Pular para o conteúdo principal

Rochas "saltitantes" e colapsos de penhascos no Cometa 67P/C-G


Exemplo de um pedregulho movendo-se pela superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, capturado em imagens da câmara OSIRIS da Rosetta.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipe OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA

Cientistas que analisam o tesouro de imagens obtidas pela missão da Rosetta da ESA descobriram mais evidências de curiosas rochas "saltitantes" e quedas dramáticas de penhascos.

A Rosetta operou no Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko entre agosto de 2014 e setembro de 2016, recolhendo dados sobre o ambiente de poeira, gás e plasma do cometa, sobre as suas características de superfície e sobre a sua estrutura interior.

Como parte da análise de cerca de 76.000 imagens de alta resolução capturadas com a sua câmara OSIRIS, os cientistas têm procurado mudanças na superfície. Em particular, estão interessados em comparar o período da maior aproximação do cometa ao Sol - conhecido como periélio - com aquele após esta fase mais ativa, para entender melhor os processos que impulsionam a evolução da superfície.

Por todo o cometa existem detritos soltos, mas algumas vezes os pedregulhos são fotografados no ato de serem lançados para o espaço, ou de rolar pela superfície. Um novo exemplo de uma rocha saltitante foi recentemente identificado na região lisa do pescoço que liga os dois lóbulos do cometa, uma área que passou por muitas mudanças visíveis de superfície em larga escala ao longo da missão. Lá, uma rocha com mais ou menos 10 metros aparentemente caiu do penhasco próximo e saltou várias vezes pela superfície sem quebrar, deixando "pegadas" no material superficial pouco consolidado.

"Nós pensamos que caiu do penhasco de 50 metros nas proximidades e é o maior fragmento deste deslizamento de terra, com uma massa de cerca de 230 toneladas," disse Jean-Baptist Vincent do Instituto DLR para Pesquisa Planetária, que apresentou os resultados na conferência EPSC-DPS em Genebra.

"Entre maio e dezembro de 2015 aconteceram tantas coisas neste cometa, quando estava mais ativo, mas infelizmente por causa desta atividade tivemos que manter a Rosetta a uma distância segura. Como tal, não temos uma visão suficientemente próxima para discernir com resolução suficiente as superfícies iluminadas e assim identificar exatamente a localização 'anterior' da pedra."

O estudo de movimentos de rochas como estas, em diferentes partes do cometa, ajuda a determinar as propriedades mecânicas do material em queda e do terreno da superfície em que pousa. O material do cometa é, de modo geral, muito fraco em comparação com o gelo e com as rochas a que estamos habituados cá na Terra: os pedregulhos do Cometa 67P/C-G são cerca de cem vezes mais fracos do que a neve recém-compactada.

Outro tipo de mudança também foi testemunhado em vários locais em redor do cometa: o colapso de faces de penhascos ao longo de linhas de fraqueza, como a dramática captura da queda de um segmento de 70 metros no desfiladeiro Aswan, observada em julho de 2015. Mas Ramy El-Maarry e Graham Driver de Birbeck, Universidade de Londres, podem ter encontrado um evento de colapso ainda maior, ligado a uma explosão brilhante vista no dia 12 de setembro de 2015 ao longo da divisão do hemisfério norte-sul.

"Este parece ser um dos maiores colapsos de penhascos que vimos no cometa durante a vida da Rosetta, com o colapso de uma área com cerca de 2000 metros quadrados," disse Ramy, que também falou na conferência.

Durante a passagem pelo periélio, o hemisfério sul do cometa foi submetido a altos fluxos solares, resultando num aumento dos níveis de atividade e numa erosão mais intensa do que em outras partes do cometa.

"A inspeção das imagens 'antes e depois' permitem-nos verificar que a escarpa estava intacta até pelo menos maio de 2015, pois ainda temos imagens de resolução suficientemente alta dessa região para a ver," explicou Graham, estudante que trabalha com Ramy para investigar o vasto arquivo de imagens de Rosetta.

"Esta região particularmente ativa aumenta a probabilidade de o evento de colapso estar vinculado à explosão ocorrida em setembro de 2015."

A observação detalhada dos detritos em torno da região colapsada sugere que aconteceram aqui no passado outros grandes eventos de erosão. Ramy e Graham descobriram que os detritos incluem blocos que variam até algumas dezenas de metros em tamanho, substancialmente maiores do que a população de rochas após o colapso do desfiladeiro Aswan, que é composto principalmente por rochas com alguns metros de diâmetro.

"Esta variabilidade na distribuição de tamanho dos detritos caídos sugere diferenças na força dos materiais dos materiais em camadas do cometa e/ou nos mecanismos variados de colapso do penhasco," acrescentou Ramy.

O estudo de mudanças no cometa, como estas, não fornecem apenas uma visão da natureza dinâmica destes corpos pequenos em escalas de tempo curtas, mas o colapso de um penhasco a maior escala fornece informações sobre a estrutura interna do cometa, ajudando-nos a juntar o puzzle da evolução do cometa em escalas de tempo mais longas.

"Os dados da Rosetta continuam a surpreender-nos e é maravilhoso que a próxima geração de estudantes já esteja a fazer descobertas emocionantes," acrescentou Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta da ESA.


Exemplo de um pedregulho movendo-se pela superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, capturado em imagens da câmara OSIRIS da Rosetta. A imagem da esquerda fornece uma visão de referência do cometa, juntamente com uma ampliação da região em estudo. As inserções mais pequenas à direita mostram o antes e o depois da região que alberga a rocha saltitante, capturadas nos dias 15 de março de 2015 e 19 de junho de 2016, respetivamente. A rocha deixou impressões no rególito suave que cobre a superfície do cometa enquanto saltava até parar. Pensa-se que tenha caído de um desfiladeiro próximo com 50 metros de altura. O gráfico em baixo ilustra o percurso da rocha enquanto saltava à superfície, com medições preliminares calculadas das "crateras".
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA; análise - J-B. Vincent et al. (2019)


No dia 12 de setembro de 2015 teve lugar um evento explosivo no Cometa 67P/churymov-Gerasimenko e pensa-se estar associado com um dos mais dramáticos colapsos de penhascos capturados durante a vida da missão Rosetta.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA


"Antes e depois" do colapso de um penhasco no Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Nos paineis superiores as setas amarelas mostram a localização da escarpa no limite entre o hemisfério norte iluminado e o hemisfério sul não iluminado do pequeno lóbulo antes e depois do evento (setembro de 2014 e junho de 2016, respetivamente). Os painéis em baixo mostram ampliações dos painéis em cima; a seta azul aponta para a escarpa que parece ter colapsado na imagem depois do evento. Os pedregulhos 1 e 2 estão marcados por motivos de orientação.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipe OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA

FONTE: ASTRONOMIA ONLINE

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mémorias da Ufologia: Caso SANTA ISABEL

FOTOS DO LAUDO

Na localidade de Santa Izabel(SP) em junho de 1999, a Sra. Alzira Maria de Jesus foi encontrada morta na sua cama, e por volta das 8 hs da manhã sua nora percebe o fato e sai imediatamente para ir ao orelhão e ligar para o seu marido e espera à ajuda e , ao chegar de volta em casa quase 40 min.depois a nora vê o corpo da sra. com o rosto totalmente desfigurado e praticamente sem carne; foi feito o boletim de ocorrência na delegacia da cidade sob n°145/99 em 24 de Junho. Posteriormente confirmou-se que à causa da morte foi a parada respiratória, mas o que aconteceu realmente como rosto desta sra. num espaço menor de uma hora?O laudo é cita sobre as configurações do mesmo, inclusive nas cavidades oculares, mas o que teria causado à perda do rosto ficou indeterminada. Mais estranho ainda é que na noite anterior aos fatos foram vistas bolas de luz voando nessa região rural e no início da madrugada os animais,como cachorros,gansos,e outros começaram à fazer um intenso barulh…

Ovnis e estranhas criaturas próximos ao Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (RN)

Desde o ano de 2016 militares da Aeronáutica que trabalham na Barreira do Inferno já percebiam bolas de luzes alaranjadas como também feixes de luzes amarelados no céu noturno, bem próximo daquela região. Por desconhecerem totalmente a origem dessas luzes misteriosas e a finalidade delas, vários militares observavam intrigados e chegavam a comentar entre eles sobre esses fenômenos luminosos. Dias após a percepção dessas claridades no céu noturno, alguns militares começaram a perceber ao redor daquela localidade o aparecimento de criaturas vivas, de seres que não eram humanos. Um dos militares chegou a ver um "Urso Polar" e imediatamente comunicou a outros militares de plantão. Tal militar chegou a passar mal após a aparição de tal criatura. Já um outro militar flagrou uma outra criatura aparentando ser um "homem de grande porte" sair andando de dentro da água do mar. Outro militar relata que presenciou duas criaturas que de início pareciam apenas dois cachorros g…

A noite em que Lavras (MG) parou para ver um UFO

Serra da Bocaina no município de Lavras (MG)

Na noite de 1º de junho de 1969, um UFO sobrevoou a cidade de Lavras, região Sul do estado de Minas Gerais, sendo observado por centenas de pessoas. O fotógrafo amador e médico Dr. Rêmulo Tourino Furtini tirou diversas fotografias do estranho objeto, que chegou a fazer um pouso em um pasto existente na época. O sargento Inocêncio França do Tiro de Guerra local e vários atiradores comprovaram o pouso, constatado tecnicamente após o ocorrido. Na época, o caso foi notícia na mídia de todo o país, despertando o interesse da Nasa e até mesmo do extinto bloco soviético.


Ufo é fotografado na madrugada

Naquela fria madrugada de 1º de junho de 1969 algumas pessoas encontram-se nas ruas, já que no tradicional Clube de Lavras estava acontecendo um dos seus famosos bailes. Alguns bares encontravam-se abertos e alguns bêbados ziguezagueavam por aquelas ruas tranquilas.

Era uma noite comum de inverno, como tantas outras em uma cidade interiorana, quando…