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Cientistas encontram evidências do "mergulho" de placas tectônicas na lua de Júpiter, Europa


Cientistas descobriram evidências de placas tectónicas na lua de Júpiter, Europa. Esta impressão de artista do processo de subducção (onde uma placa é forçada sob a outra) mostra como uma área exterior, fria e frágil com 20-30 km se move para o interior mais quente e, em última instância, é englobado. A banda de baixo relevo foi criada na superfície e na placa dominante, de onde podem ter surgido criolavas.
Crédito: Noah Kroese, I.NK

Cientistas encontraram evidências de placas tectônicas na lua de Júpiter, Europa. São o primeiro sinal deste tipo de atividade geológica atual num mundo que não a Terra.

Os investigadores têm evidências visuais claras da expansão da crosta gelada de Europa. No entanto, não conseguiam encontrar áreas onde a antiga crosta era destruída para dar espaço à nova. Enquanto examinavam imagens de Europa capturadas pela sonda Galileu da NASA no início da década de 2000, os geólogos planetários Simon Katternhorn, da Universidade de Idaho, e Louise Prockter, do Laboratório de Física Aplicada de Johns Hopkins em Laurel, no estado de Maryland, descobriram algumas fronteiras geológicas incomuns.

"A forma como este terreno novo se formou deixou-nos intrigados durante anos, e não conseguíamos descobrir como foi acomodado," afirma Prockter. "Nós pensamos que finalmente encontramos a resposta."

A tectônica de placas é a teoria científica que afirma que a camada exterior da Terra é composta por placas ou blocos que se movem, que explicam o porquê da formação de montanhas e vulcões e a existência de sismos.

A superfície de Europa - uma das quatro maiores luas de Júpiter e ligeiramente mais pequena que a Lua da Terra - está repleta de fendas e sulcos. Sabe-se que os blocos à superfície mudam do mesmo modo como os blocos da Terra. Muitas partes da superfície de Europa mostram evidências de extensão, onde se formaram grandes bandas com quilômetros de comprimento à medida que a superfície era rasgada e o material gelado e fresco da camada inferior movia-se para a abertura recém-criada - um processo semelhante à expansão dos fundos oceânicos na Terra.

Na Terra, à medida que o novo material de superfície se forma nas cristas oceânicas, o material antigo é destruído por subducção, regiões onde duas placas tectônicas convergem, sobrepõem e onde uma é forçada sob a outra. No entanto, apesar do grau de extensão evidente à superfície de Europa, os cientistas não tinham sido capazes de determinar como a superfície conseguia acomodar todo este material novo.

Os investigadores que estudam Europa muitas vezes reconstroem os blocos superficiais da lua na sua configuração original - como um puzzle - para ter uma ideia do aspecto anterior da superfície antes da ruptura. Quando Kattenhorn e Prockter reorganizaram o terreno gelado nas imagens, descobriram que quase 20.000 quilômetros quadrados da superfície estavam em falta nas latitudes altas do norte da lua.

Outra evidência sugeriu que o terreno em falta havia-se movido para baixo de uma segunda placa à superfície - um cenário visto com frequência nos limites das placas tectônicas. Kattenhorn e Prockter viram crio vulcões na placa dominante, possivelmente formados por meio de fusão e absorção da placa à medida que mergulhava para baixo da superfície, e uma ausência de montanhas na zona de subducção, implicando que o material era empurrado para o interior em vez de se "amarrotar" à medida que as duas placas chocavam uma com a outra.

Os cientistas acreditam que a área subdutada foi absorvida pela concha gelada de Europa, que pode ter até 30 km de espessura, em vez de romper para o oceano subterrâneo por baixo. Na superfície relativamente jovem de Europa - com cerca de 40-90 milhões de anos, em média - os cientistas viram evidências de material que se move do interior para a superfície mas, até agora, não tinha sido encontrado nenhum mecanismo para mover o material novamente para baixo da superfície e, possivelmente, para o grande oceano abaixo do gelo.

"Europa pode ser mais parecida com a Terra do que imaginávamos, caso tenha um sistema global de placas tectônicas," afirma Kattenhorn. "Não só esta descoberta a torna num dos corpos mais geologicamente interessantes do Sistema Solar, também implica uma comunicação bidirecional entre o exterior e o interior - uma maneira de mover o material da superfície para o oceano - um processo que tem implicações significativas para o potencial de Europa como mundo habitável."

Os resultados da equipa aparecem na edição online de Domingo da revista Nature Geoscience.

Em Julho, a NASA anunciou que pretendia recolher propostas para instrumentos científicos a serem incorporados numa missão futura a Europa.

"Europa continua a revelar-se como um mundo dinâmico com semelhanças convincentes com o nosso próprio planeta Terra," afirma Curt Niebur, cientista do programa Outer Planets na sede da NASA em Washington. "O estudo de Europa aborda questões fundamentais acerca da lua gelada potencialmente habitável e da busca de vida para lá da Terra."

Descobertas científicas anteriores apontam para a existência de um oceano de água líquida por baixo da crosta gelada de Europa. Este oceano abrange totalmente Europa e contém mais água líquida que todos os oceanos da Terra juntos.

A sonda Galileu da NASA, lançada em 1989, foi a única missão espacial a fazer várias visitas a Europa, passando perto da lua cerca de uma dúzia de vezes.

A Galileu descobriu evidências de um oceano de água salgada por baixo da crosta gelada de Europa. A missão terminou oficialmente em Setembro de 2003, quando a Galileu mergulhou na atmosfera de Júpiter para prevenir um impacto com Europa.

FONTE: ASTRONOMIA ONLINE

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