Pular para o conteúdo principal

Brasileiros identificam 652 novos aglomerados estelares na Via Láctea


Ilustração mostra o que se acredita ser a aparência básica da Via Láctea vista de algum ponto acima do Polo Norte galáctico, com marcações de alguns dos mais de 400 aglomerados estelares inicialmente descobertos pelos astrônomos brasileiros que ajudam a traçar a existência e localização de seus braços principais e a provável localização do Sol - NASA/JPL-Caltech/UFRGS

Mais de mil objetos reforçam tese de que nossa galáxia tem quatro braços principais

Astrônomos brasileiros identificaram 652 novos aglomerados estelares na Via Láctea, elevando para mais de mil o total revelado pelo grupo desde o ano passado. A descoberta destes pequenos objetos, com cerca de dez a 20 estrelas cada, contra centenas a até milhares de aglomerados mais maciços, ajuda a reforçar a tese de que nossa galáxia tem um formato espiral com quatro braços principais, e não dois como defendem alguns cientistas.

Segundo Denilso Camargo, líder da pesquisa e atualmente professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA), os novos aglomerados estão na sua maior parte ainda escondidos nos “casulos” de poeira e gás onde se formaram, e por isso escapam da detecção por sistemas automatizados de busca por objetos do tipo baseados em densidades de estrelas visíveis. Desta forma, para encontrá-los, ele e seus colegas Charles Bonatto e Eduardo Bica, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tiveram que analisar “no olho” os arquivos do observatório espacial Wise, da Nasa, que entre 2010 e 2011 escaneou todo céu pelo menos duas vezes na faixa do infravermelho, capaz de penetrar estas barreiras.

- Sabemos que a grande maioria das estrelas se forma em aglomerados, mas estes pequenos grupos logo se dispersam pela galáxia, dificultando sua identificação – conta Camargo, que também é primeiro autor do artigo que relata a descoberta, recentemente aceito para publicação no periódico científico “Monthly Notices of the Royal Astronomical Society” (MNRAS). - Achava-se, no entanto, que a maior parte das estrelas se formava em aglomerados maiores, com mais de cem estrelas. Nossas descobertas, porém, mostram que a fração que se forma em grupos estelares pequenos é mais significativa do que se imaginava.

Mas além de revelar os múltiplos berçários estelares de nossa galáxia, os achados, batizados Camargo 447 a Camargo 1098, são uma importante forma de mapear como seria sua estrutura. Isso porque, por estarmos dentro da Via Láctea, não temos como saber como é sua real aparência vista de fora. Assim, os cientistas têm que se basear na observação do formato de outras galáxias espirais como ela, assim como dos objetos visíveis em seu interior. E é aí que a identificação dos novos aglomerados estelares ganha um papel crucial.

As estrelas e seus aglomerados se formam a partir do colapso gravitacional de grandes e frias concentrações de poeira e gás no espaço, as chamadas nuvens moleculares. E como a maior parte deste material está justamente nos braços da galáxia, é de se esperar que a maioria deles se formem nestas estruturas. Desta forma, a localização dos aglomerados revelados por Camargo e seus colegas serve de indicação sobre onde e quantos braços a Via Láctea teria.

- Os aglomerados que estamos encontrando são muito jovens, então eles não tiveram muito tempo para ir para muito longe de onde nasceram – lembra Camargo. - Além disso, os aglomerados são ótimos marcadores de distância pois, como têm muitas estrelas, as incertezas nessas medições ficam menores. Diante disso, as distâncias que estimamos destes mais de mil aglomerados indicam que a maior parte deles está sobre estes braços, e que a Via Láctea tem quatro destas grandes estruturas.

Camargo conta ainda que as descobertas estão ajudando a sanar dúvidas quanto à atividade do braço mais externo de nossa galáxia, que junto com os braços batizados Perseus e Scutum-Centaurus, mais proeminentes e lotados de estrelas, e o Sagittarius-Carina, menos ativo, mas com tanto material quanto os outros, formariam a imagem da Via Láctea com quatro destas estruturas principais. Neste cenário, o Sol estaria próximo á beira de um braço menor chamado Órion-Cygnus, entre trechos do de Sagittarius-Carina e de Perseus e aproximadamente a dois terços do caminho do braço externo ao núcleo galáctico.

- A existência deste braço externo era conhecida apenas por sua concentração de gás e achava-se que ele seria muito tênue, com pouca formação de estrelas – diz. - Agora, porém, descobrimos vários aglomerados que mostram que sim, há uma formação significativa de estrelas neste braço externo, e ajudam a traçá-lo como um braço efetivo.

Por fim, a pesquisa também joga nova luz sobre como nossa galáxia gera novas estrelas, assim como a possível origem de alguns dos aglomerados estelares gigantes que vemos nela. Segundo Camargo, a profusão de pequenos aglomerados na Via Láctea sugere uma espécie de “efeito dominó”, com fenômenos como a explosão de supernovas, a ação do vento de estrelas maciças já existentes e o próprio movimento dos braços em sua órbita em torno do núcleo galáctico comprimindo as nuvens de gás e poeira neles, dando início ao seu colapso gravitacional e fragmentação em diversos aglomerados estelares menores, a que chamam de agregados de aglomerados.

- Nossa pesquisa sugere que uma nuvem inteira ou até mesmo um complexo de nuvens podem colapsar quase simultaneamente, dando origem a inúmeros aglomerados próximos entre si – explica Camargo. - Desta forma, definimos estes agregados de aglomerados estelares como grupos de aglomerados ligados entre si no espaço e no tempo, formados juntos após o colapso e fragmentação de uma nuvem molecular ou um complexo delas. E como não encontramos agregados de aglomerados velhos, e até mesmo pares são raros, concluímos que ou eles se fundem ou se dispersam. Então, muitos dos aglomerados maciços que vemos hoje podem ter sua origem na fusão destes aglomerados menores.

O astrofísico conta que ele e seus colegas continuam a buscar novos aglomerados nos dados do Wise para refinar ainda mais o seu mapa da real estrutura da Via Láctea. Mas eles estão com foco também em objetos do tipo mais afastados do disco galáctico, como os Camargo 438 e 439. Localizados a uma distância de cerca de 16 mil anos-luz do plano principal da Via Láctea e caindo balisticamente em direção a ele, estes dois aglomerados tiveram sua descoberta relatada em outro artigo publicado pelo trio de cientistas em fevereiro deste ano também no periódico MNRAS.

- Não se esperava que estes objetos pudessem ser encontrados a esta distância do disco da nossa galáxia – lembra Camargo. - Queremos entender se eles foram formados por material do disco lançado para fora da Via Láctea por algum fenômeno ou de material vindo do espaço intergaláctico.

FONTE: O GLOBO

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Conheça histórias de pessoas que foram abduzidas por Extraterrestres

As pessoas do mundo se dividem em dois grandes grupos e um terceiro bem pequeno.

Os dois grandes grupos são: aqueles que acham que ETs existem e aqueles que acham que ETs não existem.

Correndo por fora, existe uma minoria silenciosa que se mantém quietinha, aparentemente, porque, se essas pessoas disserem as coisas que elas sabem, ninguém acreditaria nelas.

Elas fazem parte do pequeno grupo que jura de pé junto ter feito contato com seres extraterrestres.

O fotógrafo nova-iorquino Steven Hirsch, de 63 anos, é um cara que, se não acredita nessas pessoas, pelo menos acredita no direito que elas têm de contar suas histórias do jeito que quiserem.

Por isso, ele criou um blog em que entrevista e fotografa gente que diz ter sido abduzida por alienígenas. O endereço é littlestickylegs.blogspot.co.uk.

- Eu não quero que os meus leitores tenham nenhum tipo de ideia pré-concebida sobre essas pessoas até qie eles vejam suas imagens e leiam suas palavras. Minhas entrevistas mal conseguem ir além…

Mémorias da Ufologia: Caso SANTA ISABEL

FOTOS DO LAUDO

Na localidade de Santa Izabel(SP) em junho de 1999, a Sra. Alzira Maria de Jesus foi encontrada morta na sua cama, e por volta das 8 hs da manhã sua nora percebe o fato e sai imediatamente para ir ao orelhão e ligar para o seu marido e espera à ajuda e , ao chegar de volta em casa quase 40 min.depois a nora vê o corpo da sra. com o rosto totalmente desfigurado e praticamente sem carne; foi feito o boletim de ocorrência na delegacia da cidade sob n°145/99 em 24 de Junho. Posteriormente confirmou-se que à causa da morte foi a parada respiratória, mas o que aconteceu realmente como rosto desta sra. num espaço menor de uma hora?O laudo é cita sobre as configurações do mesmo, inclusive nas cavidades oculares, mas o que teria causado à perda do rosto ficou indeterminada. Mais estranho ainda é que na noite anterior aos fatos foram vistas bolas de luz voando nessa região rural e no início da madrugada os animais,como cachorros,gansos,e outros começaram à fazer um intenso barulh…

O caso Roswell nordestino: Queda de UFO na Bahia, em Janeiro de 1995

Por Ufo Bahia: Nessa data, as 09:00 horas, uma in­formante do G-PAZ, "M" da TV BAHIA me ligou contando uma mirabolante his­tória de queda de um UFO em Feira deSantana(BA) a 112 Km de Salvador. Umfazendeiro de apelido Beto, tinha ligadopara TV SUBAÉ daquela cidade oferecen­do – em troca de dinheiro – um furo dereportagem; um disco voador tinha caído na sua fazenda e ele tinha provas e ima­gens do fato!
Apenas depois do meio dia, conse­gui – por fim – falar com Beto, que apóssua proposta de negócio, ante minha (apa­rente) frieza, me contou com bastante de­talhes o acontecido. Soube que tambémtentara vender suas provas a TV BAHIA,onde procurou o repórter José Raimundo:
"Ontem pela madrugada caiu algu­ma coisa na minha fazenda, dentro de umalagoa. Era do tamanho de um fusca; aqui­lo ficou boiando parcialmente submerso,perto da beirada. Tentei puxar como pude,trazendo para perto de mim, com uma vara.Aquilo parecia um parto... (quando seabriu uma porta) começou primeiro a sa…