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O ambicioso plano para encontrar a próxima Terra usando um pequeno telescópio espacial



Quando astrônomos confirmaram a descoberta de um planeta parecido com a Terra orbitando Proxima Centauri a apenas 4,25 anos-luz de distância, surgiram novas esperanças para a existência de mais planetas que podem nos servir como lar na nossa vizinhança cósmica. Para descobrir isso, uma equipe de ex-cientistas da NASA está atrás de financiamento privado para vasculhar o sistema Alpha Centauri em busca de planetas habitáveis.

Nesta semana, o Instituto BoldlyGo lançou o Project Blue, um esforço ambicioso para descobrir mundos semelhantes à Terra ao redor de Alpha Centauri A ou B, com a construção de um pequeno telescópio espacial capaz de fotografar essas estrelas. É uma missão de alto risco e de possíveis altas recompensas, mas sem nenhuma garantia de sucesso; também não é o tipo de missão que costuma ser aprovada nos processos da NASA.

É por isso que, no que alguns cientistas estão chamando de sinal do futuro, o Project Blue conta com investidores privados para sair do papel. “Existe essa nova energia espacial por aí, com muita ciência com financiamento privado sendo feita,” disse o CEO da BoldlyGo Jon Morse ao Gizmodo.

Morse, que deixou seu cargo como chefe da divisão de astrofísica da NASA em 2011 porque ele queria “sair e tentar fazer alguma coisa grande,” acredita que está na hora certa para a ciência exoplanetária dar seu próximo passo. “Queremos ser os primeiros a conseguir imagens diretas de um exoplaneta parecido com a Terra ao redor de uma estrela como o Sol,” disse. Se conseguir o financiamento, sua missão de dois anos para conseguir isso deve ser lançada no final dessa década.

Localizado a cerca de 4,37 anos-luz da Terra, o sistema Alpha Centauri – que consiste em duas estrelas parecidas com o Sol, Alpha Centauri A e B, além da anã vermelha mais fria Proxima Centauri – cativa nossa imaginação há décadas. De clássicos a obras recentes de ficção científica, o sistema Alpha Centauri sempre é retratado como o próximo lugar do universo que a nossa espécie vai viver.

Muitos profissionais concordam com isso. “Nosso Sol vai morrer dentro de alguns bilhões de anos, e quando isso acontecer, vamos precisar de um novo lar,” disse Avi Loeb, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian.

Mas antes de enviarmos uma nave cheia de colonizadores, ou mesmo uma frota de nanonaves, tem uma coisa que precisamos saber logo: Alpha Centauri realmente tem planetas habitáveis?


Alpha Centauri A (esquerda) e B (direita) acompanhadas pela Proxima Centauri (destacada em vermelho). Imagem: Wikimedia

Surpreendentemente, principalmente considerando que milhares de exoplanetas foram descobertos recentemente, essa não é uma questão fácil de se responder. Há anos astrônomos observam o sistema estelar vizinho usando o método de velocidade radial, que tenta atribuir pequenas oscilações nas curvas de luz estelar à força gravitacional dos planetas.

Em 2012, um grupo de astrônomos achou que tinha descoberto um novo planeta ao redor de Alpha Centauri B, usando como base as oscilações estelares. Eles até escreveram sobre na Nature, e o trabalho foi bastante divulgado. Mas observações posteriores colocaram em dúvida a descoberta. No fim das contas, a “evidência” da existência de Alpha Centauri Bb foi baseada em dados espúrios.

No ano passado, estudos do Hubble em Alpha Centauri coletaram evidências sobre um exoplaneta em trânsito; um que cruza a estrela na nossa linha de visão e produz uma sombra. Mas, novamente, não era nada conclusivo.

Apesar das frustrações e contratempos, ainda há muito interesse na exploração da habitabilidade de Alpha Centauri A e B, que podem em teoria abrigar planetas rochosos parecidos com o nosso. E, claro, recebemos notícias bastante empolgantes nos últimos meses, quando cientistas anunciaram um planeta rochoso na zona habitável de Proxima Centauri – apesar de ainda não sabermos se é possível a vida se sustentar ao redor da anã vermelha.

A melhor forma de responder essa questão é com a captura de fotos de Alpha Centauri. Mas a observação de imagens diretas de exoplanetas, que emitem milhões de vezes menos luz do que suas estrelas, já se provou difícil: astrônomos comparam com a tentativa de encontrar um vaga-lume próximo a um farol a quilômetros de distância. Até hoje, astrônomos só conseguiram capturar imagens de gigantes gasosos em órbitas distantes, e mesmo que tenhamos aprendido algo sobre esses mundos, eles não são exatamente os lugares ideais para abrigar vida.

Conseguir imagens diretas de Proxima b, que está dez vezes mais próximo à sua estrela do que a Terra em direção ao Sol, está fora de questão com a tecnologia atual. “A essa distância, a estrela é dez vezes mais brilhante do que o planeta,” disse Loeb. “Então é bem difícil separá-los.”

Mas Alpha Centauri A e B são estrelas mais quentes e brilhantes, e suas zonas habitáveis são mais distantes. O que significa que, se encontrarmos um alvo promissor, ele estará em uma órbita mais distante, onde a luz estelar é mais facilmente bloqueável. Não vai ser fácil conseguir uma foto bonitona, mas Morse e sua equipe do Project Blue acreditam que conseguem alguma coisa.


O famoso “pálido ponto azul”, uma imagem capturada pela sonda Voyager quando observou a Terra a 6 bilhões de quilômetros de distância, mais ou menos o que o Project Blue pretende fazer ao redor do sistema Alpha Centauri. Imagem: NASA.

Para um sistema como Alpha Centauri, um ponto azul meio borrado pode ser visto com um telescópio de 50 cm, considerando que esse telescópio conte com um sistema ótico adaptativo e com um coronógrafo bloqueador de luz estelar, e considerando também que ele consiga observar seu alvo com alta precisão. “A convergência de tecnologias para ver um pequeno planeta próximo a uma estrela muito brilhante está começando a amadurecer,” disse Morse. “É nesse ponto que estamos hoje.”

Morse reconhece que o telescópio Project Blue vai custar entre US$ 25 e US$ 50 milhões para ser construído e lançado, o que é consideravelmente menos do que uma missão padrão da NASA, mas ainda assim não é exatamente troco de padaria. “A missão é modesta o bastante para conseguirmos fazer designs iniciais com uma campanha bem sucedida de financiamento coletivo,” disse, lembrando também que quando for a hora de construir o telescópio final, o projeto vai precisar atrair alguns “indivíduos ou fundações com bastante dinheiro.” Instituições parceiras, como o Instituto SETI, também podem contribuir na forma de conhecimento técnico.

Desde a natureza inerentemente arriscada até o foco estreito e calendário ambicioso, o Project Blue representa uma mudança radical em relação às últimas décadas de missões bilionárias de agências como a NASA. A exploração espacial privada é recente, um modelo ainda não testado, e não há certezas em relação ao nível do financiamento nem às possíveis descobertas.

Mas Morse acredita que ele tem uma grande chance de descobrir alguma coisa. Afinal de contas, sabemos pelo Kepler que a maioria das estrelas têm planetas, e que uma fração decente desses planetas estão em zonas habitáveis. Com Alpha Centauri A e B, temos duas chances.

Claro, se encontrarmos um novo pálido ponto azul no espaço, ele vai ser o alvo principal para grandes missões futuras, como o Telescópio Espacial James Webb e a próxima geração de telescópios extremamente grandes, que podem ser capazes de observar a atmosfera de um planeta próximo em mais detalhes.

Loeb, por sua vez, não está convencido de que um pequeno telescópio espacial pode fazer um trabalho melhor na busca por planetas parecidos com a Terra ao redor de Alpha Centauri do que um telescópio terrestre enorme como os da próxima década. Mas ele não está surpreso em ver astrônomos querendo fazer isso.

“O cenário para o financiamento privado mudou,” disse Loeb. “Hoje tem muito mais gente rica interessada no espaço, e vendo oportunidades de negócios no espaço. Eu acho que esse é o futuro.”

Imagem de topo: conceito artístico de um exoplaneta orbitando Alpha Centauri B. Via L. Calçada/Nick Risinger/Observatório Europeu do Sul

FONTE: GIZMODO BRASIL

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