
A arquitetura de programação vê o biochip como uma série de ladrilhos, que são arranjados de forma lógica para automatizar as decisões. [Imagem: Daniel Grissom et al. - 10.1145/2567669]
Automatizando a química
A tecnologia microfluídica já está incorporada em um sem-número de biochips, microlaboratórios, lab-on-a-chips e um igualmente sem-número de outros nomes.
De forma geral, um microlaboratório ou biochip é um dispositivo que integra as funções de laboratório em um chip com alguns milímetros ou centímetros de tamanho - eles são fabricados com técnicas similares às usadas para fabricar os processadores e outros circuitos integrados eletrônicos, daí serem chamados de chips.
Mas a intenção é que eles resolvam problemas em áreas muito diferentes, incluindo o sequenciamento de DNA, a descoberta de novos medicamentos, a detecção de vírus e inúmeros exames biomédicos.
Antes, porém, será necessário aprender a programar esses biochips, em cujas veias correm compostos químicos em estado líquido, e não elétrons, como nos chips eletrônicos.
É o que estão fazendo Daniel Grissom e seus colegas da Universidade da Califórnia em Riverside, nos Estados Unidos.
Eles adaptaram uma linguagem de programação voltada à biologia para automatizar as reações bioquímicas no interior dos biochips.
"Se você pensar no início dos computadores, eles eram basicamente ferramentas para automatizar a matemática. O que estamos criando são dispositivos que poderão automatizar a química," afirma o professor Philip Brisk, orientador da equipe.
Linguagem de programação biológica

A linguagem de programação permite automatizar as reações dentro dos biochips. [Imagem: Daniel Grissom et al. - 10.1145/2567669]
Como são parentes muito próximos dos circuitos integrados eletrônicos, os microlaboratórios são equipados com sensores eletrônicos semelhantes aos usados em celulares inteligentes e tablets.
Estes sensores permitem analisar os dados das reações para tomar decisões sobre o que fazer a seguir, por exemplo, selecionando os canais por onde os compostos deverão circular dentro do chip, quais compostos devem se misturar, quais devem ser descartados etc.
A equipe começou com uma linguagem de programação biológica, a BioCoder, desenvolvida pelo escritório de pesquisa da Microsoft na Índia. Ela foi originalmente criada para melhorar a reprodutibilidade e viabilizar a automação de experimentos de biologia usando uma linguagem de programação para expressar a série de passos realizados em cada experimento.
A equipe modificou a BioCoder para torná-la capaz de processar as leituras dos sensores dos microlaboratórios em tempo real.
"Nós estamos realmente tentando eliminar a interação humana o máximo possível," disse Brisk. "Agora, você tem um chip, você o usa e, em seguida, você o analisa. Através da automação e da programação, você elimina o erro humano, reduz os custos e acelera todo o processo."
A equipe planeja agora construir um protótipo de chip que possa ser programado e usado em aplicações do mundo real.
FONTE: SITE INOVAÇÃO TECNOLOGICA
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