Pular para o conteúdo principal

Os arqueólogos brasileiros que bancaram a própria viagem para descobrir múmias de faraó no Egito


Custos estão sendo bancados pelos próprios pesquisadores | Foto: Divulgação

Edison Veiga
De São Paulo para a BBC Brasil

A expressão "fazer história" parece soar redundante quando se fala de uma tumba egípcia de 3,5 mil anos atrás. Mas um grupo de pesquisadores brasileiros está garantindo seu lugar no panteão da ciência nacional justamente no Egito. O arqueólogo brasileiro José Roberto Pellini, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), capitaneia a primeira missão brasileira que coordena escavações no país.

Sete brasileiros e quatro egípcios trabalham desde 17 de dezembro na tumba 123/368 da famosa Necrópole Tebana, em Luxor. "Trata-se de uma tumba inédita, que nunca tinha sido aberta, escavada e estudada", afirmou Pellini à BBC Brasil. "O único registro que havia era de um expedicionário inglês que esteve aqui no século 19, ficou dois dias e deixou algumas anotações." Ela fica em uma área conhecida como Sheikh Abd el-Qurna, um dos setores da necrópole onde estão sepultados os nobres.

O monumento foi erguido durante o reinado de Tutmés III, o sexto faraó da 18ª dinastia egípcia, na época conhecida como Império Novo. Não há um consenso entre estudiosos sobre o período exato do governo de Tutmés III - alguns acreditam que tenha sido entre 1504 e 1450 a.C.; outros, entre 1479 e 1425 a.C.


A tumba estudada foi construída durante o reinado de Tutmés III | Foto: Divulgação

Pellini e sua equipe haviam estado no local para um planejamento do estudo em março do ano passado. "Já vislumbrávamos muito potencial", disse. Agora, com a abertura da tumba, a certeza é maior. "Em uma pequena limpeza já encontramos diversas peças em excelente estado de conservação. A expectativa é que ela renda muito em termos de conhecimentos e de objetos nos próximos anos."

Pelo cronograma, os brasileiros concluem esta etapa ainda neste mês de janeiro. "Até agora nos concentramos em documentar uma série de blocos de granito, de calcário e de arenito encontrados dentro da tumba. Este material está sendo fotografado e analisado", explicou o pesquisador. No início de 2019, eles retornam. E aí sim devem escavar completamente o local.


Escavação completa será feita em 2019 | Foto: Divulgação

A aposta é alta. "Nas intervenções pontuais que a gente fez, a quantidade de material que saiu é bastante grande. São peças de sarcófago, pedaços de múmia, pequenas figuras de cerâmica, pedaços de vasos... Isso só limpando a tumba", disse Pellini. "Com a escavação de fato, a tendência é que pipoque material importante e, com certeza, muito bem preservado."

Brasileiros no Egito
Batizada de Bape (sigla em inglês para Programa Arqueológico Brasileiro no Egito), esta missão é a primeira coordenada e planejada por brasileiros. Antes, arqueólogos do Brasil já haviam integrado trabalhos de outras equipes - austríacas, francesas e uma argentina. "Eu mesmo trabalhei durante oito anos para a missão argentina", relatou Pellini.

O programa Bape foi criado em 2015, com o apoio institucional da Universidade Federal de Sergipe (UFS) - na época, Pellini lecionava lá. No ano passado, o professor transferiu-se para a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o projeto foi encampado pelo Departamento de Antropologia e Arqueologia da instituição mineira. Atualmente, o programa está firmando uma parceria também com a Universidade Nacional de Córdoba, da Argentina.


Missão é a primeira coordenada e organizada por brasileiros | Foto: Divulgação

Todos os custos da missão, por enquanto, estão sendo bancados com recursos próprios dos pesquisadores. "A UFMG nos dá apoio institucional. Mas nossa ideia é firmar parcerias que nos patrocinem, inclusive com órgãos como Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, vinculada ao Ministério da Educação) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação)", afirmou o professor. "Acredito que na próxima etapa, em 2019, já teremos algo mais sólido em relação aos financiamentos."

Para ser viabilizado, o trabalho também foi estruturado a partir de uma parceria com o governo egípcio - por meio do Centro de Documentação de Antiguidades, órgão do Serviço de Antiguidades do Egito.


Projeto é centrado na conservação da tumba e dos objetos encontrados | Foto: Divulgação

"Nosso projeto é centrado na escavação, na restauração e na conservação da tumba", explicou o arqueólogo. "Vamos registrar e documentar os objetos, tentar entender as cenas, as paredes, os hieróglifos, trabalhar com toda a cultura material que virá da tumba. Por fim, cuidar da restauração do espaço, que está bem danificado." Na parte antropológica do projeto, estão previstas conversas com a população local em busca de respostas interpretativas.

O Egito tem tanta riqueza histórica que, na avaliação de Pellini, "vão se passar 150 anos e ainda terá muita coisa para ser descoberta por aqui". "Esta tumba é um exemplo: mesmo na Necrópole Tebana, que já tem mais de um século de trabalhos arqueológicos, ela nunca foi escavada e estudada. Então estamos fazendo história aqui", disse.

FONTE: BBC BRASIL

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ovnis e estranhas criaturas próximos ao Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (RN)

Desde o ano de 2016 militares da Aeronáutica que trabalham na Barreira do Inferno já percebiam bolas de luzes alaranjadas como também feixes de luzes amarelados no céu noturno, bem próximo daquela região. Por desconhecerem totalmente a origem dessas luzes misteriosas e a finalidade delas, vários militares observavam intrigados e chegavam a comentar entre eles sobre esses fenômenos luminosos. Dias após a percepção dessas claridades no céu noturno, alguns militares começaram a perceber ao redor daquela localidade o aparecimento de criaturas vivas, de seres que não eram humanos. Um dos militares chegou a ver um "Urso Polar" e imediatamente comunicou a outros militares de plantão. Tal militar chegou a passar mal após a aparição de tal criatura. Já um outro militar flagrou uma outra criatura aparentando ser um "homem de grande porte" sair andando de dentro da água do mar. Outro militar relata que presenciou duas criaturas que de início pareciam apenas dois cachorros g…

Mémorias da Ufologia: Caso SANTA ISABEL

FOTOS DO LAUDO

Na localidade de Santa Izabel(SP) em junho de 1999, a Sra. Alzira Maria de Jesus foi encontrada morta na sua cama, e por volta das 8 hs da manhã sua nora percebe o fato e sai imediatamente para ir ao orelhão e ligar para o seu marido e espera à ajuda e , ao chegar de volta em casa quase 40 min.depois a nora vê o corpo da sra. com o rosto totalmente desfigurado e praticamente sem carne; foi feito o boletim de ocorrência na delegacia da cidade sob n°145/99 em 24 de Junho. Posteriormente confirmou-se que à causa da morte foi a parada respiratória, mas o que aconteceu realmente como rosto desta sra. num espaço menor de uma hora?O laudo é cita sobre as configurações do mesmo, inclusive nas cavidades oculares, mas o que teria causado à perda do rosto ficou indeterminada. Mais estranho ainda é que na noite anterior aos fatos foram vistas bolas de luz voando nessa região rural e no início da madrugada os animais,como cachorros,gansos,e outros começaram à fazer um intenso barulh…

Fazendeiro grego encontra túmulo de 3.400 anos debaixo de suas oliveiras

Por: George Dvorsky

Um túmulo de 3.400 anos contendo dois caixões e dúzias de artefatos que remontam ao fim da era Minoica estava escondido debaixo do olival de um fazendeiro grego, no sudeste da ilha de Creta, na Grécia.

Como noticiado pelo Cretapost, o homem, que não teve seu nome revelado, estava tentando estacionar seu veículo debaixo da sombra de uma oliveira quando o solo debaixo dele começou a afundar. Depois de se afastar, o fazendeiro notou que um buraco medindo cerca de 1,2 metro de largura apareceu de repente. Quando ele olhou para o vazio abaixo, rapidamente percebeu que havia se deparado com algo importante.


O buraco. Imagem: Eforato de Antiguidades de Lasithi

O fazendeiro contatou o Eforato de Antiguidades de Lassithi — ministério de patrimônio local —, que enviou arqueólogos para investigar. Descobriram então que o fazendeiro havia se deparado com um túmulo da era Minoica contendo um par de caixões, cada um deles com um só esqueleto. Duas dúzias de vasos com ornamentos…