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A edição de genes humanos nem sempre é assustadora: entenda


Cientistas avaliam as consequências das pesquisas de edição do DNA humano para a criação de seres humanos "geneticamente melhorados"

A edição de genes é uma das coisas mais assustadoras nas notícias recentes sobre estudos científicos, mas nem toda edição de genes é igual. A diferença está nas células editadas por cientistas: se são somáticas ou germinativas.

Células germinativas são aquelas que podem gerar um organismo inteiro — células que formam espermatozoides e óvulos, ou embrionárias que se diferenciam em diversas funções. O que é crítico nessas células em particular é que uma mudança ou mutação em uma delas afeta todas as outras no corpo de um bebê que cresce a partir delas. É por isso que cientistas têm pedido a proibição da edição de genes em células germinativas.

Já as células somáticas são todo o restante — células em órgãos ou tecidos que desempenham funções específicas. Mudanças em células somáticas são menos significantes que mudanças em células germinativas. Se houver uma mutação em uma célula do fígado, pode haver outras células mutantes no mesmo órgãos na medida em que ela se divide e cresce, mas elas nunca vão afetar os rins ou o cérebro.

O corpo humano naturalmente acumula mutações em seus tecidos ao longo da vida. Na maior parte do tempo, elas passam imperceptíveis, sem prejudicar o organismo. A exceção é quando essas mutações crescem descontroladamente, o que gera câncer.

Na edição de genes, importa muito se você está lidando com uma célula germinativa, e portanto um ser humano inteiro e seus descendentes, ou um órgão em particular. A terapia genética — que trata genes defeituosos em tecidos específicos — é uma das maiores esperanças de tratamentos médicos em décadas. Houve alguns sucessos, mas mais fracassos.

Mas editar células germinativas e criar bebês cujos genes foram manipulados é uma história bem diferente, com muitas implicações éticas. Uma das principais preocupações é médica, visto que até agora não se sabe o quão seguro isso seria. “Consertar” as células do fígado de alguém que morreria por causa de alguma doença no órgão é uma coisa, mas “consertar” todas as células de um bebê saudável é algo com muito mais risco. É por isso que o anúncio recente de que um cientista chinês o fez causou tanta comoção.

Mesmo que seja comprovado que o procedimento é seguro, editar células germinativas poderia dar origem a controvérsias sobre “bebês de design”, sob o risco de criar um mundo em que as pessoas tentam gerenciar os genes da prole. Não é preciso muita imaginação para temer que a edição de genes leve uma nova era de eugenia e discriminação.

A edição genética ainda parece assustadora? Pois deveria. Mas mas muita diferença saber se a intenção é manipular órgãos ou seres humanos inteiros.

Texto originalmente publicado no site The Conversation.

FONTE: REVISTA GALILEU

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