
POR SALVADOR NOGUEIRA
Um dos aspectos mais atraentes de termos encontrado um planeta potencialmente habitável na estrela mais próxima do Sol é a perspectiva de estudá-lo em detalhe — quem sabe até enviando uma espaçonave até lá.
Em abril deste ano, o bilionário russo Yuri Milner lançou um projeto, em parceria com um comitê científico de respeito encabeçado pelo físico britânico Stephen Hawking, para tentar desenvolver a tecnologia necessária.
Agora, que ninguém pense que estamos perto de conseguir fazer algo assim. Quando saltamos da escala interplanetária, dentro do Sistema Solar, para as viagens interestelares, a coisa fica feia.
O objeto mais distante e veloz já enviado da Terra é a sonda Voyager 1, que a essa altura já trafega três vezes mais distante do Sol que Plutão, depois de 40 anos no espaço. Isso equivale a pouco menos de 38 horas-luz de distância. No momento, ela se afasta do Sol a estonteantes 17 km/s.
Proxima Centauri, por sua vez, está a 4,2 anos-luz, o equivalente a 36,8 mil horas-luz — quase mil vezes mais longe que a Voyager 1.
Se a sonda estivesse viajando na direção certa, poderia chegar lá em mais ou menos 74 mil anos. Não é preciso ser físico nuclear para saber que sua bateria de plutônio ficaria sem energia muito antes disso.
EMPURRÃO DE LUZ
Para ter alguma utilidade prática, uma sonda precisaria viajar bem mais depressa que isso — atingindo uma fração significativa da velocidade da luz, o limite máximo permitido no Universo segundo nosso entendimento atual.
É isso que Milner ambiciona tentar desenvolver, com base em tecnologia proposta por Philip Lubin, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara. A ideia seria usar canhões de luz laser para empurrar uma microespaçonave no espaço a velocidades comparáveis à da luz, que é de 300 mil km/s.
Teoricamente a conta fecha, e uma sonda poderia chegar a Proxima Centauri uns 20 anos depois de lançada.
Agora, um problema ainda não resolvido é como frear a nave lá para colocá-la em órbita. Sem falar que, a essa velocidade, qualquer colisão com um grão de poeira poderia ser fatal para a missão.
Claramente, a humanidade ainda não é proficiente em voo interestelar. Mas, para quem não era proficiente em voo orbital 60 anos atrás, até que não estamos mal.
Ademais, os cientistas têm muito trabalho a fazer antes que queiramos realizar uma viagem dessas. No momento, Guillem Anglada-Escudé e seus colegas co-descobridores de Proxima b estão testando a possibilidade de que o planeta rotineiramente passe à frente de sua estrela.
Caso esses trânsitos sejam visíveis aqui da Terra, abre-se a perspectiva de usar equipamentos já em operação, como o Telescópio Espacial Hubble, para detectar algo da composição atmosférica desse mundo.
Isso já permitiria checar se ele tem mesmo um ambiente de fato algo parecido com a Terra, ou lembra mais Vênus ou Marte — outros dois planetas tão rochosos quanto o nosso, com nível de radiação também comparável, mas condições nada hospitaleiras.
Será também fundamental nesse esforço de caracterização de Proxima B a próxima geração de telescópios, em terra e no espaço. Gigantes como o E-ELT, do ESO, com seu espelho de 30 metros, devem entrar em operação na próxima década e podem chegar ao nível de precisão requerido para fazer avançar muito nosso conhecimento sobre exoplanetas próximos. O mesmo se pode dizer do James Webb, telescópio espacial que a Nasa quer lançar em 2018.
Somente depois que esgotarmos a capacidade de aprendizado à distância deveríamos cogitar o envio de uma sonda.
Por mais que os entusiastas fiquem ansiosos, tentar mandar algo para Proxima Centauri agora é como sair pelo mar numa embarcação de pequeno porte sem mapa, sem bússola, à noite e sob céu nublado.
FONTE: http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/
Há de se mencionar os projetos Orion (com foguete de pulso nuclear), Daedalus/Ikarus (motor de fusão nuclear) e Longshot; todos envolvendo naves de grande porte.
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