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Incas realizavam cirurgias mais eficazes do que médicos do século 19


CRÂNIOS INCAS QUE INDICAM PROCEDIMENTO DE TREPANAÇÃO (FOTO: UNIVERSIDADE DE MIAMI/ REPRODUÇÃO)

Fósseis estavam marcados com “buracos” no crânio, sinais de que a civilização inca era adepta de uma técnica cirúrgica conhecida por trepanação

As civilizações pré-colombianas não param de surpreender historiadores. Além de seus já conhecidos feitos no ramo da arquitetura, agricultura, organização social e religiosa, esses povos também eram exímios médicos.

Segundo recente trabalho realizado por estudiosos da Universidade de Miami, Universidade de Tulane e Universidade do Arizona – todas as três nos EUA – os médicos incas realizavam cirurgias cranianas com mais eficácia do que os especialistas norte-americanos em atuação durante a Guerra de Secessão, no século 19.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram mais de 800 crânios de cidadãos incas encontrados em cavernas funerárias e em escavações arqueológicas nas áreas costeiras e em planaltos andinos do Peru.

Todos esses fósseis estavam marcados com “buracos”, sinais de que a civilização inca era adepta de uma técnica cirúrgica conhecida por trepanação, que consiste em perfurar orifícios no crânio.

A trepanação é método milenar que já era conhecido até mesmo na Grécia antiga. Acredita-se que essa prática tenha sido utilizada para tratar diversas doenças, tais como dores de cabeça, cistos ósseos, traumas (fraturas), síndromes convulsivas (como epilepsia, por exemplo) e até para “expulsar demônios”.

Com tantas amostras encontradas, é muito provável que os incas tenham sido o povo que mais fez uso da trepanação. E, incrivelmente, eles foram também a civilização que tinha as melhores taxas de sobrevivência pós-cirúrgica: ela chegava até 80%.

Segundo o neurologista David Kushner, pesquisador da Universidade de Miami e autor do estudo, enquanto a taxa de mortalidade da trepanação dos incas ficava entre 17 a 25%, para os norte-americanos do século 19, durante a Guerra de Secessão, o risco da cirurgia chegava em 46 a 56%.

“Há muitas razões que ainda desconhecemos sobre o procedimento e os indivíduos em que a trepanação era realizada, mas os resultados durante a Guerra Civil [norte-americana] foram tristes comparados aos dos incas”, afirmou Kushner.

Apesar de as técnicas incas ainda serem um mistério, uma possível razão pela qual a performance das cirurgias pré-colombianas tenha sido melhor do que as norte-americanas é a higiene.

Devemos considerar, por exemplo, que os médicos da Guerra de Secessão costumavam utilizar equipamentos não higienizados e sem esterilização. Em algumas ocasiões, até colocavam os próprios dedos nas feridas para senti-las e romper coágulos sanguíneos.

A escassez de produtos também fez com que eles reutilizassem os curativos repetidas vezes. Aproximadamente 100% dos sobreviventes com ferimentos cranianos por balas e tiros acabavam ganhando uma infecção.

Técbuca de sucesso
Um ponto importante observado pelos pesquisadores é que os crânios mais antigos dos incas tiveram menores taxas de sobrevivência (40%), enquanto os mais recentes apresentaram números maiores (75 a 83%).

Além disso, foi possível notar que os buracos realizados nos crânios foi ficando mais refinado com o tempo. Ou seja, os orifícios foram diminuindo de tamanho e ganhando um aspecto mais profissional.

“Evidências físicas definitivamente indicam que esses cirurgiões antigos refinaram o procedimento com o passar do tempo. O sucesso deles é realmente impactante”, afirmou Kushner.

O estudo foi publicado no periódico científico World Neurosurgery.

FONTE: REVISTA GALILEU

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