Pular para o conteúdo principal

Navegando ao sabor do vento solar


Concepção artística da LightSail-1 no espaço; veleiro solar será lançado na quarta-feira (20) (Crédito: Planetary Society)

POR SALVADOR NOGUEIRA
18/05/15 05:58

Nas Grandes Navegações, embarcações à vela eram conduzidas sem qualquer forma de propulsão própria, viajando ao sabor do vento, durante as longas travessias oceânicas. Agora, novas espaçonaves começam a se preparar para fazer a mesma coisa, só que no espaço — são os veleiros solares. Nesta quarta-feira (20), a ONG Planetary Society vai lançar ao espaço seu primeiro satélite do tipo, impulsionado apenas pelo suave sopro do vento solar.

Chamado de LightSail-1, ele se destaca por algumas características. A mais marcante é que, sendo um produto de uma instituição não-governamental, ele foi desenvolvido totalmente com recursos privados (mais de US$ 4 milhões foram investidos até agora). Em segundo lugar, ele também se beneficiou da recente miniaturização de sistemas para satélites. O LightSail-1 é um “cubesat” com 4 kg e 30 centímetros de comprimento — mais ou menos do tamanho de uma embalagem de pão de forma.

Contudo, assim que chegar ao espaço, pegando carona num foguete Atlas V (que, por sinal, terá como carga principal um daqueles mini-ônibus espaciais misteriosos da Força Aérea americana), o LightSail ficará enorme. Dele se abrirão quatro grandes velas solares triangulares, com área total de respeitáveis 32 metros quadrados (basicamente um quadrado de 5,6 metros de lado).

LUZ QUE EMPURRA
Um veleiro solar funciona usando a luz que vem do Sol como propulsão. Cada partícula de luz produz um empurrão muito suave nas superfícies que toca, e se a superfície for suficientemente grande, e a nave suficientemente leve, isso é o que basta para obter aceleração para viajar pelo espaço, uma vez que se vence o poderoso campo gravitacional da Terra.

É um empurrãozinho de nada, é verdade, mas a vantagem é que ele é sempre constante — o Sol não para nunca de brilhar. Combustível é desnecessário para acelerar o veículo. Então, imagine um empurrãozinho agindo durante meses e anos, aumentando gradualmente a velocidade da nave. Com habilidade e controle, é possível levá-la a qualquer parte do Sistema Solar (claro, tudo vai ficando mais difícil conforme se afasta do Sol, e o nível de luz diminui, mas ainda assim é teoricamente possível ir bem longe desse jeito).

Honestamente, os veleiros movidos a luz são hoje a única tecnologia conhecida que pode de fato realizar missões interestelares — ou seja, capazes de atravessar num tempo razoável a distância entre o Sol e as estrelas mais próximas. Alguns conceitos de missões (tripuladas e não-tripuladas) até as estrelas mais próximas com veleiros já chegaram a ser rascunhados (eles envolviam, além do veleiro em si, poderosos lasers espaciais para focar a luz sobre a vela quando ela já estivesse bem longe do Sol). Mas, claro, tudo isso ainda está muito longe de nossa capacidade de engenharia atual. De toda forma, são uma luz no fim do túnel no espinhoso problema do voo interestelar, e missões como a LightSail são um passo na direção certa para demonstrar conclusivamente o potencial dessa tecnologia.

Nesse lançamento inicial, os sistemas do veleiro serão testados, mas ainda não produzirão efetiva navegação por luz. Como o cubesat será colocado numa órbita baixa, o arrasto provocado pela atmosfera terrestre sobre a grande superfície das velas acabará fazendo com que ele volte para o chão em pouco tempo. A proposta nesse primeiro momento é testar a capacidade de abrir as velas no espaço e controlar a orientação do veículo. Se tudo correr bem, no ano que vem voa o LightSail-1 para valer, que usará suas velas para navegar por luz.

VELHA AMBIÇÃO
Construir um veleiro solar já está nos planos da Planetary Society há décadas. A organização fundada por Carl Sagan, Bruce Murray e Louis Friedman chegou a construir um, batizado de Cosmos-1, e tentar lançá-lo em 2005, mas o foguete russo Volna que iria colocá-la em órbita deu chabu. Com isso, a ONG perdeu a chance de ser a primeira organização a operar um veleiro no espaço. A honra recaiu sobre a Jaxa, agência espacial japonesa, com sua sonda Ikaros, que viajou na direção de Vênus e testou esse modo de propulsão de forma bem-sucedida em 2010.

O LightSail, por sua vez, herdou tecnologias desenvolvidas pelo projeto NanoSail-D, da Nasa, que chegou a colocar em órbita um veleiro “cubesat”, mas com velas menores (área de 10 metros quadrados).

O entusiasmo pela missão é inegável, não só pelas possibilidades abertas pela tecnologia de navegação por velas solares, mas também pelo nível de participação popular que a missão realizada por uma instituição privada permite. A Planetary Society criou uma campanha de arrecadação pelo site Kickstarter, com a meta inicial de recolher US$ 200 mil. Em poucos dias, o valor obtido já passou de US$ 500 mil e agora a ONG espera atingir US$ 1 milhão. É uma amostra eloquente de como a exploração espacial é popular e cativante.

FONTE: http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ovnis e estranhas criaturas próximos ao Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (RN)

Desde o ano de 2016 militares da Aeronáutica que trabalham na Barreira do Inferno já percebiam bolas de luzes alaranjadas como também feixes de luzes amarelados no céu noturno, bem próximo daquela região. Por desconhecerem totalmente a origem dessas luzes misteriosas e a finalidade delas, vários militares observavam intrigados e chegavam a comentar entre eles sobre esses fenômenos luminosos. Dias após a percepção dessas claridades no céu noturno, alguns militares começaram a perceber ao redor daquela localidade o aparecimento de criaturas vivas, de seres que não eram humanos. Um dos militares chegou a ver um "Urso Polar" e imediatamente comunicou a outros militares de plantão. Tal militar chegou a passar mal após a aparição de tal criatura. Já um outro militar flagrou uma outra criatura aparentando ser um "homem de grande porte" sair andando de dentro da água do mar. Outro militar relata que presenciou duas criaturas que de início pareciam apenas dois cachorros g…

Sintomas bizarros de “ataque sônico” estariam se espalhando por diplomatas americanos pelo mundo

Por: Rhett Jones

Por mais de um ano e meio, diplomatas norte-americanos sofreram de doenças parecidas, que incluíam danos cerebrais leves e perda de audição, depois de terem alegado ouvir sons incomuns. Os incidentes começaram em Cuba, mas os relatos agora se espalharam para outros países. À medida que as autoridades ampliaram os esforços para tratar os casos potenciais, quase 200 pessoas teriam se apresentado para serem examinadas.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos teve pouco a dizer sobre os incidentes que começaram em Havana, no fim de 2016, e o vácuo de informações abriu as portas para teorias da conspiração e outras alegações não checadas. Por ora, ninguém pode dizer com certeza o que está acontecendo nesses casos, mas parece que diplomatas norte-americanos estão sendo alvos de algum tipo de ataque que tem deixado os especialistas perplexos. No começo, os oficiais acreditavam que algum “dispositivo sônico” desconhecido estivesse sendo usado contra as vítimas, mas outra…

Fazendeiro grego encontra túmulo de 3.400 anos debaixo de suas oliveiras

Por: George Dvorsky

Um túmulo de 3.400 anos contendo dois caixões e dúzias de artefatos que remontam ao fim da era Minoica estava escondido debaixo do olival de um fazendeiro grego, no sudeste da ilha de Creta, na Grécia.

Como noticiado pelo Cretapost, o homem, que não teve seu nome revelado, estava tentando estacionar seu veículo debaixo da sombra de uma oliveira quando o solo debaixo dele começou a afundar. Depois de se afastar, o fazendeiro notou que um buraco medindo cerca de 1,2 metro de largura apareceu de repente. Quando ele olhou para o vazio abaixo, rapidamente percebeu que havia se deparado com algo importante.


O buraco. Imagem: Eforato de Antiguidades de Lasithi

O fazendeiro contatou o Eforato de Antiguidades de Lassithi — ministério de patrimônio local —, que enviou arqueólogos para investigar. Descobriram então que o fazendeiro havia se deparado com um túmulo da era Minoica contendo um par de caixões, cada um deles com um só esqueleto. Duas dúzias de vasos com ornamentos…