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Meteorito coberto de cristais intriga cientistas


METEORITO COM CRISTAIS PODE AJUDAR A EXPLICAR FORMAÇÃO DO SISTEMA SOLAR (FOTO: REPRODUÇÃO/YOUTUBE CARL AGEE)

Análise indicou que a rocha tem aproximadamente 4,6 bilhões de anos

Cientistas encontraram uma rocha espacial do tamanho de uma bola beisebol, cravejada de cristais verdes e que foi considerada "completamente diferente" de qualquer outro meteorito ígneo (quando a pedra fundida esfria e se solidifica) já estudado na Terra.

Estima-se que o fragmento tenha cerca de 4,6 bilhões de anos, sendo o mais antigo já encontrado. Publicado na revista Nature Communications, o relatório da descoberta indica que naquele período uma enorme nuvem de poeira e gás desmoronou em torno do Sol, e objetos como planetas emergiram e se formaram o sistema solar conhecido atualmente.

"Esta pesquisa é fundamental para entender como os planetas se formaram no início do sistema solar", disse em comunicado Carl Agee, da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos. “Esses processos ígneos agem como pequenos fornos que estão derretendo a rocha e processando todos os sólidos do sistema solar. Em última análise, é assim que os planetas são formados."

A rocha foi encontrada nas dunas da Mauritânia e recebeu a identificação de Northwest Africa 11119. Os estudiosos não sabiam se ela vinha do espaço devido à sua cor clara, mas a avaliação científica confirmou que a amostra vinha de fora do planeta.

“Não é apenas um tipo de rocha extremamente incomum: está nos dizendo que nem todos os asteroides são iguais. Alguns deles parecem como a crosta da Terra porque são claros e cheios de sílica”, falou Agee. "Eles não apenas existem, mas ocorreram durante um dos primeiros eventos vulcânicos que aconteceram no sistema solar."

É possível ver mais detalhes da pedra no vídeo do pesquisador.



Agee adquiriu a pedra com um traficante de meteorito e a entregou para a estudante de doutorado, Poorna Srinivasan. Ela confirmou que a rocha veio de algum lugar do sistema solar. "Mas não podemos realmente identificá-lo como um corpo conhecido que foi visto com um telescópio", comentou Srinivasan.

Embora os cientistas não saibam exatamente de onde o fragmento vem, eles o associaram a outros dois meteoritos encontrados na Terra: o Northwest Africa 7235 e o Almahata Sitta. Eles acreditam que as três rochas podem ter a mesma origem.

Além dessa possível conexão, a idade e a composição do meteorito fazem com que seja diferente de tudo que já examinaram antes. "Esta rocha se destaca como algo completamente diferente de qualquer um dos mais de 40 mil meteoritos que foram encontrados na Terra", declarou Srinivasan.

Para os pesquisadores, essa amostra vai ajudar a ampliar a compreensão sobre a formação do sistema solar. "Meteoritos como este foram os precursores da formação do planeta e representam um passo crítico na evolução dos corpos rochosos nos sistema solar", afirmou Daniel Dunlap, estudante de pós-graduação da Universidade do Estado do Arizona, nos EUA.


Mapa de raios X de cor falsa do NWA 11119 mostrando fenocristais de tamanho de sílica , clinoenstatita, augita e plagioclásio. Zoneamento não foi observado em fenocristais de sílica ou piroxênio, mas o zoneamento normal aparece em fenocristais de plagioclásio. Os fenocristais são cercados por massa de terra temperada, consistindo de cristais altamente zonados, que variam em tamanho, de submicrometros a centenas de micrômetros.

FONTE: REVISTA GALILEU

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