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Apaixonado por astronomia mantém observatório particular no centro de Botucatu SP



A paixão do professor de física Júnior Martini não é das mais comuns. Desde os 9 anos de idade, Martini é aficionado por astronomia. “Minha mãe era professora e me dava muitos livros de ciências pra ler. Então, fui pegando o gosto pelos planetas, pelo universo e com 9 anos ganhei minha primeira luneta. É claro que era um equipamento pequeno, não dava para ver muita coisa, mas foi com ela que tudo começou”, disse ele em entrevista exclusiva ao Acontece Botucatu.

Aos poucos os pais foram incentivando o jovem curioso. “Eu lia muito sobre Galileu e descobri que ele conseguiu ver os satélites de Júpiter. Aí, eu queria ver os satélites de Júpiter. Depois queria ver Júpiter, as crateras da Lua, os anéis de Saturno, e assim foi”.

Hoje Júnior se considera um astrônomo amador, mas a única diferença de um profissional, é que ele não recebe nada pelo que faz. Vive como professor do Estado, dando aulas na escola CEEJA. Formado em física pela USP de São Carlos, em 2001 investiu em um grande telescópio potente. Na época, um equipamento de ponta. “Eu tinha uma chácara em Botucatu e lá construí um pequeno observatório. Depois, tive que vender a chácara e montei tudo isso aqui em casa”, disse ele no observatório que mantém dentro de casa, no centro de Botucatu.





Para chegar ao telescópio é preciso passar pela sala da casa e subir uma escada improvisada que leva e um pequeno sótão, onde fica o equipamento, alguns tripés e um computador onde são gravadas as imagens capturadas pelas potentes lentes telescópicas e uma câmera especial para telescópios. O teto de metal tem corrediças que permitem que ele abra totalmente. “Aqui não é o ideal, porque tem muitas luzes na cidade e isso atrapalha um pouco. Quanto mais escuro for, melhor fica para ver os astros”, explicou Martini.

Júnior mantém anotações em um caderno espiral sobre as observações que faz das constelações e planetas desde 2001. “Uma das constatações mais importantes que já fiz foi a aparição de uma “nova”, a Nova Delphinus . Uma nova é uma estrela que cresceu tanto de tamanho que expulsou as camadas externas e se tornou brilhante. E eu tinha visto esta estrela sem o brilho e também depois desse fenômeno”, contou.

Projeto futuro

Júnior já fotografou cometas, brilhos diferentes na superfície da Lua, planetas, asteroides e muitos outros astros. A qualidade das fotos é impressionante. Como o observatório, que leva o nome de Sagitário, funciona na casa do astrônomo, não é possível receber grandes grupos, apenas convidados e interessados no assunto.

Mas em longo prazo, Martini tem o objetivo de ampliar o trabalho. “Eu pretendo montar um centro para divulgar a astronomia de uma forma diferente. Atender as escolas durante a semana e o público em geral aos fins de semana. Além do observatório quero fazer um planetário também, porque quando o céu esta fechado dá pra usar o planetário, que projeta todo o céu dentro o ambiente”, planeja.


Arquivo pessoal/JR Martini

O problema é que o custo de um projeto desses é alto, principalmente para um astrônomo amador, que faz o trabalho pela paixão de observar o universo. Júnior estima que o custo total para implantação do centro fique em torno de R$ 200 mil a R$ 300 mil, sem contar a área, que teria que ser afastada do centro da cidade.

Vida extraterreste


Arquivo pessoal/JR Martini

É claro que passando horas e horas observando o espaço sideral, não tem como deixar de pensar se há alguém além de nós no universo. Lógico que Júnior não espera ver algum sinal de vida pelo telescópio, porque a ampliação não é suficiente. Para se ter uma ideia, as crateras da Lua, que ficam visíveis nas fotos tem quilômetros de diâmetro, mas ele acredita sim que não estamos sozinhos. “Vida fora da terra com certeza existe. Não sabemos se são seres inteligentes como nós, mas não tenho dúvida de que possa haver uma civilização em algum lugar do universo”, disse Martini.

Júnior recebe pequenos grupos com horário agendado e mantém uma fanpage no Facebook. Você pode acessar pelo link www.facebook.com/ObservatorioSagitario.



FONTE: http://acontecebotucatu.com.br/

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