sábado, 18 de fevereiro de 2017

Zelândia: O oitavo continente?


Segundo o artigo, a Zelândia seria maior que a Índia e equivalente a quase dois terços da Austrália (Istock/Getty Images)

A Zelândia é um fragmento continental localizado no Oceano Pacífico, da qual a Nova Zelândia faz parte. Ela é um pedaço de crosta continental que se desprendeu dos demais continentes no seu processo de fragmentação, há 200 milhões de anos, considerado pequeno demais para ser um deles. Mas, cientistas em um manifesto publicado na última edição do GSA Today, periódico científico da Sociedade Geológica dos Estados Unidos, discordam dessa classificação. Segundo o artigo opinativo, “sua separação da Austrália e grande área sustentam sua definição como continente” e não como um fragmento.

Com 4,9 milhões de quilômetros quadrados e, segundo os autores, todas as características de um continente, Zelândia deve ser considerada como tal, e não como um pedaço de crosta. Se levada em conta a divisão que mistura critérios geológicos e socioculturais que estabelece sete continentes – Américas do Norte e Sul, Europa, Ásia, África, Oceania e Antártida – a Zelândia seria o oitavo deles.

A Zelândia fazia parte do supercontinente Gondwana que, junto a Laurásia, agrupava toda a massa terrestre. Há cerca de 200 milhões de anos, ambas se fragmentaram e deram origem aos continentes atuais. Gondwana se dividiu em dois blocos que geraram posteriormente Antártica, Índia, Madagascar, Austrália, América do Sul e África. Já a Laurásia dividiu-se para formar os continentes do Hemisfério Norte.

De acordo com o artigo, a área da Zelândia seria maior que a Índia e equivalente a quase dois terços da Austrália. E, para os geólogos, que pertencem em sua maioria ao centro nacional de investigação científica da Nova Zelândia (GNS), ela seria grande o suficiente para ser considerada um continente. Além disso, segundo dados de satélite e expedições geológicas marinhas recentes, a região teria a elevação, geologia, largura e propriedades físicas próprias de um continente. Ela não é só mais elevada, como também mais espessa em relação ao fundo da bacia oceânica em seu entorno. De acordo com os cientistas, a extensão ainda apresenta uma crosta continental com contorno bem definido, com aproximadamente 94% de seu território abaixo do nível do mar.



“A Zelândia é um exemplo de como coisas grandes e óbvias nas ciências naturais podem ser negligenciadas”, escreveram os geólogos. Se aceita, a Zelândia seria o sétimo maior continente geológico, mas, o mais novo, estreito e submergido.

Segundo os autores, o valor científico de reclassificar a Zelândia ultrapassa o fato de acrescentar um nome a uma lista de continentes. “O fato dela conseguir estar tão submersa sem se fragmentar faz disso algo útil a ser explorado”, ressaltaram. As novas evidências geológicas citadas pelo artigo trazem novos recursos para se compreender a configuração atual da Terra.

Desde 1906 se sabe da existência de regiões mais elevadas no Oceano Pacífico, ao norte e ao sul da Nova Zelândia. Mas a ideia de continente só foi adotada em 1995, pelo geofísico americano Bruce Luyendyk. Apesar da precisão dos estudos ter aumentado nas últimas décadas, a confirmação ainda depende da comunidade científica, que não compreende a Zelândia como um continente. O artigo, no entanto, é um grande passo nessa direção.

Continente perdido

Nas últimas semanas, pesquisadores da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, afirmam ter encontrado indícios da existência de Mauritia, um continente submerso no Oceano Índico que teria desaparecido há 200 milhões de anos. No Brasil, cientistas brasileiros e japoneses encontraram rochas continentais na Elevação do Rio Grande, região há 1.500 quilômetros do litoral do Sudeste do país, em 2013. Eles sugeriram que a área pode ser um pedaço da América Latina que ficou para trás com a divisão dos continentes.


FONTE: REVISTA VEJA

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Documento oficial aponta relatos 25 anos antes do Caso ET de Varginha


Informação sigilosa ficou nos arquivos do governo durante 46 anos.
Moradores relataram presença de OVNIs na cidade em 1971.

Um documento do Ministério da Aeronáutica mostra que Varginha (MG), conhecida como a "Terra do ET", pode ter sido visitada por seres de outro planeta muito antes do famoso caso de 1996. Conforme o documento, há registro de moradores que disseram ter visto um Objeto Voador Não Identificado (OVNI) na cidade em 1971. Durante 46 anos, o documento ficou guardado sob sigilo nos arquivos do governo e só na semana passada foi divulgado pelo Arquivo Nacional.
Conforme o documento, o OVNI teria aparecido durante a noite, por volta de 19h. O dia correto da aparição não é informado. O objeto seria oval e prateado. Na época, fazendeiros e comerciantes confirmaram terem visto o objeto para as autoridades.

Documento sigiloso do governo foi divulgado somente
agora, 46 anos após suposto aparecimento (Foto:
Reprodução EPTV)

Segundo o documento, o Ovni foi visto na Vila Mendes e na Rua Rio de Janeiro, onde ficou parado por alguns instantes. Depois, ele foi visto no Clube Campestre. O documento ainda relata que o OVNI ainda sobrevoou a Escola de Sargentos das Armas EsSA, em Três Corações (MG). Segundo relatos, o objeto ficou parado próximo ao telhado de uma casa. O barulho era tão forte, que uma moradora teria perdido os sentidos.
O relato mais famoso de supostas aparições ocorreu em 1996, quando Varginha ficou mundialmente conhecida pelo suposto aparecimento de seres de outro planeta. Duas irmãs e uma amiga disseram ter visto uma criatura não humana.

O documento somente confirmou a história que moradores da cidade sempre acreditaram. "Eu pude observar que do lado da Rua Rio de Janeiro subiu um objeto que causou grande transtorno, queimando rádios, dando defeitos em carros, queimando transformadores e havendo um corte de iluminação naquelas imediações", disse o aposentado Geraldo Bichara.
Seu Arcelino Barbosa tinha 10 anos na época e diz que notou algo estranho no céu. "Realmente eu vi alguma coisa luminosa e aquilo chamou atenção na época das crianças que estavam ao meu lado brincando", disse o atendente Arcelino Barbosa Filho.


Documento aponta que Varginha pode ter sido visitada por ETs antes de famoso caso em 1996 (Foto: Reprodução EPTV)

Para ufólogos, a divulgação do documento reforça ainda mais a convicção da existência de vidas em outros planetas.
"Esses avistamentos ocorrem em todo o Brasil a todo o momento, em todo o mundo a todo o momento, Minas Gerais, o interior de Minas Gerais tem uma rica característica de fenômenos ufológicos", disse o ufólogo Thiago Luiz Ticchetti.

Relembre o Caso Varginha: http://ufos-wilson.blogspot.com.br/2016/01/et-de-varginha-caso-completa-20-anos.html



FONTE: http://g1.globo.com

Bilionário da SpaceX afirma que alienígenas já podem estar entre nós


Alienígenas incrivelmente avançados poderiam nos monitorar sem que percebêssemos, de acordo com Elon Musk

Falando em um evento em Dubai, Elon Musk tratou desse e de variados assuntos, como inteligência artificial, os avanços na tecnologia e viagens espaciais

Elon Musk tem sido um dos personagens mais comentados nos últimos tempos. O bilionário fundador das empresas Tesla e SpaceX elevou esta última a ser a primeira companhia não estatal a realizar voos regulares ao espaço, graças aos foguetes Falcon 9 e as naves Dragon. Musk apresentou no ano passado um inovador plano para levar pessoas a Marte nas próximas duas décadas, e tem cada vez mais se destacado por afirmações surpreendentes.

As mais recentes aconteceram na Cúpula Governamental Mundial em Dubai. Entrevistado no palco do evento pelo ministro de assuntos de gabinete Mohammad Abdulla Alergawi, Elon Musk falou a respeito de tecnologias que devem estar amplamente disponíveis nos próximos anos. Ele tratou de veículos autônomos, destacando que a eletrônica embarcada nos modelos Tesla de sua companhia já permite um upgrade para serem capazes de se guiarem automaticamente. E, com a quantidade imensa de trabalhos relacionados à direção, como em caminhões e veículos de carga, comentou que mais e mais empregos irão desaparecer pois serão feitos pelos robôs. O magnata defende que um mecanismo de renda básica universal será essencial no futuro.

Elon Musk alertou para a ameaça representada pelo desenvolvimento de inteligência artificial (A.I.). Se existir uma máquina capaz daquilo que chamamos pensamento independente, muito mais inteligente que seres humanos, então poderemos estar sob ameaça de uma força muito mais poderosa que nós. Por si só, de acordo com Musk, a A.I. não é nociva, mas recomendou que os governos monitorassem cuidadosamente o desenvolvimento dessas máquinas por parte dos cientistas. Ele comentou ainda que, com o desenvolvimento atual, os videogames estão se tornando cada vez mais realistas, e essa imersão entre o cérebro humano e as máquinas finalmente tornarão os jogos tão realistas quanto a realidade. Então, pergunta ele, como distinguir um do outro? E, além disso, como garantir que isso já não tenha sido feito antes, e toda nossa realidade, de fato, seja uma simulação? Essa, por sinal, tem sido uma teoria cada vez mais debatida no meio científico.

ALIENÍGENAS PODEM ESTAR ENTRE NÓS, DE ACORDO COM O CEO DA SPACEX

Elon Musk fala durante o evento em Dubai

Ainda falando sobre A.I., Elon Musk comentou que uma superinteligência digital seria como um alienígena, e depois emendou: "Parece provável. Esta é uma das grandes questões da física e da filosofia: onde estão os alienígenas? Talvez eles estejam entre nós. Algumas pessoas até pensam que sou um ET. Não é verdade, mas claro que eu diria isso, não?". Musk comentou que se existem alienígenas incomparavelmente mais inteligentes que nós então provavelmente estão nos observando neste momento, e não somos inteligentes o bastante para perceber. Depois lembrou que uma civilização avançada, mesmo limitada a viagens a 20% da velocidade da luz, poderia povoar toda a galáxia em 20 milhões de anos, muito pouco em termos cósmicos. Ele questionou o que aconteceria se seres assim se aproximassem da Terra.



FONTE: REVISTA UFO

Revelando a origem e a natureza da periferia das megalópoles estelares


Mosaico com imagens no infravermelho das seis galáxias elípticas massivas a meio da idade atual do Universo que se encontram no Campo Ultra Profundo do Hubble (HUDF). As imagens revelam envelopes estelares, assim como potenciais galáxias satélite.
Crédito: Ignacio Trujillo, com imagens do programa de 2012 do HUDF

O mais detalhado estudo da periferia de galáxias elípticas massivas a meio da idade atual do Universo foi feito por uma equipa internacional liderada por Fernando Buitrago, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL). O estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e contribui para a compreensão de como as maiores galáxias do Universo evoluíram no tempo.

As galáxias cresceram dramaticamente em tamanho desde o Universo primordial, e as galáxias elípticas, em particular, são as maiores galáxias, tanto em tamanho como em massa. Qual o principal fator que provocou o crescimento das regiões exteriores destas galáxias na época mais recente do Universo, foi a pergunta que motivou este estudo.

Em galáxias de disco, como a nossa Via Láctea, é bastante fácil identificar as suas distintas partes: o bojo central, o disco com os seus braços espirais e o halo de estrelas envolvendo o todo. Os astrônomos conseguem afirmar, por exemplo, que o halo estelar de uma galáxia de disco é formado sobretudo por estrelas de galáxias satélite que foram engolidas por aquela.

Com galáxias elípticas, porém, é muito mais difícil porque estas galáxias parecem-se muito com uma nuvem de estrelas suave e homogênea. Fernando Buitrago (IA e FCUL) comenta: "Em relação às galáxias elípticas, existem evidências diretas de que estão a decorrer fusões de galáxias satélite, mas é difícil assegurar que os processos que levaram ao crescimento das suas regiões exteriores são os mesmos que vemos a acontecer em galáxias de disco, como a nossa."

Por conseguinte, Buitrago e a sua equipa lançaram-se na investigação da natureza das periferias de um conjunto de galáxias elípticas massivas de quando o Universo tinha metade da sua idade atual, há cerca de 6,2 mil milhões de anos. Concentrando a sua pesquisa nos ténues detalhes a grandes distâncias do centro galáctico, só poderiam trabalhar com a mais profunda imagem do Universo alguma vez feita, o HUDF (Hubble Ultra Deep Field, que em português significa Campo Ultra Profundo do Hubble).

Usando as seis galáxias que satisfazem os seus critérios de investigação e que estão registadas nesta imagem, os investigadores demonstraram pela primeira vez a existência de extensos envelopes estelares em galáxias elípticas massivas individuais naquela época da idade do Universo.

A qualidade da informação capturada no HUDF permitiu à equipa caracterizar os halos galácticos individuais e colocá-los no contexto da história evolutiva deste tipo de galáxias. Além disso, Buitrago e a sua equipa concluíram que, para o seu conjunto de galáxias elípticas massivas a meio da idade atual do Universo, as regiões exteriores foram, tal como nas galáxias de disco, formadas sobretudo devido à fusão de outras galáxias. Neste estudo, tentaram ainda identificar nesses halos alguns traços de episódios recentes de fusão galáctica.

Os resultados emergiram da comparação entre a sua amostra de galáxias e simulações matemáticas baseadas no atual modelo de formação e evolução das galáxias. A equipa verificou que, neste caso, a simulação e os dados reais se ajustavam muito bem e que era possível estabelecer paralelismos.

"Em galáxias elípticas, não podemos dizer 'isto é o bojo galáctico e isto é o halo'", diz Buitrago. "Todas as estrelas formam um esferoide gigantesco, como uma imensa bola de râguebi. Mas quando usamos uma simulação por computador, conseguimos identificar a origem de cada uma das partes da galáxia simulada e comparar com as nossas galáxias reais. Através deste método, conseguimos identificar o processo por trás do dramático crescimento das regiões exteriores destas galáxias, e pudemos explicar como o seu tamanho evoluiu."


Fernando Buitrago.
Crédito: Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço

FONTE: http://www.ccvalg.pt

Estrelas desaparecidas da vizinhança Solar revelam velocidade do Sol e distância do centro da Via Láctea


Ilustração do Gaia a mapear as estrelas da Via Láctea.
Crédito: ESA/ATG medialab; fundo - ESO/S. Brunier

Usando um novo método e dados do telescópio espacial Gaia, astrônomos da Universidade de Toronto estimaram que a velocidade do Sol, à medida que orbita o centro da Via Láctea, é de aproximadamente 240 quilómetros por segundo.

Por sua vez, usaram esse resultado para calcular que o Sol está a aproximadamente 7,9 kiloparsecs do Centro da Galáxia - ou quase vinte e seis mil anos-luz.

Usando dados do telescópio espacial Gaia e do levantamento RAVE (RAdial Velocity Experiment), Jason Hunt e colegas determinaram as velocidades de mais de 200.000 estrelas em relação ao Sol. Hunt é membro do Instituto Dunlap para Astronomia e Astrofísica da Universidade de Toronto.

Os colaboradores encontraram uma distribuição pouco surpreendente de velocidades relativas: havia estrelas movendo-se mais lentamente, mais depressa e à mesma velocidade que o Sol.

Mas também encontraram uma escassez de estrelas com uma velocidade orbital galáctica aproximadamente 240 km/s inferior à do Sol. Os astrônomos concluíram que as estrelas em falta tinham sido estrelas com momento angular zero; isto é, que não orbitam a Galáxia como o Sol e as outras estrelas na Via Láctea;

"Estrelas com um momento angular muito próximo de zero teriam mergulhado em direção ao Centro Galáctico, onde seriam fortemente afetadas pelas forças gravitacionais extremas aí presentes," comenta Hunt. "Isto espalhá-las-ia em órbitas caóticas levando-as muito acima do plano Galáctico e para longe da vizinhança Solar."

"Através da medição da velocidade com que as estrelas próximas rodam em torno da Galáxia, em relação ao Sol," realça Hunt, "podemos observar uma falta de estrelas com uma velocidade relativa negativa específica. E como sabemos que este mergulho corresponde a 0 km/s, diz-nos, por sua vez, quão rapidamente nos estamos a mover."

Hunt e colegas combinaram então esta descoberta com o movimento próprio do buraco negro supermassivo conhecido como Sagitário A* que fica no centro da Galáxia, para calcular a distância de 7,9 kiloparsecs.

O movimento próprio é o movimento de um objeto através do céu em relação a distantes objetos de fundo. Eles calcularam a distância da mesma maneira que um cartógrafo triangula a distância a um marco terrestre, observando-o de duas posições diferentes separadas por uma distância conhecida.

O resultado foi publicado na revista Astrophysical Journal Letters em dezembro de 2016.

O método foi usado pela primeira vez pelo co-autor de Hunt, o atual presidente do Departamento de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Toronto, o Prof. Ray Calberg, e pelo colaborador de Carlberg, o Prof. Kimmo Innanen. Mas o resultado a que Carlberg e Innanen chegaram teve por base menos de 400 estrelas.

O Gaia está a criar um mapa dinâmico e tridimensional da Via Láctea medindo as distâncias, posições e movimentos próprios das estrelas. Hunt e colegas basearam o seu trabalho no primeiro conjunto de dados do Gaia, que incluiu centenas de milhares de estrelas. No final da sua missão de 5 anos, a missão espacial terá mapeado mais de mil milhões de estrelas.

Os resultados da velocidade e distância não são significativamente mais precisos do que outras medições. Mas, segundo Hunt, "a divulgação final do Gaia, lá mais para o fim de 2017, deverá permitir-nos aumentar a precisão das nossas medições da velocidade do Sol até aproximadamente 1 km/s, o que por sua vez aumentará drasticamente a precisão da nossa medição da distância ao Centro Galáctico."

FONTE: http://www.ccvalg.pt

ALMA revela a estrutura de um sistema protoestelar de baixa massa


Distribuições de intensidade integradas de CCH e SO, duas moléculas importantes, sobrepostas no mapa de poeira de 0,8 mm. O IRE traçado pelo CCH é dilatado para dentro num raio de 150 UA.
Crédito: N. Sakai, ALMA, ESO

Uma equipe de astrónomos usou o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para observar o sistema, quase de lado, da protoestrela de baixa massa L1527. Esta protoestrela encontra-se numa região de formação estelar da nuvem molecular de Touro, a cerca de 450 anos-luz de distância, e tem um disco protoplanetário giratório que, da perspetiva da Terra, é visto quase de lado, embebido num grande invólucro de moléculas e poeira. O ALMA permitiu com que os investigadores resolvessem, pela primeira vez, a estrutura deste jovem sistema estelar.

Um dos grandes enigmas da astrofísica é o de como estrelas parecidas com o Sol conseguem formar-se a partir do colapso de nuvens moleculares em regiões de formação estelar no Universo. O enigma é conhecido, tecnicamente, como "problema do momento angular na formação estelar". Essencialmente, o problema é que o gás na nuvem formadora de estrelas tem alguma rotação, o que dá a cada elemento do gás um determinado momento angular. À medida que colapsam para dentro, eventualmente chegam a um estado em que a força gravitacional da estrela bebé é equilibrada pela força centrífuga, de modo que a partir de um certo raio deixam de se dirigir para o interior, a não ser que possam libertar parte desse momento angular. Este ponto é conhecido como barreira centrífuga.

Agora, usando medições obtidas pelas antenas de rádio do ALMA, um grupo liderado por Nami Sakai do Laboratório RIKEN de Formação Estelar e Planetária encontrou pistas de como o gás na nuvem pode encontrar o caminho até à superfície da estrela em formação. Para entender melhor o processo, Sakai e o seu grupo voltaram-se para o observatório ALMA, uma rede de 55 antenas de rádio localizadas no alto do deserto de Atacama, no norte do Chile. As antenas estão ligadas numa configuração cuidadosamente coreografada para que possam fornecer imagens de emissões de rádio de regiões protoestelares no céu.

Anteriormente, Sakai tinha descoberto, a partir de observações de moléculas em torno da mesma protoestrela, que, ao contrário da hipótese mais aceite, a transição do invólucro até ao disco interior - que mais tarde forma planetas - não era simples, mas muito complexa. "Ao analisarmos os dados observacionais," comenta Sakai, "percebemos que a região perto da barreira centrífuga - onde as partículas já não podem cair para o interior - é bastante complexa, e percebemos que a análise dos movimentos nesta zona de transição pode ser crucial para a compreensão de como o invólucro colapsa."

As novas observações mostram uma dilatação do invólucro na zona de transição entre o disco interno e o invólucro exterior. Sakai compara-o com um "engarrafamento na região mesmo para lá da barreira centrífuga, onde o gás aquece como resultado de uma onda de choque." E acrescenta que "ficou claro, graças às observações, que uma parte significativa do momento angular é perdido pelo gás que é moldado na direção vertical a partir do disco protoplanetário achatado que se formou ao redor da protoestrela."

Este comportamento está de acordo com simulações computacionais que o grupo havia feito usando um modelo puramente balístico, onde as partículas se comportam como simples projéteis que não precisam de ser influenciadas por forças magnéticas ou outras.

Sakai planeia continuar a usar observações do poderoso ALMA "para refinar ainda mais a compreensão da dinâmica da formação estelar e para explicar completamente como é que a matéria colapsa sobre a estrela em formação. Este trabalho também pode ajudar a entender melhor a evolução do nosso próprio Sistema Solar."


Ilustração de L1527.
Crédito: N. Sakai, ALMA, ESO

FONTE: http://www.ccvalg.pt

Como os fenômenos climáticos espaciais bagunçam nossos eletrônicos



Quando todas as fontes de erros são descartadas e 4.096 votos falsos são dados a um candidato, quem você culpa? Em alguns casos, esses tipos de erros podem estar vindo do espaço, de acordo com cientistas que discutiram esse enigma cósmico nesta sexta-feira, na reunião anual da Associação pelo Avanço das Ciências, em Boston. Só para esclarecer, isso não significa que alienígenas influenciaram a eleição norte-americana de 2016.

Todos os dias, a Terra é vítima de um ataque de partículas de alta energia provenientes de toda a galáxia e até mesmo do nosso Sol. Essas partículas, especialmente os nêutrons, podem interagir com os semicondutores que abastecem chips de computadores e causam uma série de falhas em todos os nossos eletrônicos. Tais interações têm sido um problema para a aviação há várias décadas, mas, recentemente, a preocupação com os raios cósmicos afetando celulares, carros eletrônicos e até mesmo urnas eletrônicas tem crescido. Agora, empresas que fabricam eletrônicos para os consumidores estão tentando fabricar seus dispositivos de modo que resistam mais aos raios cósmicos cotidianos e a maiores fenômenos naturais espaciais, como as tempestades solares.

“Aparentemente, houve três milhões de votos ilegais em nossa última eleição”, brincou Bharat Bhuva, professor de engenharia elétrica da Universidade Vanderbilt, durante conversa na reunião anual, nesta manhã. “Só pode ter sido as erupções solares.”

Só para esclarecer, é extremamente improvável (leia-se “impossível”) que erupções solares tenham sido a fonte desses três milhões de votos, para qualquer um dos candidatos, nas eleições norte-americanas de 2016. Mas os efeitos prejudiciais de nêutrons de alta energia em nossos eletrônicos são reais. Quando nêutrons da barragem constante do clima no espaço colidem com o silício de nossos microchips, eles podem produzir partículas carregadas secundárias, causando voltagem em transistores e defeitos em dispositivos, chamados de “eventos únicos”. Os cientistas sabem que essas coisas acontecem, mas determinar se o clima do espaço causou um erro é frequentemente uma questão de descartar antes todas as outras possibilidades, disse Bhuva. Efeitos mais óbvios, como a danificação de um computador, exigiria normalmente um evento climático espacial extremo, por exemplo, uma grande ejeção de massa coronal do Sol.

Nossas chuvas de nêutrons diárias podem tanto produzir erros leves quanto graves, aqueles que podem ser consertados com um reinicialização e os que não podem, respectivamente, e muitos desses eventos você sequer notará. Entretanto, em seu diálogo nesta sexta-feira, Bhuva lembrou uma análise passada que descobriu que um evento de raio cósmico poderia ter causado 4.096 votos incorretos em uma eleição na Bélgica, em 2003.

Esses nêutrons não podem ser bloqueados, explicou Bhuva. Para tanto, seriam necessários vários centímetros de concreto, e você provavelmente não deseja carregar concreto consigo para onde quer que vá.

A chave, então, é amenizar esses erros, construindo elementos em excesso em seus dispositivos. “A NASA coloca três cópias de tudo em todas as suas espaçonaves”, explicou Jonathan Pellish, engenheiro aeroespacial do Centro de Voos Espaciais Goddard. “Em todas as missões Apollo, tínhamos três computadores fazendo o mesmo serviço a cada segundo”, já que as chances de dois problemas ocorrer em dois chips simultaneamente são muito pequenas. Lidar com os efeitos do clima no espaço em eletrônicos para consumidores também exige muitos testes, para se certificar de que os chips ainda funcionarão independentemente dos ataques subatômicos.

Então como é que você recria condições climáticas espaciais na Terra para testar os eletrônicos? Se o seu palpite foi “com um acelerador de partículas”, você está certo. Determinadas fontes de nêutrons, como aceleradores de partículas, podem produzir o equivalente a centenas de anos de nêutrons como aqueles presentes em raios cósmicos em apenas uma hora, explicou Christopher Frost, cientista do Rutherford Appleton Laboratory (RAL), que tem trabalhado no ChipIR, um instrumento no Reino Unido que irá ajudar a testar os efeitos dos nêutrons em chips de silício. Fabricantes de microchips podem usar essas instalações no Laboratório Nacional Los Alamos, no Novo México, e, em breve, o ChipIR no acelerador, no RAL, para observar os efeitos de uma barragem de nêutrons cósmicos de longo prazo em seus chips, decidindo, então, como gostariam de reagir.

“Você não quer proteger tudo”, contou Frost ao Gizmodo. “Você quer aprimorar as partes problemáticas. Se um smartphone para de funcionar uma vez, é irritante”, mas o objetivo real é evitar falhas sistemáticas.

Frost não quis arriscar o quanto desses testes de clima espacial aconteceram nas urnas eletrônicas dos EUA, mas apontou que isso é parte importante dos testes de eletrônicos em geral. Os engenheiros estão cientes desses problemas, disse Bhuva, e seguem trabalhando neles. Novamente, por favor, não surtem com a ideia de raios cósmicos terem afetado eleições.

Imagem do topo: NASA

FONTE: GIZMODO BRASIL