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Conheça o aposentado que já fez mais de 2 mil telescópios


Desde 1954, o o quase anônimo inventor se dedica à construção de equipamentos astronômicos

Quando abre o portão de sua oficina, Bernardo Riedel tem as mãos ainda molhadas. Acabara de consertar uma parte do encanamento que estourou no galpão onde fabrica telescópios no bairro do Horto, em Belo Horizonte.



Aos 74 anos, tem aparência frágil, mas está longe de precisar de descanso. Chega todos os dias ao trabalho por volta de 8 horas da manhã e, caso o céu esteja convidativo para observações, pode estender o expediente pela madrugada. “Minha mente não para, não posso parar de criar”, afirma. Em 1954, ao apaixonar-se pelos mistérios do céu, Riedel construiu seu primeiro telescópio, de estrutura de madeira — para aprender a técnica de fabricação, utilizou um livro escrito pelo inventor francês Jean Texereau.

Formado em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal de Minas Gerais, instituição onde foi professor, também trabalhou como ótico em um observatório astrônomico de Belo Horizonte antes de fundar, em 1978, a B. Riedel Ciência e Técnica, fabricante de telescópios, refletores, cúpulas e lentes. “Dei um jeito de fazer do meu hobby a minha profissão”, diz o inventor, que já produziu mais de 2 mil telescópios em sua empresa.

Nos poucos momentos em que está livre, geralmente aos domingos, Riedel ouve música clássica e lê livros técnicos. O resto do tempo e do dinheiro são revertidos para a empresa: a construção dos telescópios consumiu um valor equivalente a seis imóveis recebidos como herança. “Quando me lembro das pessoas que vêm até aqui e trazem seus filhos, penso que não posso parar”, afirma. Sua maior tristeza, no entanto, é saber que não há sucessores para continuar seu trabalho. “Quando eu falecer, tudo isso se perderá, inclusive a experiência acumulada ao longo de tantos anos.”

De qualquer forma, planos para o futuro não faltam: projetos para uma sala de aula, telescópios computadorizados e um observatório na parte superior da oficina aguardam sua vez para que o sonho de Riedel continue a se tornar realidade.

NADA SE PERDE: Além do arsenal de ferramentas básicas para uma oficina, Riedel garimpou equipamentos em ferros-velhos, como motores de sorveteiras e polias de máquinas de costura, modificando-os para a fabricação dos instrumentos óticos

REFERÊNCIA: Apesar do trabalho quase anônimo, Riedel é reverenciado pela comunidade científica brasileira. “Infelizmente, não existe a cultura de olhar o céu no país”, diz Alberto Ardila, do Laboratório Nacional de Astrofísica.



TUDO SE CRIA: Com o auxílio de três funcionários, o inventor constrói os equipamentos de modo personalizado: monta os telescópios com tubos de PVC e trabalha artesanalmente com retalhos de vidro grosso, utilizados nas lentes.



FONTE: http://revistagalileu.globo.com/

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