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Estudo do Hubble desvenda pistas do nascimento estelar em M31


Mosaico de 414 fotografias de M31, obtidas pelo Hubble. Na secção inferior esquerda está uma ampliação do campo dentro do quadrado do topo, que revela uma miríade de estrelas e inúmeros enxames abertos como nós azuis e brilhantes, ampliação esta que cobre uma área com 4400 anos-luz. À direita estão seis enxames azuis e brilhantes extraídos do campo. Cada quadrado de cada enxame mede aproximadamente 150 anos-luz.
Crédito: NASA/ESA, J. Dalcanton, B. F. Williams, L. C. Johnson (Universidade de Washington), equipa PHAT e R. Gendler

Num estudo de imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA, de 2753 enxames estelares jovens e azuis na vizinha Galáxia de Andrômeda, os astrônomos descobriram que M31 e a nossa Galáxia têm uma percentagem semelhante de estrelas recém-nascidas com base na massa.

Ao determinarem a percentagem de estrelas que têm uma massa particular dentro de um enxame, ou Função de Massa Inicial (FMI), os cientistas podem interpretar melhor a luz de galáxias distantes e compreender a história da formação de estrelas no nosso Universo.

A pesquisa intensa, com base em 414 fotografias do mosaico de M31, foi uma colaboração única entre os astrônomos e cientistas "cidadãos", voluntários que prestaram uma ajuda inestimável na análise da enorme quantidade de dados do Hubble.

"Dado o grande volume de imagens do Hubble, o nosso estudo da FMI não teria sido possível sem a ajuda de cientistas cidadãos," afirma Daniel Weisz da Universidade de Washington em Seattle, EUA. Weisz é o autor principal de um artigo publicado na edição de 20 de junho a revista The Astrophysical Journal.

A medição da FMI foi o principal objetivo do ambicioso levantamento panorâmico da nossa galáxia vizinha pelo Hubble, chamado programa PHAT (Panchromatic Hubble Andromeda Treasury). Foram obtidas cerca de 8000 imagens de 117 milhões de estrelas no disco galáctico de Andrômeda nos comprimentos de onda do ultravioleta próximo, visível e infravermelho próximo.

As estrelas nascem quando uma nuvem gigante de hidrogênio molecular, poeira e traços de outros elementos entra em colapso. A nuvem fragmenta-se em vários nós mais pequenos de material e cada um precipita centenas de estrelas. As estrelas não são todas iguais: as suas massas podem variar entre 1/12 até um par de centenas de vezes a massa do nosso Sol.

Antes do estudo inédito do disco estelar de M31 pelo Hubble, os astrônomos só tinham medições da FMI para a vizinhança estelar local dentro da nossa Via Láctea. Mas a visão de M31 pelo Hubble permitiu com que os cientistas comparassem a Função de Massa Inicial numa muito maior amostra de enxames estelares e que estão praticamente à mesma distância da Terra, 2,5 milhões de anos-luz. A pesquisa é diversa, pois os enxames estão espalhados por toda a galáxia; variam em massa por fatores de 10 e variam entre os 4 e os 24 milhões de anos.

Para surpresa dos investigadores, a FMI é muito semelhante para todos os enxames estudados. A Natureza aparentemente "cozinha" estrelas como lotes de biscoitos, com uma distribuição consistente desde super gigantes azuis até anãs vermelhas. "É difícil imaginar que a FMI é tão uniforme na nossa galáxia vizinha, dada a física complexa da formação estelar," comenta Weisz.

Curiosamente, as estrelas mais brilhantes e massivas nesses enxames são 25% menos abundantes do que o previsto por pesquisas anteriores. Os astrônomos usam a luz destas estrelas brilhantes para medir a massa de enxames estelares e galáxias distantes e para medir a rapidez com que os enxames formam estrelas. Este resultado sugere que as estimativas de massa, usando trabalhos anteriores, eram demasiado baixas porque assumiam que havia muito poucas estrelas ténues e de baixa massa a formarem-se juntamente com as estrelas mais massivas e brilhantes.

Esta evidência também implica que o Universo primitivo não tinha tantos elementos pesados para formar planetas, porque haveriam menos supernovas (a partir de estrelas massivas) a fabricar elementos pesados para a construção planetária. É fundamental saber a taxa de formação estelar no Universo primitivo - há cerca de 10 mil milhões de anos atrás - porque foi nessa altura que foram formadas a maioria das estrelas do Universo.

O catálogo de enxames estelares PHAT, que forma a base deste estudo, foi reunido com a ajuda de 30.000 voluntários que vasculharam milhares de imagens capturadas pelo Hubble à procura de aglomerados estelares.

O Projeto Andrômeda é um dos muitos esforços de ciência cidadã da organização Zooniverse. Ao longo de 25 dias, os voluntários apresentaram 1,82 milhões de classificações individuais com base na concentração de estrelas, as suas formas e quão bem se destacavam do fundo, o que representa cerca de 24 meses de atenção humana constante. Os cientistas usaram estas classificações para identificar uma amostra de 2753 enxames estelares, aumentando o número de enxames conhecidos por um fator de seis na região do estudo PHAT. "Os esforços destes cientistas cidadãos abre a porta a uma variedade de novas e interessantes investigações científicas, incluindo esta nova medição da FMI," conclui Weisz.

FONTE: http://www.ccvalg.pt/

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