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É possível existir um planeta com um sistema de anéis 200 vezes maior que Saturno



Há alguns anos, astrônomos descobriram um objeto bizarro orbitando uma estrela distante. Estudos preliminares sugeriram que se tratava de um exoplaneta com um sistema de anéis ridiculamente grande, 200 vezes maior do que Saturno. Novos estudos provaram que essa estrutura celeste gigantesca pode sim existir – mas, para funcionar, os anéis precisam girar na direção errada.

Este exoplaneta glorioso pode ser tanto um gigante gasoso enorme quanto um anão marrom, e está em uma órbita ao redor de J1407, uma jovem estrela parecida com o Sol localizada a 420 anos-luz da Terra. Observações feitas em 2007 por Steven Rieder do instituto de pesquisa japonês RIKEN e por Matthew Kenworthy, da Universidade de Leiden, na Holanda, revelaram uma série estranha de eclipses, os quais foram interpretados pelos pesquisadores como um planeta enorme com um sistema de anéis gigantes, talvez até 200 vezes maior do que os anéis que embrulham Saturno.


Os anéis são tão grandes que poderíamos vê-los da Terra se o planeta estivesse no lugar de Saturno. Via M. Kenworthy/Universidade de Leiden

Alguns mais céticos diziam que eles tinham tirado conclusões precipitadas, apontando para a órbita exagerada do objeto. De vez em quando, esse planeta se aproxima bastante da estrela hospedeira, e os efeitos gravitacionais disso podem destruir os anéis.

Para ver se tal sistema pode de fato existir, Rieder e Kenworthy decidiram conduzir uma série de simulações. Suas descobertas, que foram aceitas para publicação na Astronomy & Astrophysics, mostram que o sistema é estável e que pode persistir por mais de 10.000 órbitas de 11 anos. Isso significa que a estrutura sobreviveria por cerca de 100.000 anos, o que não é muita coisa em termos cosmológicos. Então, se for verdade, podemos ter a sorte de observar um objeto bastante raro.

Mas há uma ressalva importante: esse sistema de anéis gigante só pode existir e os anéis girarem na direção oposta da órbita do planeta ao redor da sua estrela. “Pode parecer loucura – anéis gigantes que giram na direção oposta – mas calculamos que um sistema ‘normal’ de anéis não consegue sobreviver,” disse Rieder em um comunicado.

Objetos que giram na direção errada estão em órbitas retrógradas, e são bastante raros. No nosso sistema solar, todos os planetas e a maioria dos outros objetos orbitam em um movimento prógrado, o que significa que eles viajam na mesma direção da rotação do Sol. A maioria dos satélites, e até os anéis de Saturno, também têm movimentos prógrados. Para um objeto ser retrógrado, alguma coisa precisa ter acontecido, como um planeta que capturou uma lua formada em outro lugar. No caso desse sistema planetário extraordinário, Rieder e Kenworthy dizem que um evento catastrófico – como uma colisão enorme – pode ter feito os anéis ou o planeta girarem na direção oposta.

Os pesquisadores dizem que é possível que os eclipses estranhos sejam causados por um objeto flutuante livre, mas lembram que essa “chance é mínima”. Para o futuro, eles planejam investigar como a estrutura de anéis foi formada, e como ela pode mudar com o passar do tempo.



[Astronomy & Astrophysics via arXiv]

Foto de topo: ilustração do artista Ron Miller com um sistema de anéis gigantes ao redor de J1407. (©Ron Miller)

FONTE: GIZMODO BRASIL

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