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Cientistas apresentam conclusões sobre pontos brilhantes de Ceres


Imagem em perspectiva e em cores exageradas revela o esplendor dos pontos brilhantes de Occator (Crédito: Nasa)

POR SALVADOR NOGUEIRA
09/12/15 16:00

Desde que a sonda Dawn começou a se aproximar de Ceres, no ano passado, o mundo ficou intrigado pela presença de misteriosos pontos brilhantes na superfície do planeta anão. Agora, finalmente, a equipe responsável pela missão emitiu seu parecer sobre a questão, na forma de um artigo científico. E a resposta ao enigma é…

…um pouco complicada, na verdade. Duas coisas, contudo, já podemos dizer com certeza. A primeira é que há detecção de evaporação de água na cratera Occator, onde se localizam os pontos brilhantes mais marcantes. A segunda é que o fenômeno parece não ter nenhuma conexão com alienígenas.

Todo mundo ficou com a impressão inicial de que os pontos poderiam ser luzes, tamanho o brilho que eles emitiam. Mas na verdade é uma questão de contraste. Na sua maior parte, a superfície de Ceres é muito escura. Segundo os pesquisadores, com refletividade similar à de asfalto fresco. Já os pontos brilhantes que salpicam sua superfície vão de tons de concreto até gelo oceânico.

Os pesquisadores se concentraram em duas dessas regiões com pontos claros — a famosa Occator e uma outra cratera mais ao norte, ainda sem nome. Ambas são bem parecidas, crateras com pontos claros em seu interior, mas Occator é um pouco mais brilhante.

Entra em cena então a espectroscopia, que analisa a “assinatura” de luz captada dessas regiões para identificar sua composição exata. E aí é que fica um pouco mais complicado. O espectro dos pontos brilhantes parece se encaixar melhor com a presença de sais hidratados — mais especificamente sulfatos de magnésio. Mas não dá para cravar ainda com toda certeza — há outros materiais, menos prováveis, como minerais argilosos pobres em ferro, que também poderiam se encaixar nas observações.

Seja qual for a composição exata desse material, uma coisa é certa: água esteve envolvida em sua formação.

E aí entra a segunda — e mais importante — das observações feitas pela Dawn. Observando Occator sob diversos ângulos e a várias horas do dia, os pesquisadores puderam observar a formação periódica de uma névoa por sobre a cratera. Ela se forma a partir do amanhecer, ganha sua maior intensidade ao “meio-dia” de Ceres (o planeta anão completa uma rotação a cada nove dias terrestres) e desaparece no fim do entardecer.


A vista de Occator no horizonte revela a névoa de vapor d’água sobre a cratera (Crédito: Nasa)

Essa correlação com a presença da luz solar indica evaporação de material na superfície — muito provavelmente água. A conclusão é corroborada por observações anteriores feitas pelo Observatório Espacial Herschel, da ESA (Agência Espacial Europeia), que detectaram vapor d’água emanando de Ceres da região que corresponde à cratera Occator.

A hipótese também é apoiada por cálculos que mostram que gelo de água seria instável na superfície de Ceres, evaporando com o tempo. Além disso, os modelos da estrutura interna do planeta anão já sugeriam que ele devia ter uma camada significativa de gelo de água sob a superfície.

Por fim, uma análise atenta da cratera Occator sugere que ela é relativamente jovem em termos geológicos — cerca de 78 milhões de anos.

Resumo da ópera. O que os cientistas acham que está acontecendo por lá? Um impacto de asteroide abre um buraco na crosta escura, empoeirada e seca de Ceres, expondo parte da camada de gelo de água salgada que existe sob a superfície. Exposto ao Sol, esse gelo vai gradualmente evaporando, produzindo a névoa observada. E aí, do mesmo jeito que, quando saímos do mar e a água seca, nós ficamos cheios de sal pelo corpo, o gelo evaporado deixa para trás os sais hidratados que, com toda probabilidade, são responsáveis pelos pontos brilhantes em Occator. “É o cenário mais simples”, dizem os pesquisadores liderados por Andreas Nathues, do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, na Alemanha, no artigo publicado na última edição da “Nature”.

Os pesquisadores acreditam que os outros pontos brilhantes espalhados por Ceres sejam edições mais antigas do fenômeno, por assim dizer, refletindo a existência de uma camada global de gelo de água sob a superfície do planeta anão.

O achado pode frustrar aqueles que esperavam uma descoberta ligada a vida extraterrestre, mas na verdade se trata de uma importante revelação. Que outros objetos você conhece que sofrem com a evaporação constante de gelo por conta da luz solar? É isso aí, os cometas!

Ceres, por sua vez, é membro do clube dos asteroides. Mas com esse comportamento de cometa, ele traz uma revelação importante sobre a formação do Sistema Solar. Em vez de compor duas populações muito distintas, asteroides e cometas seriam parentes próximos, com proporções variadas de gelo e rocha em sua composição.



FONTE: http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/

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