terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Hubble fornece roteiro interestelar da viagem galáctica das Voyager


Nesta ilustração, a sonda Voyager 1 da NASA tem uma vista aérea do Sistema Solar. Os círculos representam as órbitas dos planetas exteriores: Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno. Lançada em 1977, a Voyager 1 visitou os gigantes Júpiter e Saturno. A nave encontra-se agora a 20,65 mil milhões de quilômetros da Terra, o que a torna no objeto mais distante jamais construído pelo Homem. De facto, a Voyager 1 está agora a navegar pelo espaço interestelar, a região entre as estrelas que contém gás, poeira e material reciclado por estrelas moribundas.
Crédito: NASA, ESA e G. Bacon (STScI)


As duas sondas Voyager da NASA estão navegando por território inexplorado na sua viagem para lá do nosso Sistema Solar. Ao longo do caminho, medem o meio interestelar, o ambiente misterioso entre as estrelas. O Telescópio Espacial Hubble da NASA está fornecendo o roteiro - estudando o material ao longo das trajetórias futuras das naves. Mesmo depois das Voyagers ficarem sem energia elétrica e serem incapazes de enviar novos dados, o que poderá acontecer daqui a uma década, os astrônomos podem usar as observações do Hubble para caracterizar o ambiente através do qual estes embaixadores silenciosos vão passar.

Uma análise preliminar de observações do Hubble revela uma ecologia interestelar rica e complexa, contendo várias nuvens de hidrogênio entrelaçadas com outros elementos. Os dados do Hubble, combinados com os das Voyagers, também forneceram novas informações sobre como o nosso Sol viaja através do espaço interestelar.

"Esta é uma grande oportunidade para comparar dados de medições 'in situ' do ambiente espacial pelas naves Voyager e medições telescópicas com o Hubble," afirma o líder do estudo Seth Redfield da Universidade Wesleyan em Middletown, no estado norte-americano de Connecticut. "As Voyagers estão a 'provar' regiões minúsculas à medida que percorrem o espaço a cerca de 61.000 km/h. Mas não fazemos ideia se estas pequenas áreas são normais ou raras. As observações do Hubble dão-nos uma visão mais abrangente porque o telescópio está a observar um trajeto mais longo e largo. Assim, o Hubble dá contexto à região por onde cada Voyager está a passar."

Os astrônomos esperam que as observações do Hubble os ajudem a caracterizar as propriedades físicas do meio interestelar local. "Idealmente, a sintetização destas informações com medições 'in situ' pelas Voyager proporcionaria uma visão geral sem precedentes do ambiente interestelar local," realça Juli Zachary, membro da equipa do Hubble e da Universidade Wesleyan.

Os resultados da equipa foram apresentados no passado dia 6 de janeiro na reunião de inverno da Sociedade Astronômica Americana em Grapevine, Texas, EUA.

A NASA lançou as sondas gémeas Voyager 1 e 2 em 1977. Ambas exploraram os planetas exteriores Júpiter e Saturno. A Voyager 2 visitou também Úrano e Neptuno.

As pioneiras Voyager estão atualmente a explorar a orla mais externa do domínio do Sol. A Voyager 1 encontra-se a navegar pelo espaço interestelar, a região entre as estrelas que contém gás, poeira e material reciclado por estrelas moribundas.

A Voyager 1 encontra-se a 20,65 mil milhões de quilômetros da Terra, o que a torna no objeto mais distante já construído pelo Homem. Daqui a aproximadamente 40.000 anos, depois da nave já não estar operacional e a recolher novos dados, passará a 1,6 anos-luz da estrela Gliese 445, na direção da constelação de Girafa. A sua gêmea, a Voyager 2, está a 17,1 mil milhões de quilômetros da Terra e passará a 1,7 anos-luz da estrela Ross 248 daqui a mais ou menos 40.000 anos.

Durante os próximos 10 anos, as Voyager farão medições do material interestelar, dos campos magnéticos e raios cósmicos ao longo das suas trajetórias. O Hubble complementa as observações das Voyagers observando duas linhas de visão ao longo do percurso das sondas com o objetivo de mapear a estrutura interestelar. Cada linha de visão estende-se vários anos-luz até estrelas próximas. Ao examinar a luz dessas estrelas, o instrumento STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph) do Hubble mede como o material interestelar absorve alguma dessa radiação estelar, deixando impressões digitais espectrais.

O Hubble descobriu que a Voyager 2 vai sair da nuvem interestelar que rodeia o Sistema Solar daqui a um par de milhares de anos. Com base em dados do Hubble, os astrônomos preveem que a nave vai passar 90.000 anos numa segunda nuvem e atravessar, depois, para uma terceira nuvem interestelar.

Um inventário da composição das nuvens revela ligeiras variações na abundância dos elementos químicos contidos nas estruturas. "Estas variações podem significar que as nuvens se formaram de maneiras diferentes, ou em áreas diferentes, e depois juntaram-se," comenta Redfield.

Um olhar inicial sobre os dados do Hubble também sugere que o Sol está a passar por material mais denso no espaço próximo, o que pode afetar a heliosfera, a grande bolha que contém o nosso Sistema Solar e que é produzida pelo poderoso vento solar da nossa estrela. No seu limite, a que chamamos heliopausa, o vento solar empurra para fora contra o meio interestelar. O Hubble e a Voyager 1 obtiveram medições do ambiente interestelar para lá desta fronteira, onde o vento vem de outras estrelas que não o nosso Sol.

"Estou realmente intrigado pela interação entre as estrelas e o ambiente interestelar," acrescenta Redfield. "Estes tipos de interações estão a acontecer em torno da maioria das estrelas e é um processo dinâmico."

A heliosfera é comprimida quando o Sol se move através de material mais denso, mas expande-se para trás quando a estrela passa por matéria menos densa. Esta expansão e contração é provocada pela interação entre a pressão externa do vento estelar, composta por um fluxo de partículas carregadas e pela pressão do material interestelar que rodeia uma estrela.


Nesta ilustração orientada ao longo do plano da eclíptica, o Telescópio Espacial Hubble da NASA observa os percursos das sondas Voyager 1 e 2 à medida que viajam pelo Sistema Solar e até ao espaço interestelar. O Hubble está examinando duas linhas de visão (as características gémeas em forma de cone) ao longo do percurso das naves. O objetivo do telescópio é ajudar os astrônomos a mapear a estrutura interestelar ao longo do caminho estelar de cada sonda. Cada linha de visão estende-se vários anos-luz até estrelas vizinhas.
Crédito: NASA, ESA e Z. Levay (STScI)


FONTE: http://www.ccvalg.pt/

Morre Eugene Cernan, último homem a pisar na Lua


O ex-astronauta Gene Cernan morreu nesta segunda-feira (16), aos 82 anos. Último homem a pisar na Lua, Cernan tem um legado que perdurará, como um dos maiores exploradores da humanidade. Segundo a ABC News, o cosmonauta faleceu em um hospital em Houston, no Texas, após sofrer com problemas de saúde por algum tempo.

A NASA tweetou suas condolências na tarde desta segunda-feira, com a mensagem: “Lamentamos a morte do astronauta aposentado da NASA Gene Cernan, último homem a caminhar na Lua”.



Administrador da NASA, Charles Bolden também compartilhou uma nota sobre as contribuições de Cernan:

Como membro tripulante das missões 10 e 17 da Apollo, foi um dos dois homens a terem voado duas vezes à Lua. Comandou a Apollo 17 e estabeleceu recordes que irão durar por muito tempo, de maior voo de pouso lunar tripulado, maiores atividades extraveiculares na superfície lunar, maior retorno de amostra lunar e de maior tempo em órbita lunar.

As pegadas de Gene permanecem na Lua, e suas conquistas estão impressas em nossos corações e memórias. Seu desejo de explorar e fazer grandes coisas por esse país pode ser resumido em suas próprias palavras:

“Nós realmente estamos em uma época de desafios. Com eles, vem a oportunidade. O céu não é mais o limite. A palavra ‘impossível’ não pertence mais ao nosso vocabulário. Provamos que podemos fazer qualquer coisa que tivermos a determinação de fazer. O limite de nosso alcance é a nossa própria complacência.”

Cernan chegou à NASA vindo da Marinha, em outubro de 1963. Como piloto, registrou mais de 5.000 horas de voo e aterrissou em porta-aviões mais de 200 vezes. Foi selecionado no terceiro grupo de astronautas das NASA e estava servindo como piloto reserva da Gemini 9 quando a equipe principal morreu no acidente do NASA T-38A “901” em 28 de fevereiro de 1966. Após uma complicada mas bem-sucedida missão na Gemini 9, posteriormente voou na Apollo 10 e na Apollo 17. A natureza sem precedentes de sua carreira significou acumular numerosos recordes e muito pioneirismo, incluindo a maior velocidade já alcançada por um veículo tripulado (39.897 km/h) e o recorde não-oficial de velocidade de pouso lunar (18 km/h).

Após sua carreira na NASA, Cernan continuou como figura pública, autor, personalidade da TV e defensor das ciências. Embora seja o mais recente, esperamos que ele não seja o último homem a pisar na Lua. Tanto a Rússia quanto a China têm planos de enviar suas primeiras missões tripuladas à superfície lunar.

As últimas palavras ditas por um homem na Lua foram justamente de Cernan:

Bob, aqui é o Gene, e eu estou na superfície; e, enquanto dou o último passo de um homem na superfície, voltando para casa por algum tempo – mas acreditamos que não muito tempo no futuro –, apenas gostaria de dizer o que acredito que a história irá registrar: que o desafio de hoje dos Estados Unidos forjou o destino de amanhã do homem. E, saindo da Lua em Taurus-Littrow, saímos como chegamos e, que Deus queira, como devemos retornar, com paz e esperança para toda a humanidade. Boa sorte à tripulação da Apollo 17.



FONTE: GIZMODO BRASIL

domingo, 15 de janeiro de 2017

Documentos inéditos revelam faceta de hipnotizador de Sigmund Freud

Sigmund Freud, considerado o pai da psicanálise (Foto: Time Life Pictures)

Freud explicava que o grau de hipnose depende mais do paciente que do médico, ou seja, "emana diretamente da boa vontade" do hipnotizado.

"Tenho diante de mim uma senhora sob os efeitos da hipnose, por isso posso continuar escrevendo tranquilamente", afirmava há cem anos Sigmund Freud, neurologista alemão fundador da psicanálise, em escritos inéditos que revelam sua faceta de hipnotizador.
Durante dez anos, Freud (Freiberg, 1856 - Londres, 1939) se interessou pela hipnose e a utilizou em suas consultas, prática que documentou em relatórios, artigos e cartas reunidos e publicados pela primeira vez de forma organizada pelo escritor Mikkel Borch-Jacobsen em um livro.
Segundo Jacobsen, esses textos são essenciais para compreender a gêneses da psicanálise, e demoraram mais de um século para serem divulgados porque os proprietários dos direitos da obra do austríaco os consideravam sem importância.
Uma vez que a obra de Freud passou a ser de domínio público, Borch-Jacobsen achou que tinha chegado o momento de "preencher esta surpreendente lacuna" pesquisando os registros do psicanalista, que contam inclusive com várias fotografias da época.
Após suas experiências, Freud escreveu em um de seus artigos que a hipnose era recomendável "a qualquer doente" sempre que praticada por um médico "com experiência e digno de confiança".
Segundo Freud, tudo o que se escrevia na época sobre os supostos perigos dessa técnica eram apenas histórias.
O fundador da psicanálise considerava que 80% das pessoas eram "hipnotizáveis", mas reconhecia que as hipnoses profundas eram "bem mais raras" que o desejável para o "bem da cura".
Freud explicava que o grau de hipnose depende mais do paciente que do médico, ou seja, "emana diretamente da boa vontade" do hipnotizado.
Outro dos artigos publicados no livro, uma contribuição de Freud a um manual para clínicos gerais, aborda a hipnose sob um ponto de vista essencialmente prático, com técnicas de indução que mostram, passo a passo, como deveria ser praticada.
O neurologista começava suas instruções assegurando que a técnica do hipnotismo é "um ato médico tão difícil de realizar como qualquer outro" e aconselhava a quem se sentisse "ridículo" em sua dignidade de médico a não adotá-la.
Segundo Freud, a hipnose servia para curar, mas sua verdadeira propriedade curativa "reside sempre na sugestão", que consiste "em negar energicamente os males dos quais o paciente se queixa".
Em sua busca por novos meios para curar seus pacientes, qualificados na época como "nervosos" ou "histéricos", Freud considerava a hipnose muito útil para acessar os processos do inconsciente.
Freud explica o caso de uma paciente "histérica ocasional" que, após cada parto de seus três filhos, não podia comer nem amamentá-los. Depois de consultar vários médicos, o assunto foi solucionado com várias sessões de hipnose praticadas por ele, apesar de a mulher e seu marido terem "aversão" a esses métodos.
"Sentia vergonha - disse a mulher a Freud - de ver que uma coisa como a hipnose obtinha resultados onde minha força de vontade se mostrava impotente".
Entretanto, com o passar dos anos, Freud abandonou progressivamente o método da hipnose e passou ao da catarse e ao da associação livre, fundamento da psicanálise.
Após uma vida materializada em 23 volumes (suas "Obras completas"), Sigmund Freud morreu na Inglaterra em 23 de setembro de 1939, um ano após deixar Viena, onde os nazistas queimaram seus livros.

FONTE: G1.COM

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

No fim das contas, somos mesmo feitos de poeira estelar



Com bastante frequência, nossos corpos podem parecer casulos de ansiedade e pavor existencial. Mas coragem! Uma nova pesquisa confirma o que popularizadores da ciência como Carl Sagan disseram esse tempo todo: os humanos realmente são feitos de poeira estelar — e temos mapas para provar isso.

Na maior empreitada do tipo, um grupo de astrônomos da Sloan Digital Sky Survey, no estado do Novo México, usou o espectógrafo APOGEE (Apache Point Observatory Galactic Evolution Experiment) para analisar a composição de 150 mil estrelas na Via Láctea. A equipe catalogou a quantidade de elementos “CHNOPS” (carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e exofre) em cada um dos astros e mapeou a presença desses “blocos fundamentais da vida” na galáxia.


Dana Berry/SkyWorks Digital Inc.; SDSS collaboration)

Os pesquisadores descobriram que o centro da Via Láctea era o espaço com maior abundância de elementos CHNOPS. Mas talvez o aspecto que mais valide a pesquisa seja que esses elementos essenciais — encontrados espalhados por várias estrelas — também compõem 97% da massa de nossos corpos. Em outras palavras, nós somos mesmo “filhos” das estrelas.

Além de nos ajudar a entender mais sobre nós mesmos, esse novo mapa pode nos direcionar a mais descobertas sobre a vida além da Terra, no passado e no presente. “É uma história de grande interesse para a humanidade que tenhamos conseguido mapear a abundância de todos os principais elementos encontrados no corpo humano em centenas de milhares de estrelas da nossa Via Láctea”, afirmou Jennifer Johnson, da Ohio State University, em um comunicado à imprensa. “Isso nos permite delimitar quando e onde em nossa galáxia a vida teve os elementos necessários para evoluir, uma espécie de ‘zona temporal habitável galática’.”

Dê uma olhada nos mapas da equipe no site da SDSS clicando aqui. E pode se sentir orgulhoso. Afinal de contas, você é realmente filho de uma estrela.




[Sloan Digital Sky Survey (SDSS)]

Imagem do topo: NASA/CXC/SAO/JPL-Caltech

FONTE: GIZMODO BRASIL

Estrelas mais distantes da Via Láctea podem ter sido "roubadas" de outra galáxia


Nesta imagem gerada por computador, a oval vermelha marca o disco da nossa Galáxia e o ponto vermelho mostra a localização da anã de Sagitário. O círculo amarelo representa as estrelas que foram arrancadas da anã e atiradas para o espaço. Cinco da 11 estrelas mais distantes conhecidas na nossa Galáxia foram provavelmente "roubadas" desta maneira.
Crédito: Marion Dierickx/CfA

As 11 estrelas mais distantes conhecidas da nossa Galáxia estão localizadas a cerca de 300.000 anos-luz da Terra, bem para lá do disco espiral da Via Láctea. Uma nova pesquisa feita por astrônomos de Harvard mostra que metade dessas estrelas podem ter sido arrancadas de outra galáxia: a anã de Sagitário. Além disso, são membros de um longo fluxo estelar que se estende um milhão de anos-luz no espaço, ou 10 vezes o diâmetro da nossa Galáxia.

"Os fluxos de estrelas que foram mapeados até agora são como riachos em comparação com o rio gigante de estrelas que prevemos observar eventualmente," afirma a autora principal Marion Dierickx do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica.

A anã de Sagitário é uma das dúzias de mini-galáxias que rodeiam a Via Láctea. Ao longo da história do Universo, completou várias órbitas em redor da nossa Galáxia. Em cada passagem, as marés gravitacionais da Via Láctea influenciavam a galáxia mais pequena, puxando-a e distorcendo-a como um elástico.

Dierickx e o seu orientador de doutoramento, o teórico Avi Loeb de Harvard, usaram modelos de computador para simular os movimentos da anã de Sagitário ao longo dos últimos 8 mil milhões de anos. Eles variaram a sua velocidade inicial e ângulo de aproximação à Via Láctea para determinar quais os cenários que melhor correspondiam às observações atuais.

"A velocidade de partida e o ângulo de aproximação têm um grande efeito na órbita, assim como a velocidade e o ângulo de um lançamento de um míssil afeta a sua trajetória," explica Loeb.

No início da simulação, a anã de Sagitário tinha uma massa na ordem das 10 mil milhões de massas solares, ou cerca de 1% da massa da Via Láctea. Os cálculos de Dierickx mostram que, ao longo do tempo, a infeliz anã perdeu cerca de um-terço das suas estrelas e um total de nove-décimos da sua matéria escura. Isto resultou em três fluxos estelares distintos que alcançam um milhão de anos-luz a partir do centro da Via Láctea. Os fluxos estendem-se até à orla do halo da Via Láctea e são das maiores estruturas observáveis no céu.

Além disso, cinco das 11 estrelas mais distantes na nossa Galáxia têm posições e velocidades que coincidem ao que seria de esperar de estrelas roubadas à anã de Sagitário. As outras seis não parecem ser de Sagitário, mas podem ter sido removidas de uma galáxia anã diferente.

Os projetos de mapeamento como o SDSS (Sloan Digital Sky Survey) traçaram um dos três fluxos previstos por estas simulações, mas não em toda a extensão que os modelos sugerem. Instrumentos futuros como o LSST (Large Synoptic Survey Telescope), que irá detetar estrelas muito mais ténues no céu, deverão ser capazes de identificar os outros fluxos.

"Existem lá fora ainda mais 'intrusos' de Sagitário, à espera de serem encontrados," comenta Dierickx.

As descobertas foram aceites para publicação na revista The Astrophysical Journal e estão disponíveis online.

FONTE: http://www.ccvalg.pt/

A Lua é mais antiga do que os cientistas pensavam


O astronauta da Apollo 14, Alan Shepard. Um novo estudo determinou a idade da Lua através da análise de minerais trazido para a Terra pela missão de 1971.
Crédito: NASA

Uma equipe liderada pela UCLA (Universidade da Califórnia, em Los Angeles), EUA, relata que a Lua tem pelo menos 4,51 mil milhões de anos e é 40 a 140 milhões de anos mais velha do que os cientistas pensavam anteriormente.

Os resultados - baseados numa análise de minerais da Lua chamados zircões que foram trazidos para a Terra pela missão Apollo 14 em 1971 - foram publicados no dia 11 de janeiro na revista Science Advances.

A idade da Lua tem sido um tema muito debatido, embora os cientistas tenham tentado resolver a questão ao longo de muitos anos e usando uma ampla gama de técnicas científicas.

"Finalmente definimos uma idade mínima para a Lua; já estava na hora de sabermos a sua idade e agora sabemos," comenta Mélanie Barboni, a autora principal do estudo e geoquímica do Departamento de Ciências da Terra, Planetárias e do Espaço da UCLA.

A Lua foi formada por uma violenta colisão frontal entre a Terra primitiva e um "embrião planetário" de nome Theia, relatou a equipe de geoquímicos e colegas da mesma universidade em 2016.

A investigação mais recente significa que a Lua se formou "apenas" cerca de 60 milhões de anos após o nascimento do Sistema Solar - um ponto importante porque fornece informações críticas para os astrônomos e para os cientistas planetários que procuram compreender a evolução inicial da Terra e do nosso Sistema Solar.

Isto tem sido uma tarefa difícil, realça Barboni, porque "o que lá estava antes do impacto gigante foi apagado." Embora os cientistas não possam saber o que ocorreu antes da colisão com Theia, estes achados são importantes porque vão ajudar os cientistas a discernir os grandes eventos que a seguiram.

Geralmente é difícil determinar a idade das rochas lunares porque a maioria delas contém uma miscelânea de fragmentos de várias outras rochas. Mas Barboni foi capaz de analisar oito zircões em estado puro. Especificamente, ela examinou como o urânio que contêm decaiu para o chumbo (num laboratório da Universidade de Princeton) e como o lutécio que contêm decaiu para um elemento chamado háfnio (usando um espectrômetro de massa na UCLA). Os cientistas analisaram esses elementos juntos para determinar a idade da Lua.

"Os zircões são os melhores relógios da Natureza," comenta Kevin McKeegan, professor de geoquímica e cosmoquímica da UCLA, e coautor do estudo. "São o melhor mineral na preservação da história geológica e na revelação da sua origem."

A colisão da Terra com Theia criou uma lua liquefeita que depois solidificou. Os cientistas acreditam que a maior parte da superfície da Lua estava coberta com magma logo após a sua formação. As medições do urânio-chumbo revelam quando os zircões apareceram pela primeira vez no oceano de magma inicial da Lua, que mais tarde arrefeceu e formou o manto e a crosta; as medições de lutécio-háfnio revelam quando o magma se formou, o que aconteceu mais cedo.

"A Mélanie conseguiu descobrir a idade real da Lua, que remonta à sua pré-história antes de solidificar, não à sua solidificação," comenta Edward Young, professor de geoquímica e cosmoquímica da UCLA e coautor do estudo.

Os estudos anteriores determinaram a idade da Lua com base em rochas lunares que haviam sido contaminadas por colisões múltiplas. McKeegan realça que essas rochas indicavam a data de alguns outros eventos, "mas não a idade da Lua."

Os investigadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles continuam a estudar os zircões trazidos pelos astronautas das Apollo e a história inicial da Lua.

A geoquímica Mélanie Barboni, segurando uma rocha lunar.
Crédito: Carolyn Crow

FONTE: http://www.ccvalg.pt/

Telescópio vai procurar alvos para missão interplanetária


O primeiro plano desta imagem mostra o VLT, no Observatório do Paranal no Chile, enquanto o fundo inclui a estrela brilhante Alfa Centauro, o sistema estelar mais próximo da Terra.[Imagem: Y. Beletsky (LCO)/ESO]

Encontrar e visitar

O Observatório Europeu do Sul (ESO) assinou um acordo com a Breakthrough Initiatives para adaptar os instrumentos do maior telescópio do mundo, o VLT, instalado no Chile, para torná-lo capaz de procurar planetas no nosso sistema estelar vizinho, Alfa Centauro.

Esses exoplanetas deverão se tornar alvos para futuros lançamentos das sondas espaciais miniaturas pelo Projeto Starshot.

Estimativas iniciais indicam que essas nanonaves espaciais podem chegar a Alfa Centauro em apenas 20 anos.

Missão interestelar

O acordo aporta recursos para que o instrumento VISIR (VLT Imager and Spectrometer for mid-InfraRed), montado no VLT, possa ser modificado de modo a aumentar significativamente a sua capacidade de procurar potenciais planetas habitáveis em torno de Alfa Centauro, o sistema estelar mais próximo da Terra. O acordo atribui também tempo de telescópio suficiente para permitir a execução de um programa de busca dedicada em 2019.

A descoberta em 2016 de um exoplaneta, Próxima b, em torno de Próxima Centauro, a terceira e menos brilhante estrela do sistema Alfa Centauro, dá ainda mais incentivo a esta busca.

Saber onde estão os exoplanetas mais próximos de nós é crucial para o Projeto Starshot, o programa de pesquisa e engenharia que pretende demonstrar o conceito de nanossondas espaciais ultrarrápidas, movidas por luz, que abrirão caminho para a primeira missão a Alfa Centauro, que poderá ocorrer dentro de uma geração.

Óptica adaptativa e coronografia

Detectar um planeta habitável é um enorme desafio devido ao brilho da estrela hospedeira do sistema planetário, que ofusca os planetas. Uma abordagem para tornar esta tarefa mais fácil é observar nos comprimentos de onda do infravermelho médio, onde o brilho térmico de um planeta em órbita reduz enormemente a diferença de brilho entre o planeta e sua estrela hospedeira. Mas, mesmo nesses comprimentos de onda, a estrela permanece milhões de vezes mais brilhante do que os planetas, sendo preciso recorrer a uma técnica especial para reduzir a ofuscante luz estelar.


Outro projeto de telescópio para fotografar exoplanetas próximos propõe uma técnica simples, que permitirá uma significativa redução de custos. [Imagem: Project Blue/Divulgação]

O instrumento VISIR, que opera no infravermelho médio e está montado no VLT, será modificado para aumentar de modo significativo a qualidade de imagem através do uso de óptica adaptativa, além de ser adaptado para utilizar uma técnica chamada coronografia, que permite reduzir a radiação estelar, revelando assim o possível sinal de potenciais exoplanetas rochosos. A Breakthrough Initiatives financiará as tecnologias e os custos de desenvolvimento da experiência, enquanto o ESO fornecerá as capacidades e tempo de observação necessários.

O novo hardware inclui um módulo no qual será colocado um sensor de frente de onda e um instrumento de calibração dos detectores. Adicionalmente, existem planos para o desenvolvimento de um novo coronógrafo, desenvolvimento esse que será construído em conjunto pelas universidades de Liège (Bélgica) e Uppsala (Suécia).

VISIR e METIS

Os desenvolvimentos aplicados ao VISIR serão também benéficos para o futuro instrumento METIS, que será montado no E-ELT, uma vez que as lições aprendidas e os conceitos utilizados serão diretamente transferidos para este instrumento.

O enorme tamanho do E-ELT, que passará a ocupar o posto de maior telescópio do mundo, deverá permitir ao METIS detectar e estudar exoplanetas do tamanho de Marte situados em órbita de Alfa Centauro, se estes existirem, assim como outros potenciais planetas habitáveis que existam em torno de outras estrelas próximas.

FONTE: SITE INOVAÇÃO TECNOLOGICA