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ALMA descobre casulo estelar com química estranha


Esta concepção artística mostra as moléculas descobertas num núcleo molecular quente na Grande Nuvem de Magalhães, com o auxílio do ALMA. Este núcleo é o primeiro deste tipo a ser descoberto fora da Via Láctea e os seus compostos químicos são significativamente diferentes dos encontrados em objetos semelhantes situados na nossa Galáxia.
A figura foi composta a partir de material retirado das seguintes fontes: ESO/M. Kornmesser; NASA, ESA, e S. Beckwith (STScI) e a Equipa do HUDF; NASA/ESA e a Hubble Heritage Team (AURA/STScI)/HEI.
Crédito: FRIS/Universidade Tohoku

Com o auxílio do ALMA, uma equipa de astrônomos japoneses descobriu uma massa densa e quente de moléculas complexas a envolver uma estrela recém-nascida. Este núcleo molecular quente e único é o primeiro do seu tipo a ser detetado fora da Via Láctea e apresenta uma composição molecular muito diferente de objetos semelhantes encontrados na nossa Galáxia — uma pista que aponta para o facto da química que ocorre no Universo poder ser muito mais diversa do que o esperado.

Uma equipe de investigadores japoneses utilizou o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para observar uma estrela massiva conhecida por ST11 (o nome completo de ST11 é 2MASS J05264658-6848469. Esta jovem estrela de nome estranho está classificada como um "Objeto Estelar Jovem". Embora pareça atualmente uma única estrela, é possível que prove ser um enxame estelar compacto ou um sistema estelar múltiplo. Este objeto foi o alvo de estudo das observações da equipa científica e os resultados obtidos mostraram que ST11 se encontra rodeada por um núcleo molecular quente.), que se situa na nossa galáxia vizinha anã, a Grande Nuvem de Magalhães. Foi detectada radiação emitida por uma variedade de gases moleculares, o que indica que a equipa descobriu uma região concentrada de gás molecular denso relativamente quente em torno da estrela recém-nascida ST11. Esta é a primeira vez que se descobre um núcleo molecular quente fora da Via Láctea.

Takashi Shimonishi, astrónomo na Universidade de Tohoku, Japão, e autor principal do artigo científico que descreve estes resultados, reitera: "Esta é a primeira deteção de um núcleo molecular quente extragaláctico, o que demonstra a grande capacidade da nova geração de telescópios no estudo de fenómenos astroquímicos para além da Via Láctea."

As observações ALMA revelaram que este núcleo tem uma composição muito diferente de objetos semelhantes encontrados na Via Láctea. As assinaturas químicas mais proeminentes deste núcleo incluem moléculas familiares, tais como dióxido de enxofre, óxido nítrico e formaldeído — assim como a sempre presente poeira. No entanto, vários compostos orgânicos, incluindo metanol (a mais simples molécula do álcool), aparecem com uma abundância muito baixa neste núcleo molecular quente. Em contraste, núcleos semelhantes observados na Via Láctea apresentam uma grande variedade de moléculas orgânicas complexas, incluindo metanol e etanol.

Takashi Shimonishi explica: "As observações sugerem que as composições moleculares da matéria que forma as estrelas e os planetas são muito mais diversas do que esperávamos."

A Grande Nuvem de Magalhães tem uma baixa abundância de elementos, para além do hidrogênio e do hélio. A equipe de investigação sugere que este meio galáctico muito diferente afeta os processos de formação de moléculas que ocorrem em torno da estrela recém-nascida ST11, o que pode explicar as diferenças nas composições químicas observadas.

Não é ainda claro se as moléculas grandes e complexas detetadas na Via Láctea existem também em núcleos moleculares quentes noutras galáxias. As moléculas orgânicas complexas têm especial interesse pois algumas delas estão ligadas a moléculas pré-bióticas que se formam no espaço. Este objeto recém-descoberto numa das galáxias mais próximas de nós é um alvo excelente para estudar este tópico e levanta também outra questão: poderá a diversidade química nas galáxias afetar o desenvolvimento de vida extragaláctica?


Esta figura mostra observações do primeiro núcleo quente descoberto fora da Via Láctea, com o auxílio do ALMA, e uma imagem da região do céu no infravermelho.
À esquerda: Distribuições de riscas de emissão molecular do núcleo molecular quente da Grande Nuvem de Magalhães, observadas com o ALMA. Como exemplo mostramos emissões da poeira, do dióxido de enxofre (SO2), do óxido nítrico (NO) e do formaldeído (H2CO).
À direita: Uma imagem infravermelha da região de formação estelar envolvente (baseada em dados do Telescópio Espacial Spitzer da NASA).
Crédito: T. Shimonishi/Tohoku University, ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)


FONTE: http://www.ccvalg.pt/

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