são mais variadas do que sequer conseguimos imaginar. Que bom!

PARA IR MAIS FUNDO
Em tese, o texto acabou aí em cima. Mas, se você ainda não se cansou do tema, logo abaixo vai a entrevista que fiz com o russo Konstantin Batygin, um dos autores da hipótese das superterras solares, sobre seu trabalho na “PNAS”. Com 28 anos, ele é professor assistente do Caltech e foi eleito um dos “30 abaixo de 30″ da revista “Forbes”, que destaca os cientistas que despontam ainda jovenscomo expoentes acadêmicos. (Aviso aos navegantes: o papo é tão cabeludo quanto ele.)


O astrônomo russo Konstantin Batygin, autor do artigo das superterras solares. (Crédito: Caltech)

Mensageiro Sideral – É interessante propor que o Sistema Solar tinha mais planetas mais internos que Mercúrio, mas isso não entra em conflito com nossos modelos mais aceitos de formação planetária quando aplicados ao Sistema Solar? A maioria dos pesquisadores tende a explicar exoplanetas próximos à estrela por meio de migração, em vez de formação in-situ. Por que vocês acharam que deviam inverter isso?

Konstantin Batygin - O modo exato de formação planetária, aplicado a sistemas planetários compactos, permanece uma questão controversa, mas de fato não é muito crucial para o modelo que apresentamos. Se nosso entendimento de formação de planetas gigantes está correto, então a formação de planetas sólidos, como superterras e netunos, deve acontecer antes da formação de Júpiter e Saturno, porque eles agem como núcleos que mais tarde acretam gás para se tornar gigantes. Além disso, formação de planetas gigantes é fundamentalmente não muito eficiente, de forma que o número de núcleos provavelmente excedeu o número de gigantes gasosos por uma fração substancial (as estatísticas extra-solares confirmam isso). Portanto, independentemente de as superterras terem se formado in-situ ou distantes e depois carregadas para dentro por migração extensa, é provável que elas tenham existido no Sistema Solar antes que Júpiter e Saturno tenham se formado e iniciado sua jornada.

Mensageiro Sideral – Eu pensei que neste momento a maioria dos pesquisadores concordasse com a ideia de que os planetas gigantes (Júpiter e Saturno, no nosso caso) se formassem antes, porque eles precisavam acretar rápido o suficiente de forma que o gás não tenha ainda sido inteiramente dissipado pela estrela nascente. Esse é um problema antigo dos estudos de acreção de núcleos, mas eu estava com a impressão de que a maioria dos cientistas hoje já favorece modelos em que Júpiter vem primeiro, e os planetas terrestres têm mais tempo de crescer até seus tamanhos finais. Não é isso? A maioria dos cientistas planetários não acredita que Júpiter veio primeiro em nosso Sistema Solar?

Batygin - Bem, esse é um assunto complicado. No Sistema Solar, a formação de planetas evidentemente aconteceu em duas ondas — a primeira gerou os planetas massivos: Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Essa primeira onda levou menos de 10 milhões de anos para se completar. A segunda onda ocorreu numa escala de 100 milhões de anos e gerou os planetas de baixa massa: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. É convencionalmente presumido que a maioria dos exoplanetas em órbitas compactas participou de migração induzida pelo disco (embora, como eu disse antes, esse ponto seja discutível). Então eles devem ter sido gerados enquanto o gás estava por aí, e portanto deveriam pertencer ao mesmo grupo de planetas que Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Note que até mesmo no Sistema Solar, Urano e Netuno representam núcleos que fracassaram em acretar quantidades substanciais de gás (eles têm apenas cerca de uma massa terrestre de hidrogênio e hélio cada um). O que o nosso estudo faz é sugerir que Urano e Netuno não foram os únicos núcleos fracassados do Sistema Solar. Em vez disso, sugerimos que antes que Júpiter tivesse se formado (de acordo com modelos de formação convencionais, a acreção de Júpiter leva cerca de 3 milhões de anos), o Sistema Solar gerou vários núcleos que eram parte do mesmo processo dominante de formação planetária que é comumente responsável por planetas com órbitas compactas que observamos em torno de outras estrelas.

Mensageiro Sideral – Se vocês estiverem certos, então planetas do tamanho da Terra encontrados em órbitas mais compactas em torno de outras estrelas deveriam ser fundamentalmente diferentes da Terra. Contudo, para a maioria dos planetas com massa e tamanho similares aos da Terra que tiveram sua densidade medida, encontramos valores entre os da Terra e de Mercúrio. Isso não entra em conflito com sua expectativa de que esses planetas mais internos tivessem maior quantidade de material volátil e fossem menos densos que a Terra?

Batygin - Na verdade, medidas de densidade de superterras extra-solares variam enormemente. Algumas são consistentes com a densidade de rocha, outras com gelo, enquanto outras são muito mais baixas, indicando que devem ser enriquecidas em hidrogênio e hélio. Há um viés, contudo: é mais fácil medir as massas de planetas com densidades maiores, então eles tendem a ter barras de erro melhores. Mas geralmente composições de planetas extra-solares sugerem que planetas como a Terra (aqueles sem atmosferas apreciáveis) são uma exceção à regra, em vez da norma.

Mensageiro Sideral – Eu sei que as densidades variam bastante para planetas do tipo superterra, mas estudos mais recentes, apresentados na última reunião da AAS, parecem mostrar que há uma forte correlação com tamanho: menos que 1,6 raio terrestre tende a ser planeta rochoso, mais que 1,6 raio terrestre tende a ser mininetuno. Isso não derruba a ideia de que é a história do sistema, em vez de suas propriedades intrínsecas, o que determina quem acaba se parecendo com planeta gigante ou não?

Batygin - Essa é uma pergunta excelente, mas a resposta a essa questão não é trivial por duas razões. Primeiro é que a evaporação importa. Deve existir algum tamanho crítico de objeto numa dada órbita aquém do qual, mesmo que você comece com uma atmosfera rica em hidrogênio, ela acaba soprada durante os estágios iniciais de formação planetária (porque o fluxo extremo de UV pode ser muito alto). Esse tamanho pode ser muito bem 1,6 raio terrestre para órbitas típicas de exoplanetas. Segundo é que uma vez que frações significativas de gás são introduzidas, as relações de massa-raio dos planetas podem se tornar bem complicadas. Ou seja, torna-se difícil traduzir o que um objeto de 1,6 raio terrestre significa em termos de massa. Pode ser um objeto rochoso com 4 massas terrestres ou um objeto rico em gás com 1,5 massa terrestre. Ambos podem produzir o mesmo raio. No fim das contas, parece que uma fração substancial dos exoplanetas observados (na classe das superterras) se formou enquanto havia gás, o que é a premissa inicial do nosso trabalho.

Mensageiro Sideral – Por fim, não temos de lidar com o fato de que temos um viés observacional forte em favor de sistemas compactos, seja qual for o método, velocidade radial ou trânsito? Isso não deveria contar para determinarmos quão estranho nosso próprio sistema planetário parece ser?

Batygin - Com certeza sim, e esse viés observacional é cuidadosamente levado em conta. Considerando isso, cálculos estatísticos sugerem que cerca de metade das estrelas similares ao Sol observadas possuem planetas em órbitas compactas menos massivos que 20 massas terrestres. Isso deveria ser comparado com a taxa de ocorrência de gigantes gasosos como Júpiter e Saturno, que é de apenas cerca de 10%. Então, embora a formação de planetas seja comum, seu modo dominante gera preferencialmente objetos sub-jovianos em órbitas compactas.

FONTE: http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/

Caminhamos a isso: Ex Machina



O bilionário Nathan Bateman (Oscar Isaac) escolhe um de seus jovens funcionários, Caleb Smith (Domhnall Gleeson), para passar uma semana em sua propriedade. Após sua chegada, o jovem descobre que participará de um teste com a última criação de Nathan, um robô com inteligência artificial e de aparência feminina, Ava (Alicia Vikander), por quem Caleb se apaixona.

FONTE: UOL

Aterrissagem ocorreu na Espanha em 1981


Seres artificiais como robôs aparecem raramente em casos ufológicos, como na Espanha em 1981

Testemunhas viram o pouso de um UFO e o que parecia um robô, que se aproximou de sua casa; evidências físicas foram encontradas

Em 13 de janeiro de 1981, uma família experimentou um insólito contato imediato de terceiro grau em Fuentecén, cidade a 135 km de Madri. Luis Dominguez e sua esposa possuíam um bar, onde haviam encerrado expediente de madrugada. Ao redor de 04h30, Dominguez observou duas luzes vermelhas a cerca de 150 m de distância. Ele, que estava saindo de casa, aproximou-se pensando serem as luzes de um carro, contudo, as luzes subitamente subiram pelo ar, para depois descer novamente.

Dominguez narra o acontecido: "Retornei para casa, e eu e minha esposa ficamos com as luzes apagadas observando aquela coisa pela janela. Tivemos a impressão de que o objeto girava, e não conseguimos dizer se era sólido. Pedi a minha esposa que buscasse nosso filho, pois queria que visse aquilo também". A testemunha diz que o UFO fazia movimentos para frente e para trás, e também para os lados, e em determinado momento liberou o que pareceu um foguete, iluminando toda a área como se fosse dia. dominguez prossegue: "Observamos isso por meia hora, e depois que o veículo tocou o solo, ouvimos passos. Em seguida vimos o que poderíamos chamar de robô, com formato quadrado, cerca de um metro e quarenta de altura e sessenta centímetros de largura. Não conseguíamos ver se tinha braços ou cabeça."

Luis prossegue: "O robô tinha uma aparência metálica. Ele ficou próximo de nossa cerca, a um metro da casa, e tínhamos um cachorro que latia o tempo todo. O robô estava imitando o latido, mas de forma mais lenta. Assistíamos a tudo pela janela da cozinha, e eu fui para a janela do banheiro, onde conseguia ver melhor. Vi o robô em detalhes e senti medo. Depois decidi fazer algo a respeito, apanhei uma faca de caça e saí. O robô havia desaparecido, e o veículo decolou, flutuando atrás de árvores que existiam a direita de nossa casa. O veículo fazia um ruído estranho, como aquele de alta tensão. Creio que observamos o robô por vinte minutos, e depois de observá-lo pela janela do banheiro pude ter certeza que não tinha mesmo cabeça ou braços, somente esse corpo quadrado. Depois a nave decolou e dirigiu flashes de luzes para nossa casa".

MARCAS NO SOLO

Luis Dominguez conta que depois disso o UFO foi embora, e em seguida encontraram, no ponto em que havia estacionado, áreasd do solo e da grama queimadas. Além disso havia buracos, e marcas semelhantes ao formato de uma meia lua. Nos dias subsequentes repórteres do jornal Pueblo visitaram a propriedade, constatanto que as marcas de queimaduras no solo não pareciam produzidas por fogo, mas por uma poderosa fonte de calor. Além disso foram encontrados três buracos circulares, de trinta centímetros de largura e dois de profundidade, a uma distância de um metro e meio entre eles. Anos depois o autor J. J. Benítez visitou Luis Dominguez e publicou uma entrevista com ele em seu livro A Quinta Coluna, no início dos anos 90, onde a testemunha descreveu novamente seu contato imediato.

FONTE: REVISTA UFO

Esta explosão estelar poderia criar sete mil novas Terras



Estrelas explodindo são sempre um espetáculo digno de ser visto, mas nem todas as supernovas são iguais: algumas, por exemplo, podem gerar milhares de mundos semelhantes à Terra.

Acima, vemos uma imagem em falsa cor da nuvem de poeira interestelar Sagittarius A Leste, localizada a 26.000 anos-luz de distância do nosso centro galáctico. São as sobras do colapso de núcleo de uma supernova que ocorreu há 10.000 anos e expeliu poeira suficiente para criar até 7.000 planetas como a Terra, de acordo com os astrônomos que fizeram projeções de como seriam as partes juntas. Uau.

Este raro vislumbre das entranhas de uma estrela que explodiu foi capturado pelo Observatório Estratosférico para Astronomia Infravermelha (SOFIA) da NASA, o maior observatório astronômico aéreo do mundo, que é formado basicamente por um telescópio enorme amarrado a um Boeing 747 modificado. A poeira remanescente da supernova (mostrada acima em linhas de contorno branco) foi mapeada com base nas emissões de infravermelho ou assinaturas de calor que sobraram da antiga explosão.


Imagem: NASA/CXO/Lau et al. 2015. As linhas vermelhas indicam a extensão da onda de choque da supernova.

O que é significativo e novo aqui é como podemos ver a poeira das estrelas escapando da cena do crime, escoando para o espaço, onde vai fornecer a matéria-prima para novos corpos celestes se aglutinarem. De acordo com a NASA:

Os astrônomos já tinham provas de que ondas de choque em direção ao exterior de uma supernova podem produzir quantidades significativas de poeira. Até agora, uma questão-chave era se as novas partículas, semelhantes a fuligem e areia, sobreviveriam ao subsequente “rebote”, que é gerado quando a primeira onda de choque para fora colide com os arredores cheios de gás e poeira interestelar.

“A poeira sobreviveu ao ataque de ondas de choque posterior à explosão da supernova e agora está fluindo para o meio interestelar, onde ele pode se tornar parte do “material de fecundação” para novas estrelas e planetas,” explicou Lau.

Os resultados também oferecem uma forte evidência de que a “sujeira” de galáxias jovens e distantes pode ser o resultado de supernovas — uma hipótese que até agora não tinham apoio em dados observados.

A noção de que todos nós somos apenas poeira de estrelas pode ser quase um clichê, mas ainda assim, é notável saber que agora temos a tecnologia para ver provas desse fato espalhadas por todo o cosmos.

FONTE: http://gizmodo.uol.com.br/