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Na semana da criança, resgate da memória do Planetário de Brasília; conheça as histórias


Fachada do Planetário de Brasília (Foto: Marília Marques/G1)

Por Marília Marques, G1 DF

Inaugurado em 1974, local faz parte das memórias de infância de muitos brasilienses. Mais de 40 anos depois, cúpula para projeção ganhou adaptação digital; tecnologia aproxima visitantes de segredos do Universo.

Na semana em que se comemora o Dia da Criança – celebrado nesta quinta (12) –, o G1 resgatou a história de brasilienses que têm as memórias de infância associadas às visitas ao Planetário de Brasília. Devido à data, a programação do Planetário neste mês está voltada para esses adultos, que querem reviver as lembranças da época, e para as crianças curiosas em descobrir os segredos escondidos no céu.

Localizado no Eixo Monumental, entre a Torre de TV e o Centro de Convenções, o espaço que alia educação, ciência e lazer foi inaugurado em 1974. Em Brasília, o Planetário permaneceu 16 anos fechado ao público e só foi reinaugurado em 2013.

Passados 40 anos da primeira inauguração, as novidades tecnológicas e a nostalgia despertada pela visita à sala de projeção fazem do Planetário um espaço visitado por cerca de 120 mil pessoas por ano, entre adultos e crianças.

A bacharel em Direito Elaine Porto, 33 anos, fez a primeira visita aos 10 anos, levada por uma excursão da escola. As lembranças são um misto de realidade e ficção criado pelo imaginário infantil.

“Lembro que entrei na cúpula e assisti a uma projeção. As cadeiras eram bem reclináveis, eu via muitas estrelas e por isso eu imaginei que tinha um telescópio, de verdade.”

A partir da primeira visita, a curiosidade pelo céu só aumentou. Filha de um pai pescador, a brasiliense conta que sempre se sentiu atraída pelas estrelas e, inclusive, as desenhava. “Ficava imaginando nuvens e constelações”.


Elaine Porto (em frente) acompanha visita de estudantes ao Planetário (Foto: Arquivo pessoal)

Já adulta e mãe de uma menina de 12 anos – igualmente apaixonada por astros e estrelas –, Elaine fez do amor ao céu uma profissão. Ela é supervisora do Planetário de Brasília e viu a evolução do espaço com o olhar de criança, mãe e funcionária.

“Desde então, presenciei a evolução do Planetário como um espaço de educação não formal. Um espaço de interdisciplinaridade ligado à formação de um ser humano completo.”


Foto do Planetário de Brasília, tirada em 1974, ano da inauguração (Foto: Arquivo Público)

Sonho de astronauta

Assim como tantas outras crianças da época, a então menina de 10 anos, Liliane Cristine Neves, sonhava em ser astronauta. Na primeira visita ao Planetário, também levada pela escola, ela conta sobre as emoções em descobrir um “mundo novo”. “Eu cabia inteira deitada na cadeira de observação da cúpula”.

“Nesse dia cheguei em casa contando que só o Planetário sabia fazer ‘ficar de noite’ a hora que ele quisesse. Eu via todas as estrelas e foi maravilhoso.”

Mais de 20 anos após a primeira “experiência no espaço”, o sonho de ser astronauta não se concretizou – ainda –, mas Liliane se tornou monitora dos visitantes do Planetário. A brasiliense se especializou em explicar, de forma fácil, os detalhes sobre estrelas, a diferença entre planetas densos e gasosos e a composição de cada constelação que pode ser vista no céu de Brasília.

“Depois de vir trabalhar aqui, eu aprendi o tanto de fascinação e mistério que o nosso planeta oferece. E mostrar isso é importante para que as crianças vejam a necessidade de preservá-lo.”


Filme exibido na tela 360 graus, na cúpula do Planetário (Foto: Tony Winston/Agência Brasília)

Curiosidades

Inaugurado em março de 1974, o Planetário de Brasília foi projetado para exercer funções turísticas, educativas e pedagógicas no DF. A estrutura remete à imagem de um disco voador pousado sobre o gramado do Eixo Monumental.

Ele foi desenhado pelo arquiteto Sérgio Bernardes, com a ideia de unir o céu e o mar. O prédio tem 3 mil metros quadrados de área construída e, a princípio, teria 16 aquários para ocupar o piso superior do prédio – o que nunca ocorreu.

No subsolo, funcionariam tanques para armazenar os peixes, mas, durante as fases de testes, as estruturas que segurariam as lâminas de vidro não suportaram a força da água e, por isso, ocorreram vazamentos.

A proposta do local que seria o “pedacinho de mar em Brasília” é, hoje, um túnel de vidro que dá acesso à sala de exposições.


SpaceMaster, equipamento analógico do Planetário, que mostra Via Láctea e Sistema Solar (Foto: Tony Winston/Agência Brasília)

Tecnologia

Com capacidade para 80 pessoas por sessão, o Planetário de Brasília tem uma cúpula de 12,5 metros de diâmetro. A projeção no teto é produzida por dois equipamentos: o analógico Space Master e o digital Power Dome VIII – ambos, de fabricação alemã.


Visitantes no saguão do Planetário de Brasília (Foto: Agência Brasília)

Programação para Semana da Criança

O Planetário está com uma programação especial de 12 a 15 de outubro em homenagem ao Dia das Crianças. Além das tradicionais sessões de cinema na cúpula, estão previstas oficinas de pintura de rosto, geleia cósmica, carrinho foguete, percussão e foguetes feitos com garrafas pet.
Quatro filmes serão exibidos nos quatro dias de programação. A lista inclui “O segredo do foguete de papelão” e “Dois pedacinhos de vidro”.
A programação completa está disponível no site.

Serviço

O Planetário de Brasília funciona de 8h às 20h. A partir da abertura, a bilheteria distribui os ingressos para todas as sessões do dia. A entrada é gratuita. O sugerido é o visitante levar dois quilos de alimento não perecível, exceto sal.

FONTE: G1.COM

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