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Problema com motor da sonda Juno irá adiar os planos da NASA mais uma vez


A missão Juno da NASA não está avançando exatamente conforme o planejado. No mês passado, a queima do motor principal que faria com que a sonda diminuísse sua órbita foi adiada após um problema inesperado em um par de válvulas de hélio. Agora, a NASA confirmou que a oportunidade de entrar na “órbita de ciência” será perdida novamente.

No dia 14 de outubro, a NASA anunciou que uma queima do motor principal da Juno – que diminuiria sua órbita elíptica de 53,4 dias para a órbita de ciência de 14 dias – não iria acontecer no dia planejado, em 19 de outubro. Em vez disso, a agência decidiu adiar a manobra para 11 de dezembro, que seria o próximo momento de maior aproximação de Júpiter (chamado de periápside).

Porém, algumas semanas depois, a NASA fez outro comunicado indicando que a periápside do dia 11 de dezembro seria apenas uma “passagem de ciência”, na qual a sonda aponta seus instrumentos para Júpiter e coleta dados, assim como fez em 27 de agosto. O porta-voz DC Agle, do Laboratório de Propulsão a Jato, confirmou ao Gizmodo que isso significa que nenhum motor será queimado. “A maioria dos instrumentos – se não todos – serão desligados se a manobra for realizada”, disse ele por email.

Agle não apontou quando a Juno deve tentar queimar seu motor novamente. A próxima periápside da sonda cairá no dia 2 de fevereiro, e depois em 27 de março.


Diagrama ilustrando o caminho orbital de Juno. Imagem:NASA / JPL-Caltech.

Mas a NASA tem dado algumas dicas que indicam que a Juno deve se manter na órbita de 53,5 dias por um bom tempo, possivelmente durante toda a missão – e talvez isso não seja um problema. “Nós conseguimos fazer toda a ciência numa órbita de 53 dias se for necessário”, disse o pesquisador principal da Juno, Scott Bolton, numa recente coletiva de imprensa da Divisão de Ciências Planetárias.

A sonda Juno foi configurada para executar 33 órbitas de ciência que duram duas semanas, onde ela ficaria mais próxima dos polos de Júpiter e voltaria, com o objetivo de observar e coletar dados dessa região e de mapear o campo magnético detalhadamente. Numa órbita de 53,5 dias, levará muito mais tempo para ela coletar a mesma quantidade de dados. Mas como a exposição à radiação intensa só acontece quando a sonda fica próxima dos polos, a dose de radiação geral não deve mudar muito. “É o número de órbitas que impulsiona a radiação”, explicou Bolton.

Na metade de 2019, se Juno ainda estiver na órbita de 53,5 dias, ela terá problemas com eclipses, ficando sob a sombra de Júpiter durante muitas horas. Isso pode causar deficiências na reposição de energia da sonda, que depende da energia solar.

A agência espacial terá que vencer esse obstáculo quando e se ele chegar. Mas por enquanto, os engenheiros continuam tentando encontrar uma solução para o problema da válvula de hélio. James Green, da Divisão de Ciências Planetárias, disse que a NASA está tendo uma abordagem “bem lenta” para o problema, segundo a SpaceNews. Entre outras coisas, a agência vem investigando possíveis conexões com o mau funcionamento de um propulsor num motor similar utilizado no satélite Boeing Intelsat 33e, lançado em agosto.

“Nós teremos outro ciclo em Júpiter e iremos estudar realmente o que está acontecendo antes de tomarmos uma decisão sobre o nosso próximo passo”, disse Green.

Imagem do topo: NASA.

FONTE: GIZMODO BRASIL

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