
O pesquisador Joseph Choi desenvolveu dispositivo digital de invisibilidade (J. Adam Fenster/University of Rochester/Divulgação)
Nas pesquisas anteriores, objetos escondidos deveriam ser microscópicos. Com o invento, eles podem ter até 35 centímetros de altura
Uma dupla de pesquisadores da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, conseguiu, pela primeira vez, camuflar objetos maciços, de até 35 centímetros de altura, sob uma “capa da invisibilidade”. Usando técnicas de óptica em um dispositivo digital, os cientistas conseguiram tornar imperceptíveis à visão humana elementos bem maiores do que os utilizados em estudos anteriores – que eram microscópicos – o que significa um imenso avanço na área.
Publicada recentemente no periódico especializado Optica, a nova técnica conseguiu aprimorar a primeira “Capa Rochester”, criada em 2014, que consistia em um dispositivo que, utilizando quatro lentes alinhadas, conseguia o efeito de invisibilidade em itens postos imediatamente atrás delas. Dependendo da maneira como são agrupadas, as lentes desviam as ondas luminosas refletidas pelos objetos (eles só se tornam visíveis ao olho humano ao refletirem a luz). Elas seriam redirecionadas de tal forma que, sem atingirem o olho humano, fazem o objeto se tornar imperceptível – para o observador, o efeito é como se ele não existisse.
O problema desse dispositivo era que, quando o observador mudasse de posição, o efeito de invisibilidade se extinguiria; para conseguir esconder coisas muito grandes, portanto, seriam necessárias lentes enormes, o que tornava o projeto impraticável.
Digitalizado – Agora, a “Capa Rochester” digital, desenvolvida pelos pesquisadores americanos Joseph Choi e John Howell, possui um campo muito maior de invisibilidade. Uma película composta por uma estrutura de finas lentes cilíndricas colocada sobre um tablet que transmite a imagens focadas por ele é capaz de desviar todos os raios de luz que incidem sobre os objetos. Essa distorção torna as coisas vistas pelo tablet, através da lente, invisíveis.
“Esse sistema calcula a direção e a posição dos raios luminosos para que eles sejam dispostos de tal forma que o resultado é que a área atrás do dispositivo fica completamente invisível”, explicam os pesquisadores em um vídeo divulgado para explicar a invenção (confira abaixo).
Capa da invisibilidade – O dispositivo possui algumas limitações. A “Capa Rochester” digital é capaz de cobrir a área restrita a um ângulo de 29 graus, sendo incapaz de ampliar a área “invisível”. Além disso, se o fundo se movimentar, o objeto volta a ser perceptível pelos olhos humanos.
Os pesquisadores afirmam que precisam melhorar a resolução da imagem, que está longe de ser fiel ao que nossos olhos veem naturalmente. A dupla pretende que o próximo passo da pesquisa seja aliar essa tecnologia às lentes flexíveis já são disponíveis no mercado. Quando aprimorado, o dispositivo poderia até mesmo tornar invisível um carro em movimento.
FONTE: REVISTA VEJA
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