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A estrela mais próxima de nós pode estar cercada por um sistema planetário complexo



Por: Ryan F. Mandelbaum

Novas observações mostram que existe pelo menos um anel (mas possivelmente três) de poeira gelada em torno da estrela mais perto de nós, a Proxima Centauri. Isso poderia indicar a presença de mais planetas, de acordo com uma nova pesquisa.

Seria incrível se astrônomos pudessem simplesmente olhar para o céu com telescópios de resolução infinita e ver precisamente o que está acontecendo — mas eles não podem, mesmo para as estrelas mais próximas. Em vez disso, precisam fazer observações a partir de vários instrumentos, em vários comprimentos de onda, para juntar tudo e formar a figura completa. Depois de novas observações feitas da Proxima Centauri, usando o radiotelescópio Atacama Large Millimeter Array (ALMA), no Chile, existem indícios de que sua história seja muito mais rica do que o anúncio de um exoplaneta próximo da estrela em uma zona habitável.

“Esta poeira gelada está nos dizendo que poderia haver um sistema planetário com cinturões de asteroides”, Guillem Anglada-Escudé, um dos autores do estudo, da Queen Mary University of London, disse em entrevista ao Gizmodo. “Existe uma rica história e muitas coisas a se descobrir.”


Imagem: Anglada et al

O ALMA, telescópio usado para fazer a descoberta, é provavelmente o melhor de seu tipo no momento na observação de infravermelho distante e luz de micro-ondas de alta frequência. Essa observação comparativamente curta revelou o que parece ser um disco de detritos gelados em torno da estrela. Isso poderia significar a presença de outros planetas que evitam que mais planetas se formem, da mesma maneira como Júpiter evita que o cinturão de asteroides do nosso Sistema Solar se coalesça e forme um planeta. Poderia até mesmo existir um elaborado sistema planetário, de acordo com o estudo publicado no periódico The Astrophysical Journal Letters.

Talvez você também esteja se perguntando por que eles não conseguem simplesmente encontrar um planeta diretamente. A poeira tem uma área de superfície muito maior do que planetas únicos, então é mais fácil de identificá-la, explicou Anglada-Escudé.

O próprio Anglada-Escudé trabalhou na descoberta do ano passado da Proxima Centauri b e me disse que os pesquisadores ainda estão trabalhando duro para tentar entender o que está orbitando a Proxima. Embora seja um resultado preliminar, ele disse que existe uma variabilidade em faixas de luz visível que “pode ser causada pela estrela, mas parece haver provas de um outro planeta” (coincidentemente, Anglada-Escudé tem o mesmo nome que o primeiro autor do estudo, Guillem Anglada. Isso causou alguma confusão durante nossa entrevista).

Infelizmente, essa observação pelo ALMA não foi suficiente para criar as imagens incríveis que você talvez já tenha visto de discos de poeira em torno de outras estrelas. Isso significa que os cientistas não sabem ao certo se há um planeta ou quantos anéis existem.

“Desta vez, conseguimos apenas a primeira foto”, disse Anglada-Escudé. “Queremos mais tempo com o ALMA para ter imagens de maior resolução desses anéis de poeira e ver o que eles realmente são.”



[ApJL via ESO]

Imagem do topo: ESO/M. Kornmesser

FONTE: GIZMODO BRASIL

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