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DNA da batata doce contesta a teoria que os polinésios chegaram à América antes de Colombo



Por: George Dvorsky

Cristóvão Colombo chegou às Américas em 1492, mas alguns especialistas dizem que exploradores polinésios chegaram por aqui antes dele. Existe pouca evidência que corrobora com essa teoria, mas cientistas apontam pela presença de batatas doces – uma planta que acreditavam ser nativa das Américas – no Pacífico Sul como prova. No entanto, uma análise genética do popular tubérculo e seus parentes anulou essa hipótese de uma vez por todas.

Os primeiros colonizadores da América do Norte provavelmente chegaram da Sibéria pela Beríngia há cerca de 15 mil ou 20 mil anos, mas isso não significa que estes humanos aventureiros fossem os únicos migrantes deste continente. Avalie a hipótese solutreana, por exemplo, que sugere que caçadores e colhedores europeus da Idade da Pedra caminharam por uma ponte de gelo Atlântico Norte até a costa leste da América do Norte há cerca de 18 mil a 25 mil anos, possivelmente alguns milhares de anos antes dos primeiros eurasiáticos começarem a vasculhar o lado oposto do continente.

Ainda mais controversa – não que a hipótese solutreana não seja controversa o bastante – também já foi sugerido que habitantes de ilhas do sul do Pacífico caminharam pelo traiçoeiro trajeto entre a Polinésia e a América de barco, e que eles chegaram às Américas muitos anos antes de Colombo. Como prova, cientistas apontam pela presença de galinhas de espécies não nativas na América do Sul, rastros do aparente DNA polinésio entre os membros da tribo de índios brasileiros Botocudo, e a inesperada presença de batatas doces na Polinésia muito antes da chegada do Capitão Cook no Século XVIII.


Diferentes variedades de batata doce expostas no Centro Internacional da Batata em Lima, Peru. (Créditos: R. Scotland)

Juntas, estas três pistas podem significar que os polinésios navegaram do Pacífico Sul e as Américas diversas vezes, o que explicaria porque frangos e batatas doces existem no Pacífico Sul, e porque o DNA polinésio (aparentemente) existe entre a população indígena da América do Sul. Mas essa teoria pode ser desmantelada; a primeira pista, a dos frangos, foi descreditada em 2014, e a segunda, do DNA polinésio, é baseada em evidências inconsistentes. Agora, graças a um novo estudo publicado nesta quinta-feira (12) na Current Biology, a hipótese da batata doce também está sob suspeita.

“A presença da batata doce na Polinésia tem sido vastamente interpretada como uma forte evidência do contato humano entre a Polinésia e a América na era pré-Colombo”, diz Paulo Muñoz-Rodríguez, um coautor do estudo, em um comunicado. A presença da batata doce na Polinésia foi documentada tão cedo quanto as viagens do Capitão Cook na embarcação Endeavour, uma descoberta estranha considerando que a batata doce, uma raiz que pertencente a família de plantas originadas nas Américas. “Entretanto, nossa descoberta é que a planta provavelmente chegou as Ilhas Pacíficas pela dispersão natural dos pássaros, vento ou correntes marítimas em períodos anteriores a presença de humanos”, ele diz.


Espécimes de batata doce coletadas em 1769 no Arquipélago da Sociedade (Créditos: Museu da História Natural de Londres)

Para chegar a essa conclusão, a equipe de Muños-Rodriguez, que incluiu pesquisadores da Universidade Oxford, Centro Internacional da Batata do Peru, Universidade Estadual de Oregon, e a Universidade Duke, analisou cerca de 200 espécimes representando todas as variedades conhecidas de batata doce. Isso incluiu parentes selvagens, e amostras retiradas tanto de plantas vivas quanto de espécimes extraídos de museus.

O resultado do sequenciamento de DNA mostrou que a batata doce originou de uma espécie progenitora que existiu há cerca de 800 mil anos, e as batata doces encontradas no Pacífico Sul durante as viagens do Capitão Cook divergiram de suas ancestrais americanas há aproximadamente 100 mil anos – muito antes dos humanos chegarem perto do Pacífico Sul, ou dos americanos em questão (nossa espécie emergiu há cerca de 300 mil anos). Depois das viagens de Cook, no entanto, europeus espalharam outras variedades de batatas doces pelo Pacífico Oeste, incluindo as Filipinas.

Essa descoberta muda a noção que os primeiros humanos iam e voltavam da América para a Polinésia antes da chegada dos colonizadores europeus – mas isso não destrói a teoria por completa. Ainda existe a questão do DNA para ser analisada, e uma estranha coincidência que vale a pena questionar: A palavras para batata doce na língua polinésia é “kuumala”, que é suspeitamente parecida com a palavra “kumara”, que é como a população Quechua do noroeste da América do Sul se refere a ela.

O mistério continua no ar. Ou na terra, neste caso.

[Current Biology]

FONTE: GIZMODO BRASIL

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