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Explosões nucleares da Guerra Fria impactaram tremendamente o clima espacial



A Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética durou cerca de 45 anos. Embora nenhuma das superpotências tenha usado as bombas no solo da outra, os testes de bombas em grandes altitudes causaram uma perturbação na atmosfera da Terra. Apesar de o conflito ter acabado há muito tempo, informações recentemente tornadas públicas sugerem que ele possa ter impactado o clima espacial de maneiras nunca antes esperadas.

De acordo com um novo estudo publicado na Space Science Reviews, os testes nucleares em grandes altitudes conduzidos tanto por União Soviética quanto Estados Unidos criaram “cinturões de radiação artificial” próximos à Terra. Nosso planeta é naturalmente cercado por cinturões de radiação Van Allen — zonas de partículas altamente carregadas. Mas a energia de explosões nucleares criou regiões quentes e eletricamente carregadas dentro da atmosfera, que induziram perturbações geomagnéticas e até mesmo produziram cinturões de radiação próprios. Como você pode imaginar, os resultados não foram tão ótimos — de acordo com os autores do estudo, isso resultou em “danos enormes a vários satélites” que orbitavam a Terra em uma altitude relativamente alta.

A radiação e as partículas de alta energia do Sol frequentemente interagem com o campo geomagnético da Terra, em um fenômeno conhecido como clima espacial. Quando partículas de alta energia suficientes caem sobre a magnetosfera, ela pode danificar severamente satélites de comunicação e até redes de energia elétrica na Terra. Mas a radiação de explosões nucleares na década de 1960 é um exemplo extremo de como os humanos podem também ferrar com o nosso campo geomagnético, o que é interessante de se saber, mas também aterrorizante.

Sério, quem imaginaria que missões com nomes como Argus, Teak e Starfish teriam esse tipo de impacto? A radiação liberada da Argus sozinha causou uma agitação de tempestades geomagnéticas sobre a Suécia e o estado do Arizona, de acordo com esse novo estudo.

“Os testes foram um exemplo extremo, gerado por humanos, de alguns dos efeitos no clima espacial frequentemente causados pelo Sol”, o coautor do estudo Phil Erickson, diretor-assistente do Observatório Haystack, do MIT, contou à NASA. “Se entendermos o que aconteceu em um evento de certa forma controlado e extremo que foi causado por um desses eventos feitos pelo homem, podemos entender mais facilmente a variação natural no ambiente espacial próximo.”

Entendendo como as perturbações geomagnéticas causadas por humanos impactam nossa atmosfera, as agências espaciais esperam entender melhor como proteger astronautas dos impactos do clima espacial na Órbita Terrestre Baixa também. Talvez estudar o clima espacial artificial possa até mesmo jogar alguma luz sobre como uma futura tempestade solar monstruosa vai impactar nossas redes elétricas e nossa tecnologia.

Além disso, com alguma sorte, talvez consigamos dar uma diminuída nas bombas nucleares aqui embaixo, na superfície terrestre.



FONTE: GIZMODO BRASIL

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