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Planeta anão Haumea tem anel

Concepção artística de Haumea e seu anel, com proporções corretas para o corpo principal e o anel. O anel está localizado a uma distância de 2.287 km em relação ao centro do corpo principal elipsoidal e é mais escuro do que a superfície de Haumea.[Imagem: IAA-CSIC/UHU]

Haumea

Trabalhando em conjunto com uma equipe internacional, um grupo de astrônomos brasileiros descobriu a existência de um anel, similar aos anéis de Saturno, em um planeta anão vizinho de Plutão.

O anel circunda Haumea, um dos planetas anões próximos a Plutão. A 43,3 unidades astronômicas do Sol - mais de 43 vezes a distância da Terra ao Sol - o planeta anão está localizado no que os astrônomos chamam de Cinturão de Kuiper.

Situado após a órbita de Netuno, o cinturão é composto por objetos pequenos e frios, entre os quais se destacam quatro planetas anões: Plutão, Haumea, Makemake e Eris. Esses objetos são difíceis de estudar porque são pequenos, brilham pouco e, devido às enormes distâncias, são difíceis de visualizar mesmo com telescópios potentes.

Descoberto em dezembro de 2004, só em 2008 é que se confirmou tratar-se de um planeta anão, quando então Haumea recebeu seu nome, em homenagem à deusa havaiana do nascimento e da fertilidade.

O anel se encontra no plano equatorial do planeta anão, da mesma forma que seu maior satélite Hi'iaka, e está em ressonância de 3 por 1 em relação à rotação de Haumea - o que significa que as partículas geladas que compõem o anel completam uma volta em torno do planeta enquanto este gira três vezes em torno do seu eixo.

A descoberta resultou de um trabalho conjunto liderado pelo astrônomo espanhol Jose Luis Ortiz, do Instituto de Astrofísica de Andaluzia (IAA-CSIC), com a participação de astrônomos e alunos brasileiros do Observatório Nacional, do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTF-PR), filiados ao Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (Linea).

Planeta anão com anel

A descoberta do anel foi uma surpresa para os astrônomos.

"É a primeira vez que um anel é descoberto em torno de um objeto transnetuniano, o que mostra que a presença de anéis pode ser mais comum do que se pensava anteriormente, tanto em nosso Sistema Solar como em outros sistemas planetários. Existem várias explicações possíveis para a formação do anel. Ele pode ter-se originado de uma colisão com outro objeto, ou pela liberação de parte do material superficial devido à rápida rotação de Haumea," disse Ortiz.

"Há apenas alguns anos, só conhecíamos a existência de anéis em torno dos planetas gigantes e, há muito pouco tempo, o mesmo grupo descobriu também que dois pequenos corpos, Chariklo e Chiron, situados entre Júpiter e Netuno, pertencentes a família de objetos denominados Centauro, têm anéis densos, o que foi uma grande surpresa. Agora descobrimos que corpos mais distantes que os Centauros, maiores e com características muito diferentes, também podem ter aneis," completou o astrofísico espanhol Pablo Santos-Sanz, coautor do estudo.

Como o próprio nome indica, os objetos transnetunianos estão em órbita do Sol além da órbita de Netuno, a uma distância de bilhões de quilômetros. O telescópio espacial Herschel observou 132 deles, incluindo Haumea, o objeto grande em forma de ovo à esquerda. Nesta ilustração, a cor branca indica um albedo elevado. [Imagem: ESA/Herschel/PACS/SPIRE]

Eclipse estelar

O método de observação usado pelos astrônomos consiste em estudar as ocultações estelares, que é quando esses objetos passam à frente de uma estrela, como um pequeno eclipse. Com o método foi possível determinar as principais características de Haumea, como tamanho, forma e densidade, além do anel.

Os dados coletados mostraram ainda que Haumea mede 2.320 quilômetros no seu maior lado, quase igual ao diâmetro de Plutão, mas que, ao contrário do que ocorre com o planeta vizinho, não possui uma atmosfera global.

"Graças a estas observações foi possível reconstruir com grande precisão a forma e o tamanho do planeta anão Haumea e descobrir, para nossa surpresa, que ele é consideravelmente maior e reflete menos luz em comparação com o que acreditávamos anteriormente. Ele é também muito menos denso do que pensávamos, o que respondeu a questões que estavam pendentes sobre esse objeto," disse Jose Ortiz.

"Os próximos passos são continuar observando esse objeto, fazer modelos e simulações sobre esse anel, ver como esse anel pode ou não evoluir, tentar entender do que ele é formado e qual a influência da rotação do Haumea, que é muito elevada, para a formação desse anel," disse Felipe Braga Ribas, da UTF-PR.

FONTE: SITE INOVAÇÃO TECNOLOGICA

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