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Um cometa brasileiro


Observatório particular em Oliveira (MG), um dos poucos do Hemisfério Sul a caçar asteroides próximos à Terra, descobre sétimo cometa em quatro anos

Era uma noite normal, à caça de pequenos corpos celestes, quando algo inesperado aconteceu. “Observávamos um cometa recém-descoberto quando encontramos o Barros”, explica o astrônomo amador e engenheiro Cristóvão Jacques. “A descoberta foi meio aleatória.”

Ele se refere ao C/2018 E2 (Barros), mais novo cometa “brasileiro”. Foi detectado em março por João Ribeiro Barros, colega de Jacques e um dos membros do Sonear, observatório particular que pesquisa asteroides próximos à Terra.

Por enquanto há poucas informações sobre o cometa Barros. Sabe-se que ele leva milhares de anos para completar uma órbita. Passou “perto” do Sol (o chamado periélio) em novembro de 2017 — ainda assim, a uma distância equivalente a quase quatro vezes a da Terra até o Sol.

Ele gira em sentido contrário ao dos planetas e sua trajetória, comparada à da Terra, é bastante inclinada (98 graus). A composição permanece um mistério.

Localizado na pequena cidade mineira de Oliveira, o Sonear é um dos poucos observatórios a estudar asteroides e cometas ao sul do Equador. “A maioria está no Hemisfério Norte”, afirma o engenheiro.

Desde a inauguração, em 2014, já acharam 28 asteroides próximos à Terra. Cometas foram sete — há pouco mais de 4 mil catalogados pelo Minor Planet Center (MPC), órgão vinculado à União Astronômica Internacional (IAU). “Somos um dos poucos amadores com essa performance, pode contar no dedo”, diz Jacques.

Os instrumentos do Sonear foram projetados para monitorar grandes porções do céu. “Um telescópio normal pega uma pequena área com um grande aumento, já os nossos monitoram uma grande área com pouco aumento”, diz. O maior cobre uma área equivalente à de nove luas cheias.

Em 2017, o Sonear quase foi fechado por falta de recursos. Foi salvo pelo financiamento coletivo. “Fizemos uma vaquinha virtual e levantamos o dinheiro que nos permitiu continuar as atividades.”

http://www.observatorio-phoenix.org/t_proj/Sonear/sonear.htm

FONTE: REVISTA GALILEU

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