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Como futuristas de um século atrás previram a medicina à distância



A década de 1920 foi uma época de avanços incríveis nas áreas de comunicações e tecnologia. O rádio finalmente foi utilizado como um meio de difusão de informação, os primeiros filmes sonoros estavam transformando a indústria cinematográfica, e inventores testavam os primeiros protótipos de televisores.

As pessoas da época reconheciam que mudanças grandes estavam por vir, e ninguém desfrutou em adivinhar quais mudanças essas seriam mais do que Hugo Gernsback. Ele era um pioneiro tanto na área radiofônica quanto editorial, sempre testando os limites do que o público poderia esperar do futuro tecnológico.

Em 1905, apenas um ano depois de emigrar da Alemanha para os EUA aos vinte anos, Gernsback desenvolveu o primeiro kit de rádio caseiro e começou o primeiro serviço de vendas por correspondência de rádios do mundo. O rádio se chamava Telimco Wireless e era divulgado em revistas como a Scientific American por um valor de US$ 7,50 (mais ou menos US$ 180 hoje).

Em 1908, Gernsback lançou a primeira revista sobre rádios do mundo, a Modern Electronics. Distribuída pela American News Company, a revista foi um enorme sucesso e foi tida como lucrativa desde a sua primeira edição. Em 1909, ele abriu sua primeira loja física em Nova York, complementando suas vendas por correspondência vendendo partes de rádios para operadores de rádio amadores da cidade.

Em 1913, Gernsback começou a publicar outra revista chamada Electrical Experimenter, que em 1920 ficou conhecida como Science and Invention. Na sua edição de fevereiro de 1925, Gernsback escreveu uma matéria que combinaria o seu fascínio com o futuro da radiocomunicação e a invenção de um dispositivo em 1975 que, até hoje, não vemos como tendo uma forma prática e doméstica.

O dispositivo de Gernsback foi apelidado de “teledactyl” e permitiria que médicos não só enxergassem seus pacientes por uma tela, como também tocar neles mesmo a quilômetros de distância usando braços robóticos. Ele efetivamente previu a telemedicina, por mais que tenha sido de uma forma mais estranha da tecnologia que foi implementada em 2012.

Da edição de feveiro de 1925 da Science and Invention:

O Teledactyl (do grego tele, longe; dactyl, dedo) é um instrumento do futuro que nos permitirá “sentir de longe”. Essa ideia não é nada impossível, sendo que o instrumento pode ser construído nos dias de hoje com os recursos disponíveis. Ele é simplesmente o conhecido teleautógrafo traduzido em termos radiofônicos com algumas melhorias.

O médico do futuro, por meio do seu instrumento, poderá sentir o seu paciente, mesmo que esteja distante. O médico manipula seus controles, que então são manipulados no quarto do paciente da mesma forma. O médico enxerga o que está acontecendo no quarto do paciente utilizado uma tela de televisão.


De uma forma impressionante, o teledactyl foi imaginado como um dispositivo de feedback sensorial que permite que o médico manipule seus instrumentos de longe, mas que também sinta resistência.

Aqui vemos o médico do futuro trabalhando, sentindo o braço do seu paciente que está distante. Cada movimento que o médico faz com os controles é duplicado por rádio à distância. Quando o teledactyl do paciente encontra resistência, o controle do médico também sente. Os controles distantes são sensíveis a som e calor, fatores importantes para fazer um diagnóstico.

Aqui Gernsback aponta suas previsões sobre a telemedicina:

À medida que a nossa civilização progride, acreditamos que seja mais e mais necessário agirmos à distância. Em vez de visitarmos nossos amigos, agora ligamos para eles. Em vez de irmos a um concerto, ouvimos o mesmo pelo rádio. Logo, por meio da televisão, poderemos ficar em casa e assistir a uma performance teatral, ouvindo e vendo-a.

Isso, porém, está longe de ser o suficiente. Enquanto progredimos, percebemos que nossos deveres se multiplicam, e que é cada vez menos necessário nos transportarmos fisicamente para transacionarmos negócios, nos divertimos e assim por diante.

Daqui a cinquenta anos, o médico ocupado não conseguirá visitar seus pacientes da forma que faz hoje. Demora muito tempo e ele só consegue atender um número limitado de pacientes por dia. Enquanto os serviços de um médico são tão importantes que ele nunca deveria ter que sair do seu consultório, ao mesmo tempo, os seus pacientes nem sempre conseguem ir até ele. É aqui que o teledactyl e o diagnóstico por rádio entram em cena.

Não era só a área da medicina que seria revolucionada por esse novo aparelho. Outras utilidades práticas permitiriam enxergar e assinar documentos importantes à distância:



Aqui vemos o homem do futuro assinando um cheque ou documento à distância. Ao mover o controle, este reproduz os mesmos movimentos como se estivesse assinando o documento fisicamente. Ele enxerga o que está fazendo por meio de um rádio televisivo em sua frente. O banco ou o outro responsável segura o documento em frente a um teledactyl receptor, que então é conectado a uma caneta ou outro instrumento de escrita. Desta forma, o documento é assinado.

Este diagrama também explica como o teledactyl funcionava:



Curiosamente, veríamos essa ideia da telemedicina surgir novamente na década de 1990 em vídeos conceituais das operadoras de telefonia AT&T e Pacific Bell.

Um ano após a publicação da matéria mencionada anteriormente, Gernsback começou a publicar Amazing Stories, a primeira revista dedicada integralmente à ficção científica. Gernsback publicou diversas revistas ao longo de sua vida, mas eu diria que nenhuma delas era tão repleta de conteúdo tão rico e futurista quanto a Science and Invention.

Tradução por Mariana Siqueira.

FONTE: GIZMODO BRASIL

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