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Como os astronautas cozinham no espaço


O espaço é cheio de mistérios mas um deles em especial não sai das nossas cabeças ultimamente: como é a comida lá em cima? Vamos dar uma olhada em como refeições espaciais são feitas, nos melhores hacks de comida dos astronautas e no experimento que nos mostrou onde exatamente podemos encontrar as melhores batatas fritas da galáxia.

A dieta do astronauta
Ao longo dos anos, o Laboratório de Sistemas de Comida Espacial, no Centro Espacial Johnson em Houston, – o grupo responsável por garantir que os astronautas tenham comida no espaço – tem produzido uma lista de 200 comidas espaciais essenciais. Cada uma é embalada engenhosamente em seu próprio saquinho que pode ser usado para a reidratação se necessário ou inserida no aquecedor de comidas da estação espacial para uma refeição quente.

Esses 200 alimentos – que incluem desde uma salada reidratada de frango e abacaxi a um iogurte termoestabilizado de mocha – compõem a grande parte da dieta astronauta, por mais que alguns sejam mais apreciados que outros.


Seleção de alguns dos itens principais do menu da Estação Espacial Internacional em uma bandeja. Imagem: NASA

O coquetel de camarão liofilizado é um dos pratos especialmente populares, a gerente de laboratório Vickie Kloeris diz que atribui a sua popularidade a um ingrediente secreto: raiz forte, seu toque apimentado é um sabor raro no espaço. Mas assim como algumas comidas continuam no cardápio ao longo dos anos, outras acabam sendo eliminadas. Biscoitos de maizena, por exemplo, foram tirados da lista depois de membros da tripulação reclamarem das migalhas que deixavam flutuando pela nave. Esse mesmo problema os levou a trocarem o pão de forma por tortilhas.

Além dos itens essenciais, cada astronauta recebe um pacote bônus de comidas. Lá, encontram alguns outros produtos de pronto consumo (a pedido dos astronautas e com a aprovação do laboratório) como suco em pó, bolos, temperos e café instantâneo. Porém, as vezes os astronautas vão ainda mais além.

Cozinhando com astronautas!



Não é nada surpreendente que, quando se junta um grupo de engenheiros e cientistas pesquisadores e os isola dentro de um tubo metálico por meses fora da atmosfera da Terra, eles comecem a descobrir formas de brincar com e modificar seu ambiente. Astronautas que passam longos períodos na Estação Espacial Internacional (ISS) desenvolveram alguns hacks que dão um sabor a mais às suas refeições.

O astronauta canadense Chris Hadfield teve uma breve web-serie durante seu tempo no espaço, o “Chris’ Kitchen” em que tomou uma abordagem típica de programas de culinária para preparar as comidas embaladas a vácuo e liofilizadas disponíveis a ele. Suas receitas vão desde simplesmente mostrar como ele reidratava um pacote de espinafre seco, a pratos mais ambiciosos como a transformação de um bife pré-fabricado, tortilhas e molho de pimenta em um burrito improvisado. Mas a campeã incontestável em hacks de comidas espaciais é outra integrante da tripulação do ISS: a Sandra Magnus, engenheira de voo da Expedição 18.

Enquanto a bordo do ISS, Magnus realizou diversos experimentos culinários, com a assistência de tábuas de cortar e tigelas que ela colava em superfícies com quantidades consideráveis de fita adesiva. Talvez o mais impressionante tenha sido como conseguiu utilizar o aquecedor de alimentos para assar alho e cebolas, uma operação que conseguiu fazer reutilizando as embalagens de refeições anteriores para processar os legumes diversas vezes no aquecedor por horas.

Magnus cozinhando na estação espacial, com a ajuda de fita adesiva e sacos plásticos para lutar contra os problemas da gravidade. (Imagem: NASA)

A sua técnica de alho e cebolas fez parte da elaborada ceia de Natal preparada pelos astronautas. A tripulação fez uma remixagem de comidas do dia a dia junto com algumas bônus para elaborarem um cardápio composto por bifes de atum grelhados, um recheio de pão de milho e salada de caranguejo (embora Magnus tenha dito que o ovo reidratado que usou na salada tenha sido um substituto decepcionante para ovo cozido).

Porém, não são todos os dias em que é possível esbanjar uma refeição tão elaborada: só as cebloas levaram quase três horas para serem preparadas por Magnus no aquecedor de comida e os dias dos astronautas já são bem cheios. Então o que os astronautas esfomeados e sem tempo fazem quando estão cansados de comerem suas refeições direto da embalagem? A resposta vem dentro de uma tortilha.

Em seu diário espacial, Magnus escreveu uma homenagem à importância da tortilha nas refeições dos astronautas, especialmente na criação do seu prato favorito: a quesadilla de queijo espacial.

“Você consegue fazer tantas coisas com uma tortilha, ela se torna o meio para comer quase tudo. Eu não consigo pensar em nada que não pode ser ou que já não tenha sido colocado em uma tortilha. Consequentemente, um dos maiores desafios de qualquer tripulação é garantir que a quantidade suficiente de tortilhas embarquem (a única outra coisa que tem essa grande demanda é a cafeína). Mas o que eu mais gosto de fazer é esquentar a pasta de queijo cheddar, passar na tortilha e colocar um pouco de molho de tomate. O resultado é uma quesadilla de queijo espacial.”

As melhores batatas fritas da galáxia
É claro que as questões de gosto e preparação não são as únicas coisas a considerarem quando se fala de cozinhar no espaço. A física por trás de cozinhar é alterada de acordo com as condições do espaço. Nossas técnicas culinárias são aprimoradas na gravidade da Terra e quando levamos essas técnicas ao espaço, os resultados podem ser surpreendentes.

Jean Hunter, uma professora na Universidade de Cornell que estuda como comida e culinária funcionam no espaço, explicou que mesmo algo tão simples quanto fazer um ovo cozido se torna desafiador sem a gravidade terrestre para ajudar no processo de ferver água.

“O problema em cozinhar no espaço é que não existe gravidade”, Hunter contou ao Gizmodo. “Se você quisesse ferver um ovo, por exemplo, o vapor e o líquido não separam. Em vez da água ferver como faz na terra em que as bolhas sobem para a superfície e soltam vapor, o que acontece é mais parecido com uma lata de refrigerante transbordando. Seria muito difícil cozinhar assim.”

Se olharmos para frente, no entanto, e considerarmos não só cozinhar em estações espaciais como também a possibilidade de algum dia cozinhar em outros planetas e luas, a questão da gravidade se torna ainda mais complexa. Hunter tem trabalhado em um experimento que compara como as gravidades da Lua e Marte podem mudar a forma em que óleo de cozinha funcione, especialmente como a forma como respinga (informação relevante para quem já tenha usado uma frigideira).


Astronauta Loren Shriver comendo M&Ms na nave espacial Atlantis. (Imagem: NASA)

Porém, existem boas razões para acreditar que gravidades diferentes podem alterar não só o processo de cozinhar como também a forma como a comida reage a esses processos também. Considere, por exemplo, a humilde batata frita.

Cientistas da Universidade Aristotélica na Grécia, ao lado da Agência Espacial Européia, conduziram um experimento para determinar como uma porção de batatas fritas reagiria a ser cozinhada nas gravidades exóticas do espaço. Utilizando a centrifuga da Agência Espacial, batatas cortadas à julienne e uma fritadeira especialmente produzida, os pesquisadores testaram as fritas em gravidades até nove vezes maiores do que a da Terra.

O que descobriram, assim como explicaram em um artigo publicado no Food Research International, foi que quanto maior a gravidade, mais crocante fica a pele da batata frita e o mais rápido cozinha – até certo ponto. O ponto ideal para fritas realmente crocantes foi de 3 vezes a gravidade da Terra (curiosamente, a situação que mais se aproxima disso no nosso sistema solar seria em Júpiter). Aumentar a gravidade não foi completamente favorável para as fritas, no entanto. Quando fritas em gravidades maiores que a desejada (três vezes a da Terra), as batatas começam a perder a sua integridade estrutural.

Saladas em Marte


Concepção artística de uma estufa em Marte (Imagem: NASA)

Até agora temos uma boa noção de como alimentar astronautas em viagens espaciais curtas. Mas e quando falarmos de irmos mais longe no espaço – até Marte, talvez, Europa ou além?

O Laboratório de Comida da NASA já começou a enfrentar a questão de como alimentariam astronautas indo à Marte, o problema tem tanto a ver com tempo quanto com comida.

“Uma missão para Marte vai exigir comidas que tenham um longuíssimo prazo de validade, provavelmente algo como cinco anos”, afirmou Vickie Kloeris, gerente do laboratório. “Estamos pesquisando como podemos extender o prazo de validade. Atualmente nossas comidas têm um prazo de 2-3 anos. Também estamos pesquisando como ao longo do tempo comidas perdem nutrientes e quais nutrientes estão mais em risco em um estoque de cinco anos.”

Não é só uma questão da comida não estragar, também existem preocupações com relação a quantidade de peso e espaço de armazenamento que seria necessário para guardar tanta comida. Prazos de validade maiores e inovações de embalagem são dois caminhos para resolverem o problema, mas também existe outra solução possível, uma que une a portabilidade, renovabilidade e até frescor: talvez astronautas possam cultivar sua própria comida.

Um experimento conhecido como Veggie na ISS tem testado exatamente isso, permitindo que astronautas cultivem uma quantia pequena de alimentos em uma câmara selada. Os primeiros plantios de alface foram um sucesso, tanto que agora repolho foi acrescentado. Pesquisadores esperam expandir ainda mais para incluírem mais frutas e legumes.

Certamente, ainda estamos longe de saladas cultivadas no espaço. Mas, se bem sucedido, o projeto da “horta espacial” poderia pelo menos dar um descanso aos ovos mexidos reidratados.

Tradução: Mariana Siqueira.

Foto do topo: Astronautas Shake Kimbrough e Sandra Magnus aproveitam um momento raro com frutas frescas em um nave espacial. Crédito: NASA

FONTE: GIZMODO BRASIL

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