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Cientistas apontam dois novos planetas no Sistema Solar


Concepção artística de um dos dois possíveis novos planetas (NASA/VEJA)

Pesquisadores afirmam que pelo menos dois objetos maiores do que a Terra devem existir em locais longínquos, depois de Plutão. Descoberta ainda precisa ser comprovada

Nosso Sistema Solar pode comportar mais planetas do que os oito que conhecemos atualmente. Os possíveis novos mundos não foram observados diretamente, mas determinados por meio de cálculos, e sua comprovação pode mudar do que sabemos sobre os arredores da Terra.

A pesquisa, realizada por cientistas da Universidade Complutense de Madrid e da Universidade de Cambridge, foi publicada em duas etapas no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, em setembro de 2014 e janeiro deste ano. De acordo com ela, pelo menos dois planetas ainda não identificados devem existir para explicar o comportamento dos objetos transnetunianos, aqueles que orbitam o Sol além de Netuno.

Segundo a teoria mais aceita atualmente, as órbitas desses objetos devem estar distribuídas aleatoriamente e seus trajetos precisam preencher uma série de requisitos estabelecidos, como ter um semieixo maior (distância máxima em relação ao Sol) com cerca de 150 Unidades Astronômicas (UA, que equivale à distância entre a Terra e o Sol) e uma inclinação em sua órbita próxima de zero grau.

O que se observa, no entanto, é que diversos desses corpos fogem dos padrões, com semieixos que variam de 150 a 525 UA e com inclinação média de 20 graus. A detecção de objetos com características inesperadas em suas órbitas fez com que os pesquisadores concluíssem que alguma força estaria agindo sobre eles, alterando seus percursos. A existência de planetas além de Netuno e Plutão surgiu como a explicação mais provável para este fenômeno. “Nós precisamos de pelo menos dois planetas para explicar o que foi observado”, disse Carlos de la Fuente Marcos, líder do estudo e pesquisador da Universidade Complutense de Madrid.

Os cientistas ainda não sabem qual é o tamanho certo desses possíveis planetas. "Cálculos ainda não publicados sugerem que a massa deles deve ser de duas a quinze vezes a da Terra", afirma Marcos. Por isso, nenhum dos novos objetos deve ser classificado como planeta anão, a exemplo de Plutão.

Devido à distância que se encontram do Sol, esses planetas devem ser rochosos e congelados. “É improvável que eles sejam gigantes gasosos como Urano e Netuno”, diz o autor. No estudo, os pesquisadores analisaram treze objetos transnetunianos e os efeitos de um mecanismo chamado Kozai, relacionado à perturbação gravitacional que um corpo grande provoca na órbita de objetos menores e distantes dele. Eles usaram como referência a influência exercida por Júpiter no cometa 96P/Machholz1.

Contestação — A descoberta encontrou alguns obstáculos. O modelo atual de formação do Sistema Solar determina que não devem existir planetas depois de Netuno. “Essencialmente, o Sistema Solar acaba a cerca de 30 UA do Sol”, explica Marcos. “Qualquer coisa depois disso deveria ser apenas asteroides e cometas, ou talvez algum objeto do tamanho de Marte, nada mais.” Por outro lado, descobertas recentes feitas pelo telescópio Alma sugerem que os planetas podem ter sido formados mais distantes de sua estrela central do que se acreditava. Essa teoria ajudaria a explicar os novos planetas.

Carlos de la Fuente Marcos é cauteloso ao explicar sua pesquisa. "Pode levar um tempo para encontrarmos esses planetas, se eles de fato existirem. Eles estão muito mais distantes do que qualquer outro objeto conhecido (cerca de seis vezes mais distantes do que Netuno) e recebem pouca luz solar, que poderia refleti-los".

O último planeta — O caso apresenta semelhanças com a descoberta de Netuno, em 1846, na época considerada um divisor de águas na astronomia. O planeta não foi detectado por meio de telescópios ou qualquer tipo de observação direta. Sua existência foi provada por cálculos matemáticos. Havia algo de estranho na órbita de Urano, então considerado o planeta mais distante do Sol, que só poderia ser explicado pela existência de outro mundo, ainda mais distante, cuja gravidade estaria alterando o caminho de Urano previsto pelos astrônomos.

FONTE: REVISTA VEJA

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