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Cientistas encontram pulmão de ave preservada por 120 milhões de anos


A espécie 'Archaeorhynchus spathula' (Foto: Divulgação/Brian Choo)

Órgão fossilizado ajudará cientistas a entender a evolução das aves e as formas de vida da Era Cretácea

O que já parecia ser um fóssil especial acabou se revelando uma evidência de vida extremamente única para os estudos em paleontologia. Pesquisadores da Academia de Ciências Chinesa publicaram na Proceedings of the National Academy of Sciences um artigo sobre as incríveis características de um fóssil de Archaeorhynchus spathula, uma ave primitiva que sobrevoou a Terra há 120 milhões de anos.

De acordo com os cientistas, o fóssil apresenta penas delicadamente preservadas e com pintilhas únicas que, apesar de não serem comuns em aves da era cretácea, são semelhantes às dos pássaros modernos.


Mas o mais impressionante desses restos é que os pulmões da ave, que tinha o tamanho de um pombo, também foram preservados. O fóssil foi encontrado na região chinesa de Jehol, em uma formação Lagerstätte, como são chamados os depósitos sedimentares onde é possível encontrar evidências de vida muito bem preservadas.

Este é o quinto espécime de A. spathula estudado e, de longe, o mais completo. De acordo com os paleontólogos, as estruturas reveladas pelo pulmão fossilizado são bastante semelhantes à versão moderna do órgão nos pássaros. Isso quer dizer que o A. spathula tinha pulmões com respiração unidirecional, o que permite que o fluxo de ar seja fresco e rico em oxigênio.

Para analisar melhor os restos do pulmão, os pesquisadores utilizaram um microscópio eletrônico de varredura, que identificou o tecido do órgão e os capilares sanguíneos ( que absorvem oxigênio e ajudam a manter a energia do voo).


FÓSSIL DO ARCHAEORHYNCHUS SPATHULA. (FOTO: J. ZHANG/INSTITUTE OF VERTEBRATE PALEONTOLOGY AND PALEOANTHROPOLOGY, BEIJING)

Segundo os pesquisadores, é possível que esta seja uma característica única do Ornithuromorpha, grupo de animais que incluem espécies de aves atuais e primitivas, que sobreviveram a extinção em massa que ocorreu há 66 milhões de anos.

“Talvez esta especialização esteja apenas neste clado [grupo de organismos descendentes de um único ancestral exclusivo] e fosse um dos muitos fatores que permitiram a sua sobrevivência”, sugere Jingmai O'Connor, professora da Academia de Ciências Chinesa e coautora do estudo.

Além disso, parece que o pulmão fossilizado estava embutido nas costelas da ave, exatamente como os pulmões de pássaros são hoje. Ao contrário dos pulmões humanos, que se expandem a cada respiração, os pulmões das aves são rígidos, para que possam inalar e exalar ao mesmo tempo, explicou O'Connor.

FONTE: REVISTA GALILEU

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