Pular para o conteúdo principal

O clima extremo de Vênus pode mudar a duração dos dias no planeta, segundo simulação



Por: Ryan F. Mandelbaum

Vênus pode se parecer com a Terra, com seu tamanho parecido e a presença de uma atmosfera grossa, cheia de dióxido de carbono. Mas quanto mais os cientistas o observam, maiores são as surpresas vindas do segundo planeta mais próximo do Sol.

Novos resultados de uma simulação seguem ilustrando uma estranha imagem de nosso vizinho nocivo. Parece que uma interação entre as montanhas do planeta e sua atmosfera poderiam criar ondas fortes o bastante para mudar a duração do dia em Vênus em até dois minutos.

Vamos entender este estranho planeta com que estamos lidando. Um rotação completa de Vênus leva 243 dias terráqueos, enquanto uma única órbita em torno do Sol leva 225 dias. Entretanto, o planeta rotaciona na direção oposta à da Terra, portanto, se consideramos um “dia” a virada completa por um planeta, então o Sol na verdade nasce duas vezes em um só dia em Vênus. Enquanto isso, seus topos de nuvem orbitam o planeta a cada quatro dias terráqueos, e a atmosfera em sua superfície é cerca de 90 vezes mais densa do que a da Terra a nível do mar.

A Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial tem uma espaçonave orbitando Vênus chamada Akatsuki. Ela já fez observações importantes, como uma enorme anomalia atmosférica, uma estrutura em forma de arco nas nuvens do planeta que parecem não se mover, apesar dos ventos rápidos abaixo. A equipe por trás da missão levantou a hipótese de que essa estrutura persistente seja o resultado de uma onda produzida quando os ventos velozes do planeta correm contra suas montanhas, como água fluindo sobre uma grande rocha em um rio.

Dois pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles e um outro da Universidade de Paris-Saclay, na França, colocaram os dados da Akatsuki em um modelo da atmosfera de Vênus, e a simulação esteve de acordo com a hipótese anterior de que a estranha anomalia era uma “onda gravitacional”, resultante da interação do vento com as montanhas. Mas ela também descobriu que, levando essas ondas em consideração, a atmosfera poderia causar uma flutuação de dois minutos terráqueos na velocidade de rotação de Vênus sobre seu eixo.

Isso é interessante por várias razões, de acordo com o estudo publicado nesta segunda-feira (18), na Nature Geoscience. Estudar de forma mais aprofundada essas ondas e como elas afetam Vênus poderia ajudar cientistas a entender melhor seu interior, assim como sua estranha atmosfera. E aprender sobre processos em outros planetas poderia nos ajudar a interpretar fenômenos na Terra.

Mas vale apontar que os cientistas não mediram, de fato, uma mudança de duração de dia — eles apenas executaram um modelo que sugeriu que isso seria possível. Eles anunciam em seu novo artigo que o modelo tem seus limites, e será necessária observação direta para saber o que está mesmo acontecendo em Vênus. “Em algum momento, uma medição precisa de duração do dia poderia detectar os vários impactos do fluxo atmosférico contra montanhas”, escrevem.

Independentemente disso, vai levar muito tempo até que qualquer humano possa vivenciar o clima maluco de Vênus diretamente. O planeta é o mais quente do Sistema Solar, com uma temperatura média de superfície superior a 454 ºC.

[Nature Geoscience]

Imagem do topo: NASA

FONTE: GIZMODO BRASIL

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ovnis e estranhas criaturas próximos ao Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (RN)

Desde o ano de 2016 militares da Aeronáutica que trabalham na Barreira do Inferno já percebiam bolas de luzes alaranjadas como também feixes de luzes amarelados no céu noturno, bem próximo daquela região. Por desconhecerem totalmente a origem dessas luzes misteriosas e a finalidade delas, vários militares observavam intrigados e chegavam a comentar entre eles sobre esses fenômenos luminosos. Dias após a percepção dessas claridades no céu noturno, alguns militares começaram a perceber ao redor daquela localidade o aparecimento de criaturas vivas, de seres que não eram humanos. Um dos militares chegou a ver um "Urso Polar" e imediatamente comunicou a outros militares de plantão. Tal militar chegou a passar mal após a aparição de tal criatura. Já um outro militar flagrou uma outra criatura aparentando ser um "homem de grande porte" sair andando de dentro da água do mar. Outro militar relata que presenciou duas criaturas que de início pareciam apenas dois cachorros g…

Ovnis em Iporanga (SP)

Entrada da Casa de Pedra, caverna com maior boca do Mundo, 215 metros.

Iporanga em tupi significa “Rio Bonito” e foi palco da exploração de ouro no período colonial e, posteriormente da exploração de chumbo e zinco no século passado. Na região há famosas cavernas: Formação Iporanga e Formação Votuverava. Em Iporanga, efetuaram-se diversos estudos de mapeamento geológico e pesquisa mineral, sobretudo pela CPRM - Serviço Geológico do Brasil. A seção geológica mais conhecida é o famoso perfil Apiaí-Iporanga. A cidade atrai muitos visitantes por possuir lindas cachoeiras, piscinas naturais, vales, grutas e cavernas. Iporanga é a cidade que possui o maior número de cachoeiras em todo o Brasil, nas 365 cavernas cadastradas. O turista poderá praticar esportes radicais como o rapel, canyonismo e trekking. Atrativos culturais podem ser visitados como o museu da cidade, a Igreja Matriz e as casas com o estilo colonial. Por todos estes motivos, Iporanga é considerada um dos mais importantes cent…

A mulher que descobriu a metamorfose e se embrenhou de espartilho na Amazônia no século 17

Merian desenvolveu uma forma diferente de enxergar a natureza. Ela é considerada a primeira ecologista do mundo | Imagem: Gravura de Jacobus Houbraken em retrato de Georg Gsell

No século 17, a alemã Maria Merian se propôs a investigar o mundo dos insetos. Acabou desenvolvendo uma forma diferente de pensar e enxergar a natureza e, aos 52 anos, partiu para uma perigosa aventura na América do Sul, para detalhar os ciclos de vida de borboletas, mariposas e outros insetos.

Os feitos de Merian, numa época em que pouca gente desbravava o continente americano abaixo da linha do Equador - em especial as mulheres -, deram a ela a fama de primeira ecologista do mundo.

Ela nasceu na Alemanha em 1647, numa família de editores, escultores e comerciantes, e logo cedo aprendeu a arte da ilustração.

O interesse pelos insetos surgiu no próprio jardim da casa de Merian, ainda na infância.

Aos 13 anos, ela decidiu pintar o ciclo de vida de um bicho da seda numa época em que o comércio da seda era muito …