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'A Forma da Água' da vida real: a mulher que se relacionou com golfinho


MARGARETH HOWE LOVATT E O GOLFINHO PETER (FOTO: REPRODUÇÃO/YOUTUBE)

Diferentemente do vencedor do Oscar de Melhor Filme de 2018, essa história tem um final triste

Existem dois tipos de pessoas no mundo: aquelas que comemoraram a escolha da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas em consagrar o filme “A Forma da Água”, dirigido por Guilherme del Toro, como o Melhor Filme de 2018 e também aquelas que se incomodaram com o fato de um romance entre uma mulher e um “anfíbio humano” ter sido selecionado como melhor produção cinematográfica do ano.

Esqueça essa divisão por agora; essa notícia vai causar a mesma sensação de desconforto e incômodo em você e em todos os leitores, independentemente se você chorou de emoção ou de raiva com a produção surrealista. Preste atenção, a história a seguir é real.

Falando com animais

Durante a década de 1960, a NASA e outras agências do governo norte-americano financiaram um projeto para estudar e criar laços entre golfinhos e seres humanos. As pesquisas aconteciam em um laboratório no Caribe e eram encabeçados pelo neurocientista John Lilly.

O médico se tornou um grande aficionado por cetáceos após ter avistado uma baleia-piloto encalhada em uma costa de litoral próxima à sua casa, em Massachusetts, em 1949. Na ocasião, Lilly ficou impressionado com o tamanho do cérebro do animal e começou a imaginar como a baleia deveria ser um bicho inteligente.

Foi a partir desse episódio que o neurocientista e sua primeira esposa, Mary, iniciaram uma busca por cetáceos para que o médico pudesse estuda-los. Até que a dupla descobriu o Marine Studios, cativeiro de golfinhos em Miami.

Ao longo do tempo, o médico começou a perceber que os golfinhos “respondiam” aos pesquisadores, emitindo sons que lembravam palavras em inglês. Segundo Lilly, aquele poderia ser um indício de que os animais estavam tentando se comunicar com os seres humanos. Essa foi a consideração que ele escreveu no livro Man and Dolphin (1961), que se tornou um best-seller.

Devido ao sucesso da obra de Lilly e das ideias do governo norte-americano de buscar por vidas extraterrestres, a NASA decidiu financiar o projeto do médico. Com o recurso financeiro em mãos, Lilly abriu seu laboratório no Caribe, em 1963. E foi a partir daí que as coisas começaram a ficar estranhas.

No início do ano seguinte, uma jovem de vinte e poucos anos que vivia na ilha de São Tomás, no Caribe, ouviu falar sobre os estudos com golfinhos e decidiu conhecer o laboratório de Lilly. O nome dela era Margaret Howe Lovatt.

Lovatt não era nenhuma pesquisadora ou cientista, porém, ela parecia tão interessada nos estudos que eram feitos ali que o médio Lilly decidiu convidá-la a colaborar. A moça passava horas com os golfinhos do laboratório, tentando incentivá-los a se comunicar em inglês e emitir sons humanos.

Ela estava tão interessada na tarefa que propôs levar um dos golfinhos a morar com ela. Assim, eles passariam mais tempos juntos e o animal poderia se habituar ainda mais à fala humana. A ideia pareceu simpática aos pesquisadores, de forma que Lovatt foi aconselhada a cobrir a casa com papel plástico e encher o espaço de água, levando consigo o golfinho macho do laboratório, Peter.

A língua do amor

O golfinho Peter e Lovatt ficavam sozinhos durante seis dias por semana, enquanto a moça anotava suas percepções do animal e dormia ao redor do cetáceo. No último dia da semana, Peter retornava ao laboratório e dividia o tanque com os outros dois animais fêmeas, Pamela e Sissy.

“Ele era muito, muito interessado em minha anatomia. Se eu estava sentada e minhas pernas estavam na água, Peter vinha até mim e olhava atrás do meu joelho por muito tempo. Ele queria saber como as coisas funcionavam e eu ficava encantada por essa curiosidade”, comenta Lovatt, hoje já idosa, em entrevista ao jornal inglês The Guardian, realizada em 2014.

Conforme explica Lovatt, o golfinho gostava de ficar com ela, mas a moça sentia que ele tinha desejos sexuais com muita frequência. No início, quando ela percebia o interesse de Peter, Lovatt o colocava no tanque com os golfinhos fêmeas. Porém, com o tempo, esse transporte atrapalha as lições e ensinamentos ao animal. Foi aí que a moça começou a suprir as necessidades sexuais do animal manualmente.


MARGARETH HOWE LOVATT E O GOLFINHO PETER (FOTO: REPRODUÇÃO/YOUTUBE)

“Não era sexual para mim. Talvez sensorial. Parecia que nós estávamos criando um laço mais forte [...] Eu estava ali para conhece-lo e essa era uma parte dele”, relembra Lovett.

Durante a década de 1970, a história foi parar nas páginas da revista pornográfica Hustler e foi se tornando conhecida entre o público. Porém, o estudo não parou. Na verdade, continuou a ficar mais esquisito.

Tragédias à vista

Lilly, o neurocientista e líder do projeto, começou a estudar os efeitos do LSD no cérebro. Ele era um dos seletos médicos licenciados pelo governo norte-americano a pesquisar a droga. Até então, o governo acreditava que a substância teria propriedades medicinais para tratar pacientes com doenças mentais.

Não demorou para que o LSD fosse injetado nos golfinhos. Muitas tentativas foram feitas, mas nada acontecia. Os animais não respondiam diferentemente à droga.

Lovatt era contra o uso da substância nos animais, principalmente em Peter, mas, conforme relembra ao The Guardian, não havia nada que ela pudesse fazer; já que os animais eram de Lilly.

Lovatt não pode evitar de ficar desestimulada e incomodada com a medida dos pesquisadores. Apesar da proximidade que havia construído com Peter, seu interesse pelo estudo foi diminuindo.

Como o projeto não estava avançando, a NASA decidiu cortar o financiamento e o laboratório de Lilly teve que fechar. Sem o recurso financeiro, o destino dos golfinhos era incerto.

A solução encontrada foi enviar os três animais a um outro laboratório que Lilly possuía, em Miami. Porém, o espaço era muito menor. Não havia liberdade, conforto e nem luz solar. E não havia a presença de Lovatt.

“Foi quando recebi uma ligação de Lilly”, descreve Lovatt. “Ele mesmo quem me ligou. Ele disse que Peter havia se suicidado”, completa.

Pode parecer estranho, mas golfinhos não são respiradores automáticos, como nós. Para esses animais, cada respiração é uma decisão consciente que eles fazem. Então, caso queiram, eles podem prender a respiração até a morte.

Segundo Andy William, o veterinário que cuidava do animal, Peter morreu por causa de um coração partido incompreendido.

Já o médico e condutor da pesquisa continuou seus estudos, tentando métodos místicos – apelando até para a telepatia – e outras vezes mais científicos, usando tons musicais. Desde John Lilly, ninguém mais tentou ensinar inglês a golfinhos.

A voluntária e parceira de Peter, Margareth Howe Lovatt, por sua vez, casou-se com o fotógrafo que registrou imagens do experimento e mudou-se com ele para a casa que construir para abrir Peter.

“Era um bom lugar. Havia um bom sentimento naquele espaço”, lembra Lovatt, que teve sua história contada no documentário The Girl Who Talked to Dolphins (A garota que falava com golfinhos, em tradução livre), lançado em 2014.



FONTE: REVISTA GALILEU

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