
Um novo estudo que envolve a monitorização a longo prazo de Alpha Centauri pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA indica que quaisquer planetas em órbita das duas estrelas mais brilhantes não são provavelmente atingidos por grandes quantidades de raios-X. Isto é importante para a viabilidade da vida no sistema estelar mais próximo do Sistema Solar. A imagem no canto superior esquerdo foi obtida pelo Chandra no dia 2 de maio de 2017, vista em contexto com uma imagem ótica de campo largo obtida no solo. Alpha Centauri é um sistema estelar triplo localizado a pouco mais de 4 anos-luz da Terra.
Crédito: ótico - Zdenek Bardon; raios-X - NASA/CXC/Universidade do Colorado/T. Ayres et al.
Na busca da Humanidade por vida para lá do nosso Sistema Solar, um dos melhores lugares considerados pelos cientistas é Alpha Centauri, um sistema que contém as três estrelas mais próximas do Sol.
Um novo estudo que envolveu a monitorização de Alpha Centauri por mais de uma década pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA fornece notícias encorajadoras sobre um aspeto chave da habitabilidade planetária. O estudo indica que quaisquer planetas em órbita das duas estrelas mais brilhantes no sistema Alpha Cen provavelmente não serão atingidos por grandes quantidades de raios-X das suas estrelas hospedeiras. Os raios-X e os efeitos do "clima espacial" são nocivos para a vida desprotegida, diretamente através de doses elevadas de radiação e indiretamente através da remoção de atmosferas planetárias (um destino que se pensa ter acontecido em Marte).
Alpha Centauri é um sistema triplo localizado a pouco mais de 4,3 anos-luz (1 ano-luz: 9.460.536.068, 016 km), ou cerca de 40 trilhões de quilômetros da Terra. Embora esta seja uma grande distância em termos terrestres, o sistema está muito mais perto do que a mais próxima estrela do tipo solar.
"Por estar relativamente perto, o sistema Alpha Centauri é visto por muitos como o melhor candidato a explorar em busca de sinais de vida," realça Tom Ayres, da Universidade do Colorado em Boulder. "A questão é, vamos encontrar planetas num ambiente propício à vida como a conhecemos?"
As estrelas no sistema Alpha Centauri incluem um par chamado "A" e "B" (abreviação AB) que orbitam relativamente perto uma da outra. Alpha Cen A é um gémeo semelhante ao nosso Sol em quase todos os sentidos, incluindo a idade, enquanto Alpha Cen B é um pouco menor e mais fraca, mas ainda bastante parecida com o Sol. O terceiro membro, Alpha Cen C (também conhecida como Proxima), é uma estrela anã vermelha muito mais pequena que viaja em redor do par AB numa órbita muito maior que a leva mais de mil vezes mais longe do par AB do que a distância Terra-Sol. Proxima atualmente detém o título de estrela mais próxima da Terra, embora AB esteja em segundo lugar.
Os dados do Chandra revelam que as perspetivas de vida em termos de bombardeamento atual de raios-X são na verdade melhores em torno de Alpha Cen A do que em torno do Sol, e Alpha Cen B é apenas ligeiramente pior. Proxima, por outro lado, é um tipo de estrela anã vermelha ativa conhecida por libertar perigosas explosões de raios-X e provavelmente hostil à vida.
"Esta é uma notícia muito boa para Alpha Cen AB em termos da capacidade da vida (em qualquer um dos seus planetas) em sobreviver aos ataques de radiação das estrelas," comenta Ayres. "O Chandra mostra-nos que a vida deverá ter uma chance de luta nos planetas em torno de qualquer uma destas estrelas."
Apesar de já ter sido descoberto um planeta do tamanho da Terra em torno de Proxima, os astrônomos continuam à procura, sem sucesso, de exoplanetas em torno de Alpha Cen A e B. A caça exoplanetária em redor destas estrelas provou recentemente ser mais difícil devido à órbita do par, que aproximou as duas estrelas brilhantes uma da outra no céu na última década.
Para ajudar a determinar se as estrelas de Alpha Cen são hospitaleiras à vida, os astrônomos realizaram uma campanha de longo prazo na qual o Chandra observa as duas principais estrelas do sistema a cada seis meses desde 2005. O Chandra é o único observatório de raios-X capaz de resolver AB durante a sua atual aproximação orbital, a fim de determinar o que cada estrela está a fazer.
Estas medições a longo prazo capturaram os altos e baixos da atividade de raios-X de AB, análoga ao ciclo de 11 anos das manchas solares do Sol. Mostram que quaisquer planetas na zona habitável da estrela A receberiam uma dose mais pequena de raios-X, em média, do que planetas semelhantes em torno do Sol. Para a companheira B, a dose de raios-X para planetas na zona habitável é maior do que a do Sol, mas só por um fator de aproximadamente 5.
Em comparação, os planetas na zona habitável em torno de Proxima recebem uma dose média de raios-X cerca de 500 vezes maior que a da Terra e 50.000 vezes maior durante uma grande erupção estelar.
Além de iluminar a possível habitabilidade dos planetas de Alpha Cen, a história de raios-X do par AB, pelo Chandra, ajuda às explorações teóricas da atividade cíclica de raios-X do nosso Sol. A sua compreensão é fundamental para os perigos cósmicos como o Clima Espacial, que podem impactar a tecnologia da nossa civilização cá na Terra.
Tom Ayres apresentou estes resultados na 232.ª reunião da Sociedade Astronômica Americana em Denver, no estado norte-americano do Colorado, e alguns dos resultados foram publicados na edição de janeiro de 2018 da revista científica Research Notes of the American Astronomical Society.
FONTE: ASTRONOMIA ONLINE
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