sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O que foi o Projeto Guerra nas Estrelas?


Foi um programa militar lançado pelo ex-presidente norte-americano Ronald Reagan, em 1983, que previa satélites antimísseis equipados com lasers

Foi um programa militar lançado pelo ex-presidente norte-americano Ronald Reagan, em 1983. Oficialmente chamado de SDI (sigla em inglês para Iniciativa de Defesa Estratégica), ele pretendia criar um sistema de satélites equipados com canhões a laser para destruir mísseis enviados contra o país. Em plena Guerra Fria, tanto os EUA quanto a União Soviética possuíam armas capazes de liquidar o rival, mas não se arriscavam, porque temiam a aniquilação mútua. Com a SDI, a balança penderia a favor dos ianques. A ideia tinha tanto jeitão de ficção científica que ganhou esse “apelido cinematográfico” – e, de fato, nunca saiu do papel.

May the laser be with you

Ideia nunca se concretizou, mas contribuiu para o fim da Guerra Fria

1. A SDI previa a integração entre satélites em órbita, espelhos gigantes, bases terrestres e outros equipamentos. Radares espaciais identificariam um míssil inimigo no momento de seu lançamento, e caberia a raios laser ou mísseis terrestres destruir o artefato. A mirabolante estratégia levaria 20 anos para ser concluída e tinha o custo estimado em US$ 200 bilhões

2.O presidente Ronald Reagan não estava completamente louco ao defender a iniciativa. Na mesma época, em um teste na base secreta das Ilhas Marshall, no Pacífico Norte, cientistas norte-americanos haviam conseguido, pela primeira vez, usar um míssil teleguiado para destruir um projétil nuclear em pleno voo

3. Mas as dificuldades técnicas da SDI iam muito além de interceptar o míssil em movimento. Cientistas questionavam a eficácia do laser na densidade do ar nesse nível da atmosfera. Também havia dúvidas sobre as tecnologias que os controlariam. E o sistema não tornaria os EUA 100% protegido, já que não propunha defesa para ataques submarinos ou com aviões

4. Na época, os EUA viviam uma “paz armada” com a URSS.O equilíbrio bélico impedia que os rivais se atacassem com seus arsenais nucleares. A SDI faria a balança pender a favor dos norte-americanos, então a novidade deixou os russos em alerta máximo. Quatro anos depois, eles responderam com o lançamento da nave Polyus, também equipada com um canhão laser

5. Mesmo sem ter sido concluída, a SDI contribuiu para dar um ponto final à Guerra Fria. A Polyus foi um ralo de dinheiro que ajudou a combalir ainda mais a economia da URSS. E ela acabou no fundo do Pacífico – ninguém sabe se sofreu uma falha mecânica ou foi derrubada pelo próprio governo, já queo então presidente Mikhail Gorbachev desejava o fim das tensões com os EUA

6.O projeto Guerra nas Estrelas foi arquivado em 1993, mas nunca esquecido completamente. Bill Clinton propôs uma nova versão, a Organização de Defesa de Mísseis Balísticos, mas que também não viu a luz do dia. George W. Bush a reviveu em 2001, com o nome de Agência de Defesa de Mísseis. Severamente criticada, ela foi enterrada de vez por Barack Obama

CURIOSIDADE

A SDI inspirou um game homônimo da Sega, em 1987.O jogador tinha de usar armas a laser para destruir mísseis e satélites inimigos







FONTES:

Sites GUIA DO ESTUDANTE, Folha de S.Paulo, Le Monde Diplomatique e Espaço Acadêmico

Sagan eterno


Se hoje a astronomia faz parte da cultura pop, agradeça a Carl Sagan. Sua busca pela democratização do conhecimento fez (e fará) gerações de jovens quererem ser cientistas

Os domingos de 1982 estão guardados com carinho na memória da família Aleman: foram marcados por um discreto ritual que se repetiu por 13 semanas. O término do Fantástico denunciava o avançado da hora quando Isabel, seu irmão e seus pais se reuniam na sala de estar da casa em Embu das Artes, na Região Metropolitana de São Paulo, para ouvir a palavra de Carl Sagan.

Mesmo tarde, ninguém ia para a cama antes de as duas crianças terem esgotado o arsenal de perguntas existenciais que surgiam depois que o programa acabava. Por 60 minutos, assistiam atentamente àquele astrônomo esguio, de cabelos escuros e voz penetrante, traduzir com eloquência poética o encanto do cosmos.

A bordo da nave da imaginação, livre das amarras do espaço e do tempo, ele podia viajar para onde quisesse — como as pétalas do dente-de-leão que soprou no início do primeiro episódio da série. Essa nave era o veículo perfeito para transportar 400 milhões de seres humanos, de mais de 60 nações, em uma aventura cósmica. “A maneira como ele explicava nos fazia entender e ficar fascinados por tudo”, diz Isabel Aleman, que viu Cosmos pela primeira vez aos 6 anos.

Hoje, com quase 40, é pós-doutora em Astrofísica pelo iag-usp e estuda detalhes sobre como as moléculas se comportam no meio interestelar. Ela jamais se esqueceu da influência que aquelas noites exerceram sobre a escolha de sua carreira. “Registrei em minha tese de doutorado um agradecimento a Carl Sagan pelas minhas primeiras jornadas nas estrelas.”
Algo parecido aconteceu nos anos 1990 em Brasília com Victor de Souza Magalhães.

Enquanto explorava a biblioteca do avô, ficou intrigado com uma capa que tinha uma vela estampada em fundo preto e um título chamativo: O Mundo Assombrado pelos Demônios — A Ciência Vista como uma Vela no Escuro. Folheou e encontrou referências a alienígenas, fantasmas e dragões que germinaram no solo fértil que é a mente de alguém de 15 anos. “Foi uma surpresa total quando comecei a ler e vi que era uma quebra de todas as místicas que existem por trás.”

Ele tinha em mãos a última obra escrita por Sagan, que também é considerada uma das mais relevantes por disseminar de forma profunda e acessível a importância do método científico e do raciocínio lógico na busca pela verdade, que deve ser guiada pelo ceticismo crítico. E isso às vésperas da virada do milênio, quando a pseudociência e o misticismo cresciam em ritmo galopante. “Ao terminar o livro, me dei conta de que esse era o caminho a seguir”, afirma o hoje pesquisador do Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble, na França.

Aleman e Magalhães fazem parte de uma geração de cientistas para a qual a porta de entrada na ciência foi o trabalho de Sagan, cuja morte prematura, aos 62 anos, no solstício de inverno de 1996, completa duas décadas no dia 20 de dezembro. “Grande parte do seu legado foi apresentar a jovens a ideia da ciência como uma carreira”, diz à galileu a produtora Sasha Sagan, única mulher entre os cinco filhos que o astrônomo teve em três casamentos. “Mas ele apresentou a milhões mais a ideia da ciência como uma filosofia, uma visão de mundo.”

FONTE: REVISTA GALILEU

Parabéns a todos os Astrônomos!



Ufos Wilson

O estranho objeto descoberto na periferia da Via Láctea que pode mudar entendimento sobre galáxias


A galáxia Virgo I orbita ao redor da Via Láctea (Foto: Subaru)

A cerrca de 280 mil anos luz, nas fronteiras da Via Láctea, um estranho objeto chama a atenção de astrônomos.

Tem um brilho fraco que o faz arredio até para supertelescópios, mas nos rodeia como a Lua faz com a Terra.
É uma galáxia anã chamada Virgo I, que pode mudar o que sabemos sobre como a matéria escura mantém os objetos unidos nas galáxias.
Até onde se sabe, galáxias como a Via Láctea são produzidas por uma combinação de matéria escuras, que vão criando órbitas escuras, e formações de gás e estrelas que vão sendo afetados pela gravidade.
Se essa teoria estiver correta, deveríamos ter centenas de pequenas galáxias satélites orbitando nossa galáxia.
Contudo, até o momento, apenas 50 delas foram detectadas. Os números não se encaixam.
Esse é o chamado "problema das galáxias anãs".
Duas opções
Isso quer dizer que, ou a teoria sobre como se formam as galáxias com matéria escura fria está errada ou simplesmente não conseguimos detectar todas as galáxias-satélite que deveriam estar orbitando a Via Láctea.
Esta descoberta, feita pelo estudante japonês Daisuke Homme da universidade de Tohoku, sugere que a segunda opção é possível.


Descoberta implica que existem centenas de galáxias anãs esperando para serem descobertas na órbita da Via Láctea (Foto: Subaru)

Com a ajuda do teléscopio Subaru foi possível detectar Virgo I, que têm uma magnitude absoluta de -0,8.
Magnitude absoluta é a medida do brilho dos objetos celestes e até o momento não havia sido possível detectar galáxias com brilho menor que -8.
Mas este telescópio de 8,2m tem uma grande abertura, o que permite absorver mais luz que outros. E descobriu esta galáxia anã perto da constelação de Virgem. Por isso ela recebeu esse nome.
Nova janela
"Examinamos cuidadosamente os dados do Subaru e descobrimos uma excessiva densidade de estrelas em Virgo que mostram um padrão característico de um sistema estelar ancestral", informou Masashi Chiba, professor encarregado do estudo.
"Surpreendentemente é uma das galáxias satélites mais fracas, mas mesmo assim uma galáxia."
Sua luz é tão fraca que somente agora pode ser vista.
Isso se deve ao fato de que se extende por um raio de 124 anos-luz, "sistematicamente maior que um grupo globular com luminosidade comparável", acrescescentou o especialista.
O estudo, publicado recentemente no Astrophysical Journal, é importante poque agora sabemos que é possível detectar galáxias com um brilho extremamente fraco, o que ajudará a solucionar o problema das galáxias anãs e a entender melhor a matéria escura.
"Esta descoberta implica que existem centenas de galáxias anãs esperando para serem descobertas na órbita da Via Láctea", comentou Masashi Chiba.
Chiba acrescentou que determinar quantas outras galáxias anãs existem nos dará importantes pistas de como a Via Láctea e como a matéria escura contribuiu para isso.


O estranho objeto descoberto na periferia da Via Láctea que pode mudar o entendimento sobre galáxias

FONTE: G1.COM

Governo de Fidel Castro censurou informações sobre ovnis em Cuba


Jornal Extra do Peru, em 28 de novembro de 2014, tornou público este histórico dossier, tendo recebido estas preciosas informações obtidas por uma verdadeira investigação honesta e limpa de Mario Zegarra Torres, investigador de ovnis do Peru.

O fenômeno Ovni sempre chamou atenção daqueles que passaram boa parte de suas vidas estudando a estranheza e origem do mesmo. Em todas as partes do mundo, tem havido avistamentos destes objetos, talvez os mais difíceis de serem investigados foram aqueles que se deram em países da Europa do Leste, a chamada "cortina de ferro", ou em Cuba, devido ao regime de sigilo.

Com a recente morte do líder Fidel Castro, se abrem novas portas para a informação ufológica para casos que podem ter ocorrido na ilha. Sabe-se que Cuba censurou temas ufológicos por mais de 37 anos, seja por meio de rádio, imprensa escrita ou televisão. Um dos casos que vieram à público, foi do camponês Adolfo Zárate em outubro de 1995, ano em que uma grande onda ufológica se deu por toda a ilha, forçando o governo de Fidel a admitir a existência do documentos relacionados ao fenômeno.



FONTE: http://www.cadizdirecto.com/ & http://arquivomisterioso.blogspot.com.br/

2015 TC25, o asteroide mais pequeno conhecido


Os pequenos asteroides próximos à Terra são alvos importantes de estudo porque não conhecemos muito sobre eles. Ao caracterizarmos o mais pequeno dos asteroides conhecidos, os cientistas podem melhor entender a população de objetos a partir dos quais são originários: os asteroides grandes, que têm uma probabilidade muito mais pequena de colidir com a Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech


Astrônomos obtiveram observações detalhadas do mais pequeno asteroide conhecido. Com 2 metros em diâmetro, a minúscula rocha espacial é pequena o suficiente para ser montada por uma pessoa numa sequela hipotética e espacial baseada na cena icónica do filme "Dr. Strangelove".

Curiosamente, o asteroide, de nome 2015 TC25, é também um dos mais próximos asteroides da Terra já descobertos. Usando dados de quatro telescópios diferentes, uma equipa de astrónomos liderada por Vishny Reddy, professor assistente do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona, divulga que TC25 reflete cerca de 60% da luz que incide sobre ele.

Descoberto pelo Catalina Sky Survey da mesma universidade em outubro desse ano, 2015 TC25 foi estudado extensivamente com telescópios terrestres durante uma passagem rasante em que o microasteroide passou a 128.000 quilómetros da Terra, um-terço da distância à Lua.

Num artigo publicado na revista The Astronomical Journal, Reddy argumenta que as novas observações do IRTF (Infrared Telescope Facility) da NASA e do Radar Planetário de Arecibo mostram que a superfície de 2015 TC25 é semelhante a um tipo raro de meteorito altamente refletivo chamado aubrite. Os aubrites consistem de minerais muito brilhantes, principalmente silicatos, formados num ambiente basáltico e livre de oxigénio a temperaturas muito altas. Apenas um em cada 1000 meteoritos que caem na Terra pertencem a esta classe.

"Esta é a primeira vez que temos dados óticos, infravermelhos e de radar sobre um asteroide tão pequeno, que é essencialmente um meteoroide," realça Reddy. "Podemos pensar nele como um meteorito que flutua no espaço e que não atingiu a atmosfera e alcançou o solo - ainda."

Os pequenos asteroides próximos à Terra, como 2015 TC25, são da mesma gama de tamanhos que os meteoritos que caem na Terra. Os astrônomos descobrem-nos com frequência, mas não se sabe muito sobre eles pois são difíceis de caracterizar. Através do estudo detalhado destes objetos, os astrônomos esperam entender melhor os corpos de origem a partir dos quais estes meteoritos são originários.

Os asteroides são fragmentos remanescentes da formação do Sistema Solar que orbitam o Sol, na maior parte, atualmente entre as órbitas de Marte e Júpiter. Os asteroides perto da Terra são um subconjunto que atravessa o caminho do nosso planeta. Até agora, foram descobertos mais de 15.000 asteroides próximos à Terra.

Os cientistas estão interessados nos meteoroides porque são os percursores dos meteoritos que impactam a Terra, acrescenta Reddy.

"Se pudermos descobrir e caracterizar asteroides e meteoroides assim tão pequenos, então podemos entender a população de objetos que lhes deram origem: asteroides grandes, que têm uma probabilidade muito menor de colidir com a Terra," salienta. "No caso de 2015 TC25, a probabilidade de impactar com a Terra é bastante pequena."

A descoberta também é a primeira evidência para um asteroide que não tem o típico cobertor de poeira - chamado regolito - de asteroides maiores. Em vez disso, 2015 TC25 é essencialmente rocha nua. A equipa também descobriu que é um dos asteroides mais velozes, em termos de rotação, já descobertos perto da Terra, completando uma volta sob si próprio a cada 2 minutos.

Provavelmente, 2015 TC25 é o que os cientistas planetários chamam de monolítico, o que significa que é mais parecido com um tipo de objeto de "rocha sólida" do que com um tipo de objeto tipo "escombros" como muitos grandes asteroides, que muitas vezes consistem de muitos tipos de rochas unidas pela gravidade e fricção. Pensa-se que Bennu, o alvo da missão OSIRIS-REx, pertence a este último tipo.

No que diz respeito à origem do pequeno asteroide, Reddy pensa que provavelmente foi partido por outra rocha que colidiu com o seu pai, 44 Nysa, um asteroide da cintura principal grande o suficiente para cobrir a maior parte de Los Angeles.

"Ser capaz de observar asteroides pequenos como este é como olhar para amostras no espaço antes que atinjam a atmosfera e alcancem o chão," comenta Reddy. "Também nos dá um primeiro olhar às suas superfícies em estado puro antes de caírem pela atmosfera."



FONTE: http://www.ccvalg.pt/

Cronometragem da sombra de um planeta potencialmente habitável ajuda à procura por vida extraterrestre


Esta imagem sumariza a pesquisa. Usando o Telescópio Refletor Okayama de 188-cm e o instrumento observacional MuSCAT (em baixo, à esquerda), os cientistas conseguiram observar o exoplaneta K2-3d, que tem mais ou menos o mesmo tamanho e temperatura que a Terra, a passar em frente da sua estrela-mãe e a bloquear alguma da luz estelar (topo), fazendo com que o seu brilho diminuísse um pouco (ver dados reais em baixo à direita).
Crédito: NAOJ


Um grupo de investigadores do Observatório Astronômico Nacional do Japão, da Universidade de Tóquio, do Centro de Astrobiologia, entre outros, observou o trânsito de um exoplaneta potencialmente parecido com a Terra conhecido como K2-3d usando o instrumento MuSCAT acoplado ao telescópio de 188 centímetros do Observatório Astrofísico de Okayama. Um trânsito é um fenômeno no qual um planeta passa em frente da sua estrela-mãe, bloqueando uma pequena quantidade de luz da estrela, como uma sombra do planeta. Apesar de já terem sido observados milhares de trânsitos para outros planetas extrassolares, K2-3d é importante porque existe a possibilidade de que seja capaz de abrigar vida extraterrestre.

Através da observação detalhada do trânsito, usando a próxima geração de telescópios, como o TMT (Thirty Meter Telescope), os cientistas esperam poder estudar a atmosfera do planeta em busca de moléculas relacionadas com a vida, como por exemplo o oxigênio.

No entanto, com apenas as observações anteriores de telescópios espaciais, os cientistas não podem calcular com precisão o período orbital do planeta, o que torna mais difícil prever tempos exatos de trânsitos futuros. Este grupo de investigação conseguiu medir o período orbital do planeta com uma grande precisão de aproximadamente 18 segundos. Isto melhorou muito a precisão da previsão para os futuros tempos do trânsito. Portanto, agora os astrônomos saberão exatamente quando observar estes trânsitos com a próxima geração de telescópios. Este resultado é um passo importante na busca por vida extraterrestre no futuro.

K2-3d é um exoplaneta localizado a cerca de 15 anos-luz de distância, descoberto pela missão K2 da NASA (a "segunda luz" do telescópio Kepler). K2-3d tem 1,5 vezes o tamanho da Terra. Orbita a sua estrela-mãe, com metade do tamanho do Sol, a cada 45 dias, aproximadamente. Em comparação com a Terra, o planeta orbita muito perto da estrela (cerca de um-quinto da distância Terra-Sol). Mas, como a temperatura da estrela hospedeira é menor que a do Sol, os cálculos mostram que esta é a distância ideal para o planeta ter um clima relativamente quente como o da Terra. Há a possibilidade de que a água líquida possa existir à superfície do planeta, aumentando as hipóteses de vida extraterrestre.


Gráfico de planetas em trânsito localizados na zona habitável (a região orbital onde um planeta pode suster água líquida à superfície), desenhado em função do raio do planeta vs. magnitude (brilho) da estrela. Os círculos pretos representam planetas confirmados descobertos pela missão Kepler e os círculos brancos representam candidatos a planeta por confirmar. Os triângulos laranja representam os planetas do tamanho da Terra TRAPPIST-1c e TRAPPIST-1d, observados a 40 anos-luz de distância por um telescópio terrestre. Pensa-se que TRAPPIST-1c e TRAPPIST-1d estejam mesmo para lá da zona habitável, mas estão aqui representados para referência. A estrela hospedeira de K2-3d (estrela vermelha) é a figura mais brilhante na figura.
Crédito: NAOJ


A órbita de K2-3d está alinhada, de modo que a partir da Terra, transita (passa em frente) a sua estrela. Isto provoca diminuições curtas e periódicas no brilho estelar, pois o planeta bloqueia parte da luz. Este alinhamento permite com que os investigadores "estudem" a composição atmosférica desses planetas, medindo com precisão a quantidade de luz bloqueada em diferentes comprimentos de onda.

A missão Kepler da NASA descobriu cerca de 30 planetas potencialmente habitáveis que também têm órbitas em trânsito, mas a maioria destes planetas orbitam estrelas mais ténues e distantes. Dada a sua proximidade com a Terra e o brilho da estrela, K2-3d é um candidato mais interessante para estudos de acompanhamento detalhados. A diminuição de brilho da estrela hospedeira, provocado pelo trânsito de K2-3d, é pequena, apenas 0,07%. No entanto, espera-se que a próxima geração de grandes telescópios seja capaz de medir como esta diminuição de brilho varia com o comprimento de onda, permitindo investigações da composição atmosférica do planeta. Caso exista vida extraterrestre em K2-3d, os cientistas esperam ser capazes de detetar moléculas relacionadas, como por exemplo o oxigênio, na atmosfera.

O período orbital de K2-3d é de aproximadamente 45 dias. Uma vez que o período de pesquisa da missão K2 é de apenas 80 dias para cada área do céu, os investigadores só conseguiram medir dois trânsitos nos dados do K2. Isto não é suficiente para medir com precisão o período orbital do planeta, assim que quando os investigadores tentarem prever os tempos dos trânsitos futuros, criando algo a que chamamos "efemérides de trânsito", haverá incertezas nos tempos previstos. Estas incertezas crescem à medida que tentam prever mais para o futuro. Portanto, foram necessárias observações adicionais do trânsito e ajustes das efemérides antes que os astrônomos perdessem os tempos do trânsito. Dada a importância de K2-3d, o Telescópio Espacial Spitzer observou dois trânsitos logo após a descoberta do planeta, elevando o total para quatro medições de trânsito. No entanto, a adição de uma única medição de trânsito, mais distante no futuro, pode ajudar a produzir uma efeméride significativamente melhorada.


Desvios previstos dos tempos dos trânsitos para as efemérides melhoradas de K2-3d com base nesta investigação. A linha vermelha sólida indica os tempos previstos com base nesta pesquisa, a área sombreada mostra a gama de incertezas. Os quadrados, triângulos e círculos são, respetivamente, os dados dos tempos de trânsito do Telescópio Espacial Kepler, do Telescópio Espacial Spitzer e do instrumento MuSCAT do Telescópio Refletor Okayama de 188-cm. O cinzento representa os valores calculados na investigação anterior e os símbolos pretos representam os valores recalculados nesta pesquisa. As linhas pontilhadas roxa e laranja são as efemérides de trânsito calculadas na pesquisa anterior usando os dados do K2 e do K2+Spitzer, respetivamente. Esta investigação conseguiu corrigir os tempos das previsões para os trânsitos de 2018, em mais de uma hora.
Crédito: NAOJ


Usando o Telescópio Refletor Okayama de 188-cm e o mais recente instrumento de observação, MuSCAT, a equipa observou um trânsito de K2-3d pela primeira vez com um telescópio terrestre. Embora uma diminuição de 0,07% no brilho esteja perto do limite do que pode ser observado com telescópios terrestres, a capacidade do MuSCAT em observar três bandas de comprimento de onda simultaneamente aumentou a sua capacidade para detetar o trânsito. Ao reanalisarem os dados do K2 e do Spitzer, em combinação com esta nova observação, os cientistas melhoraram consideravelmente a precisão das efemérides, determinando o período orbital do planeta até cerca de 18 segundos (1/30 da incerteza original). Estas efemérides melhoradas garantem que, quando a próxima geração de grandes telescópios entrarem em operação, saberemos exatamente quando observar os trânsitos. Assim, estes resultados ajudam a pavimentar o caminho para futuras pesquisas de vida extraterrestre.

A missão K2 da NASA continuará até pelo menos fevereiro de 2018 e espera-se que descubra mais planetas potencialmente habitáveis como K2-3d. Além disso, o sucessor do K2, o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), será lançado em dezembro de 2017. O TESS irá pesquisar o céu inteiro durante dois anos e deverá detetar centenas de planetas pequenos como K2-3d perto do nosso Sistema Solar. Para caracterizar uma "segunda Terra" usando a próxima geração de grandes telescópios, será importante medir as efemérides e características dos planetas com observações adicionais de trânsitos usando telescópios terrestres de tamanho médio. A equipa continuará a usar o MuSCAT para pesquisas relacionadas com a futura procura por vida extraterrestre.

FONTE: http://www.ccvalg.pt/