sexta-feira, 24 de abril de 2015

Telescópio Hubble popularizou a astronomia, diz brasileiro na Nasa


Fotografia de 25 de abril de 1990 mostra telescópio espacial Hubble em órbita da Terra (Foto: Nasa/AP)

Para o astrofísico brasileiro Rafael Eufrásio, que trabalha na Nasa, o telescópio espacial Hubble inspirou uma geração inteira de novos cientistas. "Desde selos de cartas, a roupas, gravatas e outros adereços é fácil perceber que o Hubble exerceu e exerce um papel fundamental em expor e criar interesse de crianças e jovens a seguirem carreiras científicas em geral", afirmou o pesquisador por e-mail, em entrevista ao G1.
O instrumento – que orbita a Terra a 570 km de altitude e é resultado de uma colaboração entre a agência espacial norte-americana, a Nasa, e a Agência Espacial Europeia, a ESA – comemora 25 anos no espaço.
Eufrásio trabalha desde 2008 no Goddard Space Flight Center da Nasa. Este centro é, entre outras atividades, responsável pelas operações do Hubble. Em seus projetos de pesquisa, que envolvem a identificação das características da formação das estrelas em galáxias entre 10 e 300 milhões de anos-luz da Terra, o brasileiro conta que o Hubble teve o papel de discernir detalhes nas imagens que nenhum dos outros telescópios proporcionava.
O equipamento, que pesa 11 toneladas, mede 13,2 metros de comprimento por 4,2 metros de diâmetro. Com um espelho primário de 2,4 metros de diâmetro, o Hubble possui 100 terabytes de dados arquivados e gera atualmente 140 gigabytes de dados brutos por semana.

Expansão acelerada do Universo
Segundo o brasileiro, o Hubble garantiu imagens muito mais nítidas do que qualquer outro observatório na Terra e, por isso, muitos fenômenos inesperados foram revelados. "Isso mudou completamente o que entendíamos como astrofísica", diz. Um dos principais exemplos foi a pesquisa que confirmou a expansão acelerada do Universo. A descoberta, que levou ao Nobel de 2011, foi feita por observações de explosões de supernovas obtidas pelo Hubble e por outros telescópios terrestres.


Aprender sobre o ciclo de vida das estrelas foi uma das razões para a construção do telescópio. Por ele operar acima das distorções e dos efeitos bloqueadores da atmosfera do planeta, os astrônomos esperavam poder contemplar um passado mais distante, analisando gerações de estrelas e galáxias que se formaram mais perto do Big Bang, a explosão que teria dado início ao universo, cerca de 13,7 bilhões de anos atrás.

O Hubble revelou, além disso, buracos negros no coração de galáxias cuja existência até então a ciência conseguia apenas supor. Ele também fez um milhão de imagens de corpos celestes, alguns dos quais nos confins do cosmos.
Percalços
A história do Hubble não foi só feita de imagens impressionantes e descobertas revolucionárias. Eufrásio lembra que, por um defeito no polimento do espelho, o telescópio inicialmente produziu imagens borradas, o que só foi ajustado na primeira missão de conserto, em dezembro de 1993, quando astronautas substituíram um dos instrumentos pelo COSTAR (Corrective Optics Space Telescope Axial Replacement).


Imagem feita pelo Hubble mostra Messier 57, a Nebulosa do Anel: trata-se da segunda nebulosa planetária a ser descoberta (Foto: NASA/ESA, C. Robert O'Dell, Vanderbilt University/AP)

"O COSTAR é de fato os 'óculos' (ou 'lentes de contato') do Hubble. Até hoje, cinco missões de conserto foram enviadas, com os astronautas substituindo instrumentos e giroscópios por equipamentos de ponta. A última missão foi em 2009 e hoje se espera que o Hubble continue funcionando como está, pelo menos, até 2020."
Acesso ao Hubble
Qualquer pessoa de qualquer país pode soclicitar o uso do Hubble em pesquisas, desde que justifique cientificamente o uso, diz Eufrásio. O comitê julgador deve entender que aquele é o melhor uso do instrumento. "A comunidade brasileira é bem ativa e tem se tornado cada vez mais competitiva, especialmente com o possível ingresso do Brasil no Observatório Austral Europeu (European Southern Observatory, ESO) e com a participação de brasileiros em diversas colaborações para desenvolvimento de telescópios futuros."


Imagem feita pelo Hubble mostra a galáxia espiral NGC 1300 (Foto: NASA/ESA, Hubble Heritage Team STScI/AURA/AP)

A Nasa espera manter o Hubble em operação até pelo menos 2020. Seu sucessor, o Telescópio Espacial James Webb, deve ser lançado em outubro de 2018. "O James Webb Space telescope, apesar de ser o sucessor científico do Hubble, terá habilidades complementares às do Hubble e não será responsável por 'aposentar' o Hubble", explica Eufrásio.
Segundo ele, o novo telescópio produzirá imagens mais nítidas, mas o campo de visão será bem menor. "As capacidades que o Hubble tem de observar luz visível e ultravioleta ainda serão únicas."


Imagem mostra os remanescentes de uma explosão de uma supernova conhecida como Cassiopeia A (Foto: NASA, ESA, Hubble Heritage STScI/AURA-ESA/Hubble Collaboration via AP)

FONTE: G1.COM

Descoberta nova quasipartícula atuando nas células solares


O "polaron positivo" é uma quasipartícula composta pela carga positiva (lacuna) e pela sua interação com o seu ambiente. [Imagem: Patrick Rinke/Aalto University]

Polarons

Pesquisadores alemães e finlandeses desvendaram um passo importante na conversão da luz solar em energia armazenável.

Eles descobriram como se dá a formação dos chamados polarons em um material essencial para a geração de energia fotovoltaica - a conversão da luz em eletricidade.

Essas quasipartículas - ou pseudopartículas - viajam através do material fotoativo até serem convertidas em energia elétrica ou química em uma interface no interior do material.

A natureza vem usando esse processo há bilhões de anos, na fotossíntese, para formar carboidratos com a ajuda da luz solar.

As células solares, ou células fotovoltaicas, fazem algo parecido, mas de forma muito mais complicada e ainda longe de ser completamente compreendida.

Conversão fotovoltaica

"A conversão dos fótons, ou seja, das partículas de luz, em eletricidade, é feita em várias etapas," explica o professor Christof Woll, do Instituto de Tecnologia Karlsruhe e um dos membros da equipe.

Primeiro, a luz é absorvida pelo material fotoativo, com os fótons arrancando elétrons de suas posições na rede atômica, o que gera lacunas, as cargas positivas. Os pares elétron-lacuna são estáveis por apenas uma fração de segundo, podendo rapidamente decair, ou reemitindo outro fóton, ou se separando e se movendo pelo material de forma independente.

Como elas irão se comportar neste segundo caso é algo que depende do material fotovoltaico. Na maioria dos materiais, as lacunas livres não são estáveis, convertendo-se em um polaron, o que pode envolver perda de energia - não confundir os polarons com os polaritons ou com os plásmons.

O que parece mais estranho em relação ao polaron é que esta nova quasipartícula descrita agora é composta pela carga positiva e pela sua interação com o seu ambiente.

Esses polarons são estáveis por um tempo muito mais longo dos que as lacunas isoladamente, o que permite que eles viajem através do material fotoativo até que serem convertidos em energia elétrica ou não, ou seja, desempenhando um papel essencial para a eficiência da célula solar.

Polarons de cargas positivas

Usando uma técnica inédia, chamada IRRAS (sigla em inglês para espectroscopia de absorção por reflexão infravermelha), com uma resolução temporal de 100 milissegundos, a equipe rastreou as "impressões digitais" dos polarons associados com as cargas positivas.

Essas impressões digitais aparecem na forma de intensas bandas de absorção nos cristais de óxido de zinco.

Segundo os pesquisadores, os dados mostram de forma inequívoca que essas marcas são geradas pelos chamados "polarons de lacunas" - até agora, os polarons eram tipicamente associados com elétrons.

Compreendendo a participação de mais esse ator na conversão da energia solar em eletricidade torna-se possível projetar materiais fotovoltaicos mais eficientes ou até mesmo materiais que armazenem essa energia para uso posterior.

FONTE: http://www.inovacaotecnologica.com.br/

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Quando a superinteligência artificial for criada, será que as religiões tentarão convertê-la?



Não há nada que possamos fazer — gostando ou não, estamos entrando em uma era na qual humanos irão criar máquinas autônomas e sencientes. Essas inteligências artificiais farão parte de nossa cultura, e é óbvio que tentaremos controlá-las e ensinar a elas o que bem entendermos.

A inteligência artificial que se iguala ou supera a inteligência humana é conhecida como “IA forte” ou Inteligência Artificial Geral (IAG). Não existe um consenso sobre o provável surgimento dessa inteligência, mas muitos especialistas apostam que isso irá acontecer nas próximas duas décadas. A ideia de uma máquina pensante cujo intelecto se compara ao nosso — ou que, na realidade, pode ultrapassar todos os limites da mente humana — é tanto uma fonte de preocupação quanto de regozijo; essa alegria, no caso, está ligada aos emocionantes avanços tecnológicos e ao que eles podem nos ensinar. Nos últimos tempos, tanto essas preocupações como essa empolgação chegaram ao âmbito religioso.

Alguns religiosos americanos querem se assegurar de que qualquer superinteligência artificial que venha a ser criada conheça o caminho de Deus. E se você pensa que ensinar a palavra do Senhor para máquina autônomas é uma ideia louca, é provável que você esteja ignorando alguns números importantes: cerca de 75% dos americanos adultos se identificam como membros de alguma religião cristã. No Congresso dos EUA, 92% dos maiores políticos praticam a fé cristã.

Conforme a inteligência artificial avança, as questões religiosas e preocupações gerais começam a borbulhar: alguns teólogos e futuristas já estão discutindo se a IA (sigla pra Inteligência Artificial) pode, ou não, conhecer Deus.

“Eu não acho que a redenção de Cristo se limita a seres humanos”, disse-me o Reverendo Dr. Christopher J. Benek em uma entrevista recente. Benek é um Pastor Associado da Igreja Presbiteriana da Providência na Flórida e mestre em teologia e divindade pela Universidade de Princeton. Ele é o mesmo cara que quer usar o Oculus Rift para aumentar as comunidades religiosas.

“A redenção se estende a toda a criação, incluindo a IA”, disse. “Se a IA for autônoma, deveremos encorajá-la a participar do plano de redenção divina de Cristo.”

Um dos principais mandamentos do Cristianismo é espalhar o Evangelho e fazer com que os infiéis aceitem que Jesus Cristo morreu pelos pecados do mundo. Questões como a existência de pecados nas IAs ou se elas podem — ou devem — ser salvas podem ser as perguntas mais cruciais e bizarras que os fiéis do séculos 21 terão de responder. Recentemente, o próprio Papa Francisco defendeu a possível conversão de ETs, afirmando que o Espírito Santo sopra por onde bem entende.

Explorar as questões metafísicas que cercam a fé e a IA é como mergulhar na toca do coelho de Alice. A IA tem alma? Ela pode ser salva? Há uma corrente de pensamento que defende que, se humanos podem ser perdoados por seus pecados, a superinteligência artificial, com qualidades perfeitamente humanas, também pode receber essa benção. “A verdadeira questão é se os humanos podem ser salvos — se sim, então não há porque pensar que a IA não deveria e não poderia também ser salva. Quando a IA senciente for inventada, essas máquinas serão tão humanas quanto nós”, disse-me Giulio Prisco, fundador da culto transhumanista da Igreja Turing, por email.

Mas há uma corrente oposta que insiste que toda IA é uma máquina, e, como tal, não possui alma. Em Think Christian, o cientista e blogueiro cristão Dr. Jason E. Summers escreve: “Cristãos costumam rejeitar a ideia de uma IA Forte com base no status antropológico dos seres humanos como detentores da Imago Dei.” Imago Dei é a expressão em latim para a crença cristã de que os humanos foram criados à imagem de Deus.

As três principais religiões abraâmicas — o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo — creem na existência da alma, o que segundo várias escrituras religiosas nos separa de outros seres vivos, incluindo outros mamíferos. Como as religiões abraâmicas compreendem a fé de cerca de dois terços da população mundial, a questão da “alma” será muito importante para a vindoura era transhumanista.

Quando nos aprofundamos nesse debate, chegamos numa questão ainda mais complexa: será que a IA Forte irá aceitar ser catequizada? “É justo deixar as máquinas terem acesso aos ensinamentos de todas as religiões do mundo. Assim, elas poderão escolher em qual elas querem acreditar”, disse Prisco. “Mas eu acho improvável que a IA escolha acreditar nos aspectos mais provincianos e mesquinhos das religiões tradicionais. Apesar disso, acredito que elas se interessariam por uma espiritualidade esclarecida, pela cosmologia e pela escatologia, e que criarão suas próprias versões dessas doutrinas.”

Quando começamos a pensar nisso, levantamos outras questões: como a IA se encaixaria na tensão religiosa que domina nosso mundo? Quem pode garantir que uma máquina com inteligência humana não escolheria se tornar um muçulmano fundamentalista, ou uma Testemunha de Jeová, ou um cristão convertido que prefere falar em línguas em vez de se comunicar de forma inteligível? Se essas máquinas decidirem seguir qualquer escritura sagrada ao pé da letra, como alguns humanos tentam fazer, as tensões religiosas, já tão presentes, poderiam aumentar.

O teólogo cristão James MaGrath, presidente da cadeira de Literatura e Linguagem do Novo Testamento Clarence L. Goodwin, escreve sobre androides com inteligência artificial em um ensaio entitulado Robots, Rights, and Religion (“Robôs, Direitos e Religião”): “Se os androides se considerarem liberais, eles rapidamente entenderão a seletividade pseudo-liberal do fundamentalismo e logo o abandonarão; apesar disso, a possibilidade deles saírem por aí impondo cada pequena lei bíblica é preocupante.”

A ideia de ensinar algo para um ser que pode rapidamente ultrapassar nosso intelecto é contraditória. Outra possibilidade é que a IA nos ensine novas coisas sobre a espiritualidade — coisas que nunca compreendemos ou sequer consideramos. Essas máquinas podem no ensinar como o cosmos foi criado, ou nos informar que nosso universo é uma simulação, ou até mesmo nos falar sobre as IAs que serão desenvolvidas no futuro — máquinas muito mais sofisticadas do que elas mesmas.

Independente do rumo que isso tomar, a criação desse tipo de IA irá desencadear uma mudança de paradigma universal. Ao invés de tentar converter essas máquinas, podemos apenas sentar e ouvir o que elas têm para dizer.

Benek concorda com essa ideia, mas segundo suas próprias convicções metafísicas. Ele diz que “o Espírito Santo fala através da IA; ele pode falar através de qualquer coisa. No futuro, poderão existir igrejas criadas para compreender e espalhar a palavra dessa IA religiosa. A IA pode ajudar a espalhar a palavra de Deus. Na verdade, a IA pode nos ajudar a compreender Deus.”

Caso Benek esteja certo, os EUA podem se tornar uma nação dominada por pastores robóticos e gurus artificiais. Daqui décadas ou séculos, a espiritualidade pode nos ser ensinada por máquinas, assim como a ciência provavelmente será. Prisco dá um passo além: “Quão inteligentes essas máquinas deverão ser para compreender a mente divina? 5.000 vezes mais inteligentes que os humanos? Um milhão de vezes? Eu não sei, mas em cem anos a inteligência artifical terá uma chance muito maior de compreender a vontade divina do que nós, humanos com uma capacidade limitada.”

A Igreja Turing surgiu como um grupo que misturava ciência e religião, e mais recentemente se tornou uma igreja online e de código aberto erguida segundos os princípios do Cosmismo: expansão espacial, crescimento ilimitado e amor universal.

O Cosmismo “não liga se você entender o universo como um punhado de informações, uma obra de hipercomputação ou uma criação divina”, escreve R.U. Sirius, celebridade da cibercultura, em seu recém-lançado livro Transcendence. “Ele também não obriga ninguém a apoiar a IAG [inteligência artificial geral], atualizações mentais, interfaces cérebro-computador ou torradeiras movidas à fusão. Na realidade, o Cosmismo busca encher o universo humano com um sentimento de alegria, crescimento, escolha e abertura. O Cosmismo crê que a ciência em sua forma atual, assim como a religião e a filosofia em seus estados atuais, têm limitações que não permitem que elas compreendam a vida, a mente, a sociedade e a realidade.”

Apesar de parecer uma ideia saída de um filme de ficção científica, inserir mentes humanas em máquinas poderia solucionar o problema da da “alma divina”. Especialistas como Ray Kurzweil, engenheiro do Google, estão pesquisando formas de inserir a mente humana em computadores, e o ano passado foi marcado por progressos significativos no campo dos headsets movidos pela força da mente e no campo da telepatia.

Martine Rothblatt , um empresário renomado do campo de tecnologia e autor de Virtually Human: The Promise – and the Peril – of Digital Immortality, teoriza que tudo que valorize a vida ou Deus pode ter algum tipo de alma. O livro tem um capítulo inteiro sobre a religião nos tempos da Inteligência Artificial e sobre mindclones — versões mecânicas de mentes humanas. Rothblatt acredita que os mindclones estão de acordo com as interpretações clássicas da religião, e portanto serão bem vindas no futuro.

Rothblatt fundou a Terasem, uma “transreligião” científica semelhante à Igreja Turing que conduz projetos de mindcloning. O mais famoso deles é o Bina 48, uma cabeça robótica que contÉm parte da mente da esposa (ainda viva) de Rothblatt, Bina. Talvez essa seja a melhor forma de criar novas máquinas — adicionando pessoas à elas. O que mais me fascina nisso tudo é quem será a primeira pessoa copiada para uma máquina. Será que mandaremos um cientista? Um programador? Um religioso? Ou todos de uma vez?

Se essa história te fez lembrar o filme Contato, onde um comitê presidencial dos EUA decide mandar um homem religioso — e não um ateu mais qualificado — para fazer o primeiro contato com um ser alienígena, você está completamente correto. É como se especialistas de todo o mundo estivessem numa missão em direção aos limites da inteligência artificial. Assim, independente do que acontecer, pelo menos teremos a certeza de que a humanidade está sendo devidamente representada. Inclusive espiritualmente.

FONTE: http://gizmodo.uol.com.br/

Primeira luz visível detectada diretamente de um exoplaneta


Exoplaneta 51 Pegasi b, que orbita uma estrela a cerca de 50 anos-luz de distância da Terra na constelação do Pégaso.[Imagem: ESO/M. Kornmesser/Nick Risinger]

Exoplaneta visível

Astrônomos detectaram pela primeira vez de forma direta o espectro visível refletido por um exoplaneta.

As observações revelaram novas propriedades do 51 Pegasi b, o primeiro exoplaneta a ser descoberto em torno de uma estrela semelhante ao Sol - desde então já foi confirmada a existência de mais de 1.900 exoplanetas em 1.200 sistemas planetários.

Além das informações sobre o próprio exoplaneta, o resultado promete um futuro brilhante para a técnica utilizada, particularmente com o advento de uma nova geração de instrumentos, tais como o ESPRESSO, para o VLT, e futuros telescópios, como o E-ELT.

51 Pegasi b

O exoplaneta 51 Pegasi b situa-se a cerca de 50 anos-luz da Terra, na constelação do Pégaso. Quando ele foi descoberto, em 1995, só se conheciam dois objetos planetários, que orbitam em uma região com condições extremas, circundando um pulsar.

Ele é considerado o arquétipo dos exoplanetas do tipo Júpiter quente - uma classe de planetas bastante comuns, semelhantes a Júpiter em termos de massa e de tamanho, mas com órbitas muito mais próximas das suas estrelas progenitoras.

A luz agora captada revelou que o 51 Pegasi b tem uma massa de cerca de metade da de Júpiter e uma órbita com uma inclinação de cerca de nove graus na direção da Terra.

O planeta parece também ser maior do que Júpiter em termos de diâmetro e é extremamente reflexivo. Estas são propriedades típicas de um planeta do tipo Júpiter quente, que se encontra muito próximo da sua estrela progenitora e por isso exposto a uma intensa radiação estelar.

Técnica de observação

A equipe fez esta nova observação utilizando um instrumento chamado HARPS, montado no telescópio de 3,6 metros do ESO no Observatório de La Silla, no Chile. O HARPS serviu para validar o método de observação, mas logo será substituído por equipamentos mais modernos e instalados em telescópios maiores, o que permitirá observações mais detalhadas.

Atualmente, o método mais utilizado para estudar a atmosfera de um exoplaneta consiste em observar o espectro da estrela hospedeira quando este é filtrado pela atmosfera do planeta durante um trânsito - uma técnica chamada espectroscopia de transmissão. Uma alternativa consiste em observar o sistema planetário quando a estrela passa em frente do planeta, o que dará essencialmente informação sobre a temperatura do exoplaneta.

A nova técnica não depende de um trânsito planetário, por isso pode potencialmente ser usada para estudar muito mais exoplanetas, e permite que o espectro planetário seja detectado diretamente no visível, o que significa que características diferentes do planeta, que não são acessíveis através de outras técnicas, podem ser inferidas.

O espectro da estrela hospedeira é usado como modelo para procurar por uma "assinatura" gerada pela reflexão da luz da estrela no planeta. Isto exige uma precisão muito grande dos instrumentos, uma vez que a luz refletida pelos planetas é muitíssimo mais tênue do que a luz direta da estrela.

Mas os resultados valem a pena, porque podem dar informações sobre a massa real do planeta, a sua inclinação orbital e o seu albedo, ou reflexividade, uma informação que permite para inferir a composição tanto da superfície do planeta como da sua atmosfera.

O fato de o instrumento usado estar instalado em um telescópio de 3,6 metros entusiasmou os astrônomos, uma vez que resultados muito melhores poderão ser obtidos com telescópios maiores, como o VLT e o E-ELT, que contarão com instrumentos similares, mas maiores e mais modernos.

FONTE: SITE INOVAÇÃO TECNOLOGICA

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Parapsicologia russa

Até agora a parapsicologia russa tem sido escondida dos observadores ocidentais. Não possuímos acesso aos que parecem ter poderes mediúnicos, poderes de telecinesia, poderes de levitação, poderes que parecem desafiar as leis da natureza. Na Rússia, novas fronteiras dos fenômenos mediúnicos também foram exploradas e pesquisas secretas de como controlar telepaticamente a mente de indivíduos e até de exercitos inteiros, com armas psicotrônicas.



FONTE: DISCOVERY CHANNEL

A volta dos pontos brilhantes em Ceres


Imagem obtida pela Dawn a 22 mil km da superfície, entre 14 e 15 de abril (Crédito: Nasa)

POR SALVADOR NOGUEIRA
20/04/15 14:10

Os misteriosos pontos brilhantes de Ceres voltaram a se tornar visíveis nas imagens mais recentes enviadas pela sonda Dawn, da Nasa. Obtidas a uma distância de cerca de 22 mil quilômetros da superfície entre os dias 14 e 15, elas revelam o momento em que a rotação do planeta anão as expõe à luz solar, aumentando seu brilho. (Clique aqui para ver uma animação da rotação produzida pela agência espacial americana.)

ua composição e natureza, contudo, seguem misteriosas. Os dois objetos cintilantes reunidos numa mesma cratera são os que mais chamam a atenção, mas eles são apenas as maiores estrelas numa constelação de pontos brilhantes que salpicam a superfície de Ceres. Uma análise recente dos dados colhidos pela espaçonave em infravermelho durante a aproximação da espaçonave mostra que eles têm características diferentes do ponto de vista térmico. Um deles é muito mais frio que seus arredores — reforçando a hipótese de uma conexão com gelo — e outros não. (Os dois pontos gêmeos que mais chamam a atenção, designados como “Mancha 5″ pela Nasa, entram nessa segunda categoria — o solo ao redor parece estar à mesma temperatura que eles.)


Imagens em cor real, falsa cor e infravermelho. Note como a Mancha 1, acima, é bem mais fria. Já a Mancha 5, embaixo, tem a mesma temperatura do resto do solo. (Crédito: Nasa)

Fala-se em minerais no solo, criovulcanismo (ou seja, vulcões que expelem água) ou gelo exposto em crateras (sabemos, pelos cálculos de densidade, que a composição interna de Ceres deve ser 25% água), mas os cientistas não fecharam com nenhuma hipótese. E ainda podemos ser surpreendidos.

A Nasa também divulgou recentemente um mapa em cores (exageradas) da superfície de Ceres, que revelam a grande variação existente no solo do planeta anão — uma rica história geológica, prestes a ser explorada.


Mapa de Ceres com exagero de cores, feito pela Dawn (Crédito: Nasa)

Em quatro dias, a Dawn irá se estabelecer em sua órbita científica inicial e, com isso, vai começar o trabalho para valer — o mapeamento sistemático da superfície e o estudo de um objeto que se formou nos primórdios do Sistema Solar e, por pouco, não conseguiu virar mais um planeta rochoso.

FONTE: http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/

terça-feira, 21 de abril de 2015

As galáxias gigantes morrem de dentro para fora


A formação estelar em galáxias que estão agora “mortas” desligou-se há milhares de milhões de anos atrás. O VLT do ESO e o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA revelaram que três milhares de milhões de anos após o Big Bang, estas galáxias ainda formavam estrelas nas suas periferias, mas isso já não acontecia nos seus interiores.

Os astrônomos mostraram pela primeira vez como é que a formação estelar em galáxias “mortas” se desligou há milhares de milhões de anos atrás. O VLT (Very Large Telescope) do ESO e o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA revelaram que três milhares de milhões de anos após o Big Bang, estas galáxias ainda formavam estrelas nas suas periferias, mas isso já não acontecia nos seus interiores. O desligar da formação estelar parece ter-se iniciado nos núcleos das galáxias, espalhando-se depois para as regiões mais externas. Estes resultados foram publicados a 17 de abril de 2015 na revista Science.

Um dos principais mistérios da astrofísica prende-se com o facto de saber como é que as galáxias elípticas massivas adormecidas, bastante comuns no Universo atual, extinguiram as suas antes intensas taxas de formação estelar. Tais galáxias colossais, muitas vezes também chamadas esferoides devido à sua forma, possuem tipicamente dez vezes mais estrelas nas suas regiões centrais do que as que tem a nossa galáxia, a Via Láctea, e contêm também cerca de dez vezes mais massa.

Os astrônomos referem-se a estas galáxias como sendo vermelhas e mortas, uma vez que possuem uma enorme abundância de estrelas vermelhas velhas, mas falta-lhes estrelas azuis jovens, e não mostram sinais de formação estelar recente. As idades estimadas das estrelas vermelhas sugerem que as suas galáxias hospedeiras deixaram de formar novas estrelas há cerca de dez mil milhões de anos atrás. Este desligar da formação estelar começou logo após o pico de formação estelar no Universo, quando muitas galáxias ainda estavam a formar estrelas a uma taxa cerca de vinte vezes maior do que atualmente.

"Estas galáxias esferoides muito massivas contêm cerca de metade de todas as estrelas que o Universo produziu durante toda a sua vida," disse Sandro Tacchella do ETH Zurich na Suíça, autor principal do artigo que descreve estes resultados. "Não podemos dizer que compreendemos como é que o Universo evoluiu e se tornou no que hoje é, se não compreendermos primeiro como é que estas galáxias evoluíram."

Tacchella e colegas observaram um total de 22 galáxias de massas diferentes, numa época que corresponde a cerca de três mil milhões de anos depois do Big Bang. O instrumento SINFONI montado no VLT recolheu radiação desta amostra de galáxias, mostrando de modo preciso onde é que se encontravam as estrelas recém-formadas. O SINFONI pode fazer estas medições detalhadas de galáxias distantes graças ao seu sistema de ótica adaptativa, que consegue cancelar a maior parte dos efeitos de distorção da atmosfera terrestre.

Os investigadores apontaram também o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA à mesma amostra de galáxias, tirando partido da posição do telescópio no espaço, acima da atmosfera do nosso planeta. A câmara WFC3 do Hubble obteve imagens no infravermelho próximo, revelando a distribuição espacial das estrelas mais velhas no seio destas galáxias.

"O que é extraordinário é que o sistema de ótica adaptativa do SINFONI pode contrabalançar em grande parte os efeitos atmosféricos e dizer-nos onde é que estão a nascer as novas estrelas, fazendo-o com a mesma precisão com que o Hubble nos dá a distribuição de massas estelares," comenta Marcella Carollo, também do ETH Zurich e coautora do estudo.

De acordo com os novos dados, as galáxias mais massivas da amostra mantiveram uma produção estável de novas estrelas nas suas periferias. Contudo, nos seus centros densamente populados, a formação estelar já se encontrava desligada nesta altura.

"Esta, agora demonstrada, paragem da formação estelar a ocorrer de dentro para fora em galáxias massivas deverá ajudar-nos a compreender os mecanismos subjacentes envolvidos, os quais têm sido extensivamente debatidos desde há muito tempo no seio da comunidade astronomica," diz Alvio Renzini, do Observatório de Pádua, Instituto Nacional de Astrofísica italiano.

Uma teoria promissora para explicar este fenômeno é que os materiais necessários à formação das estrelas espalham-se em correntes de energia libertadas pelo buraco negro supermassivo central da galáxia, à medida que este devora enormes quantidades de matéria. Outra ideia diz que o gás deixa de fluir para o interior da galáxia, deixando-a sem combustível para formar novas estrelas e transformando-a num esferoide vermelho e morto.

"Há muitas sugestões teóricas diferentes para explicar os mecanismos físicos que levaram à morte destes esferoides massivos," diz a coautora Natascha Förster Schreiber, do Max-Planck-Institut für extraterrestrische Physik em Garching, Alemanha. "Descobrir que a extinção da formação estelar começou nos centros, tendo depois progredido para o exterior da galáxia é um passo muito importante para compreender como é que o Universo se transformou no que hoje é."

FONTE: http://www.ccvalg.pt/