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O que são os 'nanovenenos' usados no suposto complô para matar Kim Jong-un


Líder da Coréia da Norte afirmou que a CIA tentou assassiná-lo utilizando nanossubstâncias venenosas

O governo norte-coreano acusou a Agência Central de Inteligência (CIA), dos Estados Unidos, de tentar assassinar o líder do país, Kim Jong-un, através do "uso de substâncias bioquímicas incluindo substância radioativa e nanossubstância venenosa".

A acusação veio através de texto divulgado pelo Ministério da Segurança do Estado da Coréia do Norte. Dias antes, o presidente do Estados Unidos, Donald Trump, havia elogiado Kim Jong-un, chamado-o de "muito inteligente".

De acordo com o Ministério norte-coreano, a agência americana teria armado um complô para matar Jong-un subornando um cidadão do país. Além do pagamento, teria sido dado a ele também transceptores via satélite e equipamentos necessários para realizar a missão. O texto afirma que, para a CIA, o uso de nanossubstâncias venenosas é o melhor método, já que não requer acesso ao alvo e os efeitos podem surtir dentro de apenas alguns meses.

As chamadas "nanossubstâncias venenosas" citadas por eles podem ter a ver com uma nova área da medicina que cada vez mais recebe atenção. A chamada nanotoxicologia é uma especialidade que visa entender o fator de risco presente em nanopartículas — moléculas com menos de 100 nanomêtros de diâmetro.

Entre os vários objetos de estudo, os nanotoxicólogos tentam compreender, principalmente, como as dimensões de uma partícula podem tornar substâncias relativamente comuns em possíveis venenos.

Isso ocorre porque, diferente de partículas de tamanho coumum, muitos materiais em escala nano são capazes de penetrar no corpo. Ao atingir algum órgão vital, essa substância pode reagir com células e outros componentes essenciais, causando sérios danos.

Estudos mostraram que algumas dessas partículas podem atrair uma coroa de proteínas ao seu redor, o que modifica sua interação celular. Já em outra pesquisa, descobriu-se que algumas delas consegue quebrar proteínas, o que pode levar a inflamações no tecido humano.

O caso dos protetores assassinos
Um caso comum envolvendo as questões da nanotoxicologia, por exemplo, foi a recente desconfiança em relação a alguns dos ingredientes do protetor solar. Na maioria das composições do produto, utiliza-se o óxido de zinco e o de titânio para ajudar na absorção de radiação ultravioleta.

Em tamanhos normais, essas partículas deixam aquele rastro branco sobre a pele. Depois de alguma pesquisa, os fabricantes do produto descobriram que se os óxidos fossem reduzidos ao nível nano, esse efeito colateral desaparecia.

O problema, porém, é que em níveis tão pequenos os cientistas desconfiam que os óxidos podem ultrapassar a barreira da pele e penetrar no organismo, causando efeitos nocivos à saúde. Pesquisas maiores revelaram que a maioria desses materiais não conseguia penetrar no sistema linfático humano, mas a desconfiança permanece para alguns, já que outro artigo mostrou como algumas células de nanóxido de zinco foram, sim, absorvidas pela epiderme.

Em outro estudo, foi revelado que o nanodióxido de titânio era nocivo ao meio ambiente, já que suas partículas danificam bactérias vitais ao ecossistema e ao tratamento de esgoto.

Na maioria das pesquisas, porém, a nanotecnologia tem sido vista como grande promessa para tratamentos médicos e inovações medicamentosas. Em testes feitos com ratos, cientistas introjetaram pequenas doses de Doxorrubicina — um agente comum usado para destruir células cancerígenas — em nanopartículas de silicone.

As bolinhas eram dadas aos animais e conseguiam destruir apenas o tumores presentes nos pulmões dos roedores. Pesquisas em humanos ainda precisam ser feitas, mas o caminho está sendo aberto.

Por ser um país fechado, é difícil comprovar a veracidade das acusações norte-coreanas. Mas para ver se os perigos (e benefícios) resultantes da nanotecnologia são reais, basta olhar em volta.

FONTE: REVISTA GALILEU

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