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Análise de DNA revelam detalhes de civilização perdida de 6,5 mil anos


ARTEFATOS ANTIGOS ENCONTRADOS NA CAVERNA PEKI'IN (FOTO: THE ISRAEL ANTIQUITIES AUTHORITY)

Restos mortais descobertos em caverna estavam bem preservados e possibilitaram o estudo por arqueólogos

Cientistas realizaram análises de DNA em esqueletos e objetos encontrados na Caverna Peki'in, em Israel, e sugerem que há cerca de 6 mil anos uma população até então desconhecida se instalou na área.

A caverna abriga mais de 600 pessoas enterradas nas paredes de estalactites. Entre os restos encontrados estão jarros, recipientes de cerâmica com ossadas dentro, e outros "presentes" destinados aos mortos para ajudá-los na transição para o "próximo mundo". De acordo com arqueólogos, alguns desses itens são típicos da região, enquanto outros são de áreas remotas, o que sugere uma troca de ideias e cultura entre diferentes povos.

Publicada na revista Nature Communications, a pesquisa examinou 22 indivíduos exumados do local, cujo DNA havia sido bem preservado nos ossos – provavelmente por causa das condições frias da caverna e da crosta calcária que os cobria.

As análises mostraram diferentes características dos restos humanos, como mutações genéticas que podem ter contribuido com a formação da cor dos olhos azuis. "Esses resultados revelam uma população relativamente homogênea em Peki'in", escreveram os autores no estudo. "Nós mostramos que os movimentos das pessoas da região do Levante meridional eram dinâmicos, com algumas populações, como a enterrada em Peki'in, sendo formadas por influências exógenas."

Acredita-se que a civilização passou por transições culturais, sociais, políticas e econômicas no período Calcolítico, também chamado de Idade do Cobre. Na época, os humanos começaram a estabelecer assentamentos permanentes e a produzir alimentos em escala agrícola. Mas de onde eles vieram e o que provocou as mudanças intrigava especialistas.

Como outros sítios arqueológicos de Israel apresentaram artefatos parecidos com os da caverna, sugere-se que as pessoas podem ter sido parte de uma população única que migrou de áreas próximas. "A análise genética forneceu uma resposta para a questão central que nos propusemos abordar", disse em comunicado David Reich, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. "Isso mostrou que o povo Peki'in tinha ancestrais substanciais de nortistas, semelhantes aos que vivem no Irã e na Turquia, e que não estavam presentes em fazendeiros anteriores da área do Levante."

Segundo o portal IFL Science, evidências apontam que houve mudanças dramáticas na forma como as pessoas se instalaram e que um abandono de terras em torno de 6 mil anos atrás criou uma “profunda reviravolta cultural” que levou à extinção das tradições calcolíticas. "De fato, essas descobertas sugerem que a ascensão e a queda da cultura calcolítica provavelmente se devem a mudanças demográficas na região", afirmou Hila May, uma das autoras da pesquisa.

FONTE: REVISTA GALILEU

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