sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Matéria escura pode ter sabores misturados e evaporação quântica


Distribuição da matéria escura no Universo calculado dentro do paradigma "matéria escura de dois componentes de sabores misturados".[Imagem: Mikhail V. Medvedev]

No escuro

Os astrofísicos acreditam que cerca de 80% da matéria do nosso Universo é composta de uma misteriosa "matéria escura", que não pode ser percebida pelos sentidos humanos e nem detectada pelos instrumentos científicos.

A ideia vem das observações da enorme velocidade com que as galáxias giram. Deve haver alguma coisa que gere uma gravidade que evite que elas se esfacelem, arremessando estrelas para todos os lados - essa "alguma coisa" recebeu a denominação de matéria escura.

Como nenhum experimento conseguiu detectar qualquer indício da matéria escura até agora, há uma verdadeira corrida para tentar explicá-la de uma forma que faça mais sentido.

Mikhail Medvedev, professor de física e astronomia da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, está propondo agora um novo modelo para explicar a matéria escura, que ele batizou de "matéria escura multicomponente de sabores misturados."

A proposta está sendo levada tão a sério que mereceu a capa da revista Physical Review Letters, o periódico de maior prestígio no mundo da física.

Mistura de sabores

A teoria de Medvedev se fundamenta no comportamento de partículas elementares, algumas já observadas, outras hipotéticas.

De acordo com o Modelo Padrão da física, as partículas elementares - classificadas como quarks, léptons e bósons - são os tijolos com que são feitos os átomos. As propriedades - que os físicos chamam de "sabores" - dos quarks e dos léptons costumam intercambiar, já que eles podem combinar-se uns com os outros em um fenômeno chamado "mistura de sabores".

"Na vida cotidiana, estamos acostumados com o fato de que cada partícula, ou um átomo, tem uma certa massa," explica Medvedev. "Uma partícula de sabor misturado é estranha - ela tem várias massas ao mesmo tempo - e isso leva a efeitos fascinantes e incomuns."

Ele compara essa multiplicidade de massas com a luz branca, que contém várias cores, que podem ser decompostas para gerar um arco-íris.

"Se o branco for um sabor especial, então vermelho, verde e azul seriam diferentes massas - massa um, dois e três - que se misturam para formar o branco," diz ele. "Alterando as proporções de vermelho, verde e azul na mistura, pode-se fazer cores diferentes, ou outros sabores, além do branco."

Medvedev afirma que se supõe que as candidatas a partículas de matéria escura também tenham sabores mistos - como neutralinos, áxions e neutrinos estéreis. "Estes são, de fato, os candidatos preferidos, dos quais as pessoas falam o tempo todo," disse ele.


Ilustração do efeito da "evaporação quântica". [Imagem: Mikhail V. Medvedev/Universidade do Kansas]

Evaporação quântica

"Anteriormente nós descobrimos que as partículas com mistura de sabores podem 'evaporar quanticamente' de um poço gravitacional se elas forem 'sacudidas' - significando que elas colidam com outra partícula," disse o físico. "Isto é um resultado notável, como se uma nave espacial feita de matéria de sabor misturado e arrastada sobre um quebra-molas projetasse-se para o espaço sem foguete ou qualquer outro meio ou esforço."

Medvedev incluiu o processo físico da evaporação quântica e as partículas com mistura de sabores em um "código numérico cosmológico" e utilizou supercomputadores para rodar simulações e ver o que acontecia.

Para entender os resultados, contudo, é necessário ver o que os modelos e as simulações vinham dizendo até agora.

Matéria escura fria

Os indícios dão conta de que a matéria escura só interage muito fracamente com a matéria normal, o que pode explicar porque nenhuma das várias experiências de detecção direta em curso em todo o mundo teve sucesso até agora.

Então os físicos desenvolveram um modelo de matéria escura completamente sem colisões (partículas não interagentes) e fria (ou seja, com velocidades térmicas muito baixas), com uma constante cosmológica (a desconcertante densidade de energia encontrada no vazio do espaço exterior) - eles chamam tudo isso de "modelo lambda-CDM" (Cold Dark Matter, matéria escura fria).

O problema é que esse modelo nem sempre fica de acordo com os dados observacionais.

Entram em campo então as simulações de Medvedev, que resolvem várias dessas inconsistências - ou, pelo menos, as mais graves.

"Nossos resultados demonstraram que o modelo de matéria escura de dois componentes com mistura de sabores resolve todos os problemas mais prementes do Lambda-CDM simultaneamente," concluiu Medvedev.

A nova teoria poderá inspirar os experimentalistas a construir novas formas de detecção que finalmente lancem alguma luz sobre essa problemática ideia de uma matéria escura.

FONTE: SITE INOVAÇÃO TECNOLOGICA

Os quatro lugares com mais possibilidade de abrigar vida alienígena no Sistema Solar



A imagem de astronomia da NASA de hoje parece não ter nada de especial. Pelo menos para a maior parte das pessoas. Para mim ela é bem especial, já que gosto de olhar para as quatro luas que atormentam cientistas com a possibilidade de vida – quatro luas que devemos explorar em breve, vistas aqui em escala. Tão belas que nunca me canso de observar.

A missão Galileu para Júpiter descobriu um oceano subsuperficial global de água em estado líquido em Europa e indicações de mares interiores em Ganimedes. Em Saturno, a sonda Cassini detectou fontes em erupção de gelo em Encélado indicando água em uma subsuperfície ou até mesmo na pequena lua, enquanto encontrou lagos de superfície de hidrocarbonos frígidos mas ainda assim líquidos dentro da densa atmosfera da lua Titã. Olhando agora além do Sistema Solar, nova pesquisa sugere que exoluas podem superar exoplanetas em zonas habitáveis estelares. Isso faria das luas o tipo mais comum de mundo habitável no universo.



FONTE: GIZMODO.COM

Novo traje espacial do MIT encolhe para proteger astronautas no espaço


Os trajes espaciais atuais são ótimas peças tecnológicas, mas eles têm suas limitações. É por isso que cientistas do MIT (e da NASA) estão trabalhando na próxima geração de roupas espaciais. E a mais recente invenção deles é super futurista.

Para ser franco, ela parece bastante com uma embalagem retrátil. A chamada BioSuit do MIT substitui a pressão de gás nas roupas espaciais existentes com uma pressão mecânica produzida por bobinas de fio de metal. Dava Newman, uma professora de aeronáutica e astronáutica e sistemas de engenharia do MIT, que ajudou no desenvolvimento da roupa, explica muito bem como a coisa toda funciona:

“Com trajes espaciais convencionais, você essencialmente entra em um balão de gás que oferece um terço de pressão atmosférica necessária para manter uma pessoa viva no espaço”, diz Newman. “Queremos atingir a mesma pressurização, mas através de contrapressão mecânica – aplicar a pressão diretamente à pele, evitando a pressão gasosa completamente.”



Isso é realmente conseguido usando novas roupas de compressão ativa. Como dito antes, essas peças usam bobinas de fios que encolhem quando aquecidas. Os fios se aproveitam das chamadas ligas com memória de forma que, como o nome indica, lembram uma determinada forma quando aquecidas a uma temperatura específica. Então quanto está frio, a roupa é flexível o bastante para um astronauta se vestir, e então, com um pouco de calor, ela encolhe para o tamanho adequado para uma caminhada espacial.

Uma roupa como essa não é boa apenas para astronautas em caminhadas espaciais. “A grande vantagem é a mobilidade, e o traje é bem leve para exploração planetária,” explica Newman. E se você já viu vídeos de astronautas pulando de um lado para o outro nos trajes-balão, deve imaginar quão desafiante é realizar o trabalho. No entanto, o desafio que a equipe do MIT ainda encara é de encontrar uma forma eficiente de aquecer as bobinas. Manter calor constante fluindo através da roupa pode fazer com que ele fique quente demais para quem veste e também exige baterias pesadas, então eles estão trabalhando em uma maneira de fazer as bobinas travarem quando estiverem quentes.

Essa tecnologia pode ter outras aplicações também. Uma especialmente interessante destacada pelos pesquisadores é para uso em campo de batalha, em que o material encolhe para agir como um torniquete em caso de soldado ferido. Se os cientistas conseguirão encontrar uma maneira de tornar esse material barato o suficiente para ser descartável, bem, isso é outra história.

FONTE: GIZMODO.COM

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Mavem chega a Marte este fim de semana


Impressão artistica que descreve o processo de inserção orbital da sonda MAVEN da NASA.
Crédito: NASA/GSFC

A sonda MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution) da NASA tem chegada prevista a Marte para o dia 21 de Setembro, depois de completar uma viagem interplanetária de 711 milhões de quilômetros ao longo de 10 meses.

"A sonda e os instrumentos a bordo estão, até agora, de boa saúde," afirma David Mitchell, gestor do projeto MAVEN no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland. "A equipa, o sistema de voo e todos os recursos terrestres estão preparados para a inserção na órbita de Marte."

A manobra de inserção orbital começará com um breve disparo de seis pequenos propulsores para estabilizar sonda. Os motores vão estar ativos durante 33 minutos para desacelerar a nave, permitindo com que seja puxada para uma órbita elíptica com um período de 35 horas.

Após a entrada em órbita, a MAVEN começará uma fase de comissionamento de seis semanas que inclui manobrar a nave até à sua órbita final e testar os seus instrumentos e comandos de ciência de mapeamento. A partir daí, a MAVEN começará a sua missão principal de um ano terrestre para fazer medições da composição, estrutura e fuga de gases na atmosfera superior de Marte e a sua interação com o Sol e o vento solar.

"A missão científica da MAVEN vai tentar descobrir para onde é que a água, que estava presente no passado de Marte, foi, e para onde é o dióxido de carbono foi," afirma Bruce Jakosky, investigador principal da MAVEN e do Laboratório para Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado, em Boulder, EUA. "Estas são perguntas importantes para a compreensão da história de Marte, do seu clima e do seu potencial para suportar pelo menos vida microbiana."

A MAVEN foi lançada no dia 18 de Novembro de 2013, a partir de Cabo Canaveral, no estado americano da Flórida, e transporta três conjuntos de instrumentos científicos. É a primeira sonda dedicada ao estudo da atmosfera superior de Marte. A combinação de medições detalhadas desta missão, em pontos específicos da atmosfera de Marte, com imagens globais fornece uma ferramenta poderosa para a compreensão das propriedades da atmosfera superior do Planeta Vermelho.

Seguindo as pisadas da MAVEN, a primeira sonda interplanetária da Índia, a Mangalyaan ou MOM (Mars Orbiter Mission), chegará a Marte poucos dias depois.

FONTE: ASTRONOMIA ONLINE

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O ALMA observa origem violenta de galáxias de disco


Durante décadas os cientistas acreditaram que da fusão de galáxias resultavam geralmente galáxias elípticas. Agora, e pela primeira vez, os pesquisadores, com o auxílio do ALMA e um conjunto de outros rádio telescópios, descobriram evidências diretas de que as galáxias em fusão podem também dar origem a galáxias de disco e que este fenômeno é até bastante comum. Este resultado surpreendente pode explicar porque é que existem tantas galáxias espirais como a Via Láctea no Universo.

Uma equipe de pesquisa internacional liderada por Junko Ueda, pós-doutorando da Sociedade Japonesa para a Divulgação da Ciência, fez observações surpreendentes que mostram que a maioria das colisões galáticas no Universo próximo - entre 40 e 600 milhões de anos-luz de distância da Terra - dão origem às chamadas galáxias de disco. As galáxias de disco - que incluem as galáxias espirais como a Via Láctea e as galáxias lenticulares - definem-se como possuindo regiões de gás e poeira em forma de panqueca e são bastante diferentes da categoria das galáxias elípticas.

É largamente aceito, há algum tempo, que as galáxias de disco em fusão dão eventualmente origem a uma galáxia de forma elíptica. Durante estas interações violentas as galáxias não ganham apenas massa quando fusionam ou se canibalizam uma à outra, mas também modificam a sua forma ao longo do tempo cósmico e por isso mudam de tipo.

Simulações de computador dos anos 1970 prediziam que a fusão entre duas galáxias de disco comparáveis entre si resultaria numa galáxia elíptica. As simulações apontam assim para que atualmente a maioria das galáxias sejam elípticas, o que contradiz as observações que mostram que mais de 70 % das galáxias são de fato galáxias de disco. No entanto, algumas simulações mais recentes sugeriram que as colisões poderiam também dar origem a galáxias de disco.

De modo a identificar de maneira observacional as formas finais das galáxias depois da fusão, o grupo de cientistas estudou a distribuição de gás em 37 galáxias que se encontram nos estádios finais de fusão. Foi utilizado o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) e vários outros rádio telescópios [1] para observar a emissão do monóxido de carbono (CO), um indicador de gás molecular.

O trabalho da equipe é o maior estudo do gás molecular em galáxias feito até hoje e proporciona uma perspectiva única de como a Via Láctea se pode ter formado. O estudo revelou que quase todas as fusões mostram regiões de gás molecular em forma de panqueca e são por isso galáxias de disco em formação. Ueda explica: “Pela primeira vez temos evidências observacionais de que a fusão de galáxias resulta em galáxias de disco e não em galáxias elípticas. Este é um grande e inesperado passo em frente na compreensão do mistério do nascimento de galáxias de disco”.

Há, no entanto, ainda muito por descobrir. Daisuke Iono, do NAOJ e da Graduate University for Advanced Studies, co-autor do artigo científico que descreve este trabalho, acrescenta: “No seguimento deste trabalho temos agora que nos focar na formação de estrelas nestas galáxias de disco, necessitando também de olhar para o Universo mais distante. Sabemos que a maioria das galáxias no Universo mais longínquo possui discos. No entanto, não sabemos se as fusões de galáxias são também responsáveis por isso, ou se estes objetos se formaram de gás frio que vai gradualmente caindo na galáxia. Talvez tenhamos descoberto um mecanismo geral que se aplica ao longo de toda a história do Universo”.

Notas
[1] Os dados foram obtidos pelo ALMA; o Combined Array for Research in Millimeter-wave Astronomy: uma rede milimétrica que consiste em 23 antenas parabólicas instaladas na Califórnia; o Submillimeter Array: uma rede submilimétrica que consiste em oito antenas parabólicas instaladas no Mauna Kea, Hawai; o Plateau de Bure Interferometer; o rádio telescópio de 45 metros do NAOJ Nobeyama Radio Observatory; o telescópio de 12 metros do National Radio Astronomy Observatory dos EUA; o telescópio de 14 metros do Five College Radio Astronomy Observatory dos EUA; o telescópio do IRAM de 30 metros e o Swedish-ESO Submillimeter Telescope para complementar os demais telescópios.

Mais Informações
O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), uma infraestrutura astronômica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. O ALMA é financiado na Europa pelo Observatório Europeu do Sul (ESO), na América do Norte pela Fundação Nacional para a Ciência dos Estados Unidos (NSF) em cooperação com o Conselho Nacional de Investigação do Canadá (NRC) e no Leste Asiático pelos Institutos Nacionais de Ciências da Natureza (NINS) do Japão em cooperação com a Academia Sínica (AS) da Ilha Formosa. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), que é gerido, pela Associação de Universidades (AUI), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Observatório ALMA (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, gestão e operação do ALMA.

Estes resultados observacionais foram publicados na revista especializada The Astrophysical Journal Supplement (agosto de 2014), sob a título "Cold Molecular Gas in Merger Remnants. I. Formation of Molecular Gas Discs", de Ueda et al.

A equipe é composta por Junko Ueda (pós-doutorando no JSPS/Observatório Astronómico Nacional do Japão [NAOJ]), Daisuke Iono (NAOJ/The Graduate University for Advanced Studies [SOKENDAI]), Min S. Yun (The University of Massachusetts), Alison F. Crocker (Universidade de Toledo), Desika Narayanan (Haverford College), Shinya Komugi (Universidade de Kogakuin/ NAOJ), Daniel Espada (NAOJ/SOKENDAI/Joint ALMA Observatory), Bunyo Hatsukade (NAOJ), Hiroyuki Kaneko (Universidade de Tsukuba), Yoichi Tamura (Universidade de Tóquio), David J. Wilner (Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics), Ryohei Kawabe (NAOJ/ SOKENDAI/Universidade de Tóquio) e Hsi-An Pan (Universidade de Hokkaido/SOKENDAI/NAOJ).

O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é o observatório astronômico mais produtivo do mundo. O ESO é financiado por 15 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e funcionamento de observatórios astronômicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrônomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronômica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta, no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera o Very Large Telescope, o observatório astronômico óptico mais avançado do mundo e dois telescópios de rastreio. O VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo que trabalha no infravermelho e o VLT Survey Telescope, o maior telescópio concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é o parceiro europeu do revolucionário telescópio ALMA, o maior projeto astronômico que existe atualmente. O ESO encontra-se a planear o European Extremely Large Telescope, E-ELT, um telescópio de 39 metros que observará na banda do visível e do infravermelho próximo. O E-ELT será “o maior olho do mundo virado para o céu”.



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FONTE: ESO

Cientistas descobrem buraco negro supermaciço dentro de galáxia anã


Imagem feita pelo telescópio espacial Hubble mostra a galáxia anã M60-UCD1, ponto claro abaixo e à direita da galáxia maior, M60 (Foto: NASA/Space Telescope Science Institute/European Space Agency)

Buraco negro tem massa equivalente a 21 milhões de vezes à do nosso Sol.
Ele equivale a 15% da massa total da galáxia onde está localizado

Um buraco negro supermaciço, com uma massa equivalente a 21 milhões de vezes a do nosso Sol, foi descoberto no centro de uma galáxia anã ultracompacta chamada M60-UCD1, revelou nesta quarta-feira (17) uma equipe internacional de astrônomos na revista "Nature".
"Este é o menor e mais brilhante objeto conhecido a ter um buraco negro supermaciço", declarou Anil Seth, principal autor do estudo.

Esta descoberta sugere que muitas outras galáxias anãs ultracompactas também podem conter buracos negros supermaciços, o que, portanto, seria mais comum do que se pensava anteriormente. Os buracos negros supermaciços têm mais de um milhão de vezes a massa do nosso Sol.
O buraco negro encontrado no centro da galáxia M60-UCD1 graças ao observatório astronômico Gemini e ao telescópio espacial Hubble, tem uma massa equivalente a 21 milhões de massas solares. Ela representa 15% da massa total da galáxia que abriga.
Em comparação, o buraco negro supermaciço no centro da nossa galáxia, a Via Láctea, tem uma massa muito menor, o equivalente a 4 milhões de vezes a do Sol.
Buracos negros supermaciços já foram descobertos em outras galáxias anãs. "No entanto, a M60-UCD1 está claramente fora do lugar, ela é muito mais compacta e seu buraco negro mais maciço", ressalta Amy Reines, da Universidade de Michigan, em um editorial também publicado pela Nature.
Os astrônomos propõem um cenário para explicar a sua surpreendente descoberta. Eles acreditam que a galáxia anã M60-UCD1, localizada na constelação de Virgem, a cerca de 54 milhões de anos-luz da Terra, pode ter sido uma galáxia muito mais maciça, "com talvez 10 bilhões de estrelas" e um buraco negro proporcional. Mas teria sido despojada de muitas de suas extrelas por uma galáxia ainda mais maciça, a M60. "Isso pode ter acontecido há 10 bilhões de anos. Nós não sabemos", disse Anil Seth.

FONTE: G1.COM

Um novo catálogo da Via Láctea


Imagem da nebulosa do Pelicano obtida pelo projeto que produziu o novo catálogo da Via Láctea.

POR SALVADOR NOGUEIRA
17/09/14 05:52

Já experimentou contar estrelas numa noite sem nuvens? Pois um grupo europeu de astrônomos levou essa ideia às últimas consequências e acaba de concluir o maior catálogo de estrelas já produzido da Via Láctea, a galáxia onde estão localizados o Sol e seus planetas. Sabe quantas eles contaram? 219 milhões.

Tudo bem, não foi numa noite só. A equipe liderada por Janet Drew, da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, levou dez anos para produzir esse resultado.

Ainda assim, é um número impressionante. Compare-o às cerca de 6.000 estrelas visíveis no céu a olho nu, sob as melhores condições atmosféricas possíveis. O novo catálogo registra astros em luz visível, com até um milionésimo do brilho dos mais discretos objetos celestes observáveis à vista desarmada.

Para fazer o trabalho, os pesquisadores usaram o Telescópio Isaac Newton, instalado em La Palma, nas Ilhas Canárias (Espanha). Em razão da localização do observatório, o esforço se concentrou no mapeamento da porção da Via Láctea visível no hemisfério Norte.

Como se sabe, a nossa galáxia tem o formato de um disco espiral. Mas, como estamos dentro dela, inseridos no próprio disco, o que vemos é uma faixa nebulosa que cruza o céu de horizonte a horizonte.

LONGA HISTÓRIA
Quando Galileu apontou sua luneta para a Via Láctea, em 1609, constatou que ela não era apenas uma nuvem no espaço, como parecia a princípio, mas continha enorme quantidade de estrelas invisíveis a olho nu. De certa forma, o novo catálogo, chamado de IPHAS DR2, é uma continuação direta do trabalho do velho astrônomo italiano.

E uma senhora continuação. Um total de 500 noites de observação produziu vários resultados importantes, como a descoberta de 159 novas nebulosas planetárias. O nome desses objetos é enganoso. O astrônomo William Herschel as chamou assim, em 1784, por achar que elas se pareciam com o planeta que ele havia acabado de descobrir, Urano. Na verdade, elas são outra coisa bem diferente – o resultado da morte de uma estrela como o nosso Sol.


Uma das nebulosas planetárias recém-descobertas pelo IPHAS: o que sobrou de uma antiga estrela similar ao Sol.

Em 5 bilhões de anos, nosso astro-rei se expandirá como uma estrela gigante vermelha — um sinal claro de que o combustível que o alimenta no núcleo estelar está para terminar. Quando ele se esgotar de vez, a atmosfera inchada do astro será soprada para o espaço, e da estrela só restará o núcleo morto e ultracompactado. A esse objeto remanescente damos o nome de anã branca. É o que o Sol será, no futuro distante — um caroço denso, do tamanho da Terra, brilhando apenas pelo calor produzido num passado ativo, mas se resfriando paulatinamente. Já a atmosfera soprada no último suspiro do Sol moribundo se espalhará pelo espaço interestelar, produzindo mais uma nebulosa planetária, como as que foram encontradas pelo IPHAS.

Trata-se de um processo cósmico importante para nós, pois é dessa maneira que muitos elementos químicos essenciais à vida — como carbono e oxigênio — se espalham pelo espaço e semeam a produção de novas estrelas e planetas na galáxia. É bem possível que muitos dos átomos que estão em você hoje tenham sido parte de uma nebulosa planetária, bilhões de anos atrás.

O catálogo completo já está à disposição da comunidade astronômica e conta com 99 atributos medidos para cada um dos 219 milhões de objetos registrados nele. Um artigo relatando o trabalho foi publicado no periódico “Monthly Notices of the Royal Astronomical Society” e vem em boa hora. Afinal, entrou recentemente em operação o satélite europeu Gaia, que fará um censo de cerca de 1 bilhão de estrelas na Via Láctea — cinco vezes mais que o IPHAS DR2.

MAPAS E MODELOS
Esses projetos que lidam com grandes massas de dados não só nos ajudarão a conhecer melhor a nossa própria galáxia — difícil de estudar justamente por estarmos vendo-a do lado de dentro –, como permitirão colocar à prova os modelos que explicam como ela se formou e evoluiu nos últimos 13,8 bilhões de anos desde o Big Bang.

Não custa lembrar que, mesmo quando terminarmos de contar mais de 1 bilhão de estrelas, ainda teremos catalogado uma fração mínima do total existente na Via Láctea. Estima-se que nossa galáxia tenha entre 100 bilhões e 400 bilhões de estrelas. Se parar para imaginar que cada uma delas é basicamente um sol, e a imensa maioria tem planetas ao seu redor, então você começa a ter uma noção do tamanho da nossa pequenez diante do Universo.

E ainda assim me encanta o fato de que aqui estamos nós, desenvolvendo por meio da ciência instrumentos cada vez mais sofisticados para compreendê-lo e abarcá-lo. Uma encantadora valsa entre a grandeza física do cosmos e a estatura intelectual do ser humano.

FONTE: http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/