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Numa Galáxia não muito distante, uma estrela alberga um planeta potencialmente habitável


A área do céu, na constelação de Ofíuco, perto da anã vermelha Wolf 1061, que inclui também o bonito, mas sem relação, enxame Messier 107. Wolf 1061 está a 14 anos-luz de distância.
Crédito: Universidade de Nova Gales do Sul/atlas do céu "Aladin", desenvolvido pelo Observatório de Estrasburgo, França

Astrônomos da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, descobriram o mais próximo exoplaneta potencialmente habitável, orbitando uma estrela a apenas 14 anos-luz de distância.

O planeta, com mais de quatro vezes a massa da Terra, é um dos três que a equipe detetou em redor de uma anã vermelha chamada Wolf 1061.

"É uma descoberta particularmente interessante porque todos os três planetas têm massa pequena o suficiente para serem potencialmente rochosos e para terem uma superfície sólida, e o planeta do meio, Wolf 1061c, está situado dentro da zona habitável da estrela, onde é possível a existência de água líquida - e, quem sabe, até vida," explica o Dr. Duncan Wright, autor principal do artigo científico que divulga a descoberta.

"É fascinante olhar para a vastidão do espaço e pensar que uma estrela tão perto de nós - um vizinho próximo - pode hospedar um planeta habitável."

"Enquanto alguns outros planetas já foram descobertos a orbitar estrelas mais próximas de nós que Wolf 1061, esses planetas não são considerados, nem remotamente, habitáveis," explica o Dr. Wright.

Os três planetas recém-detetados orbitam a pequena, relativamente fria e estável estrela a cada 5, 18 e 67 dias, respetivamente. As suas massas são de pelo menos 1,4, 4,3 e 5,3 vezes a da Terra, respetivamente.

O maior e mais exterior dos planetas está mesmo para lá do limite exterior da zona habitável e é também provavelmente rochoso, enquanto o planeta mais pequeno e interior está demasiado perto da estrela para ser habitável.

A descoberta será publicada na revista The Astrophysical Journal Letters.

A equipe da Universidade de Nova Gales do Sul usou observações de Wolf 1061 recolhidas pelo espectrógrafo HARPS acoplado ao telescópio de 3,6 metros do ESO em La Silla, no Chile.

"A nossa equipe desenvolveu uma nova técnica que melhora a análise dos dados recolhidos por este instrumento preciso e construído para caçar planetas, e estudamos mais de uma década de observações de Wolf 1061," explica o professor Chris Tinney, líder do grupo de Ciência Exoplanetária da mesma universidade.


Wolf 1061 e os seus planetas. A zona habitável tem um tom de verde.
Crédito: Universidade de Nova Gales do Sul

"Estes três planetas aqui à nossa porta juntam-se ao pequeno, mas cada vez maior grupo de mundos rochosos potencialmente habitáveis que orbitam estrelas próximas mais frias do que o nosso Sol."

Sabemos agora que pequenos planetas rochosos como o nosso são abundantes na Galáxia, e os sistemas multi-planetários também parecem ser comuns. No entanto, a maioria dos exoplanetas rochosos descobertos até agora estão a centenas ou milhares de anos-luz de distância.

Uma exceção é Gliese 667Cc que fica a 22 anos-luz da Terra. Orbita uma anã vermelha a cada 28 dias e tem pelo menos 4,5 vezes a massa da Terra.

"A proximidade dos planetas no sistema Wolf 1061 significa há uma boa chance que estes planetas passem em frente da sua estrela. Se tal acontecer, poderá então ser possível estudar as atmosferas destes planetas no futuro para ver se são apropriados para a vida," conclui o Dr. Rob Wittenmyer, membro da equipe.

FONTE: ASTRONOMIA ONLINE

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