
Imagens coloridas dos campos estelares de Wolf 359 (topo) e de Proxima Centauri, obtidas no final de 2019. Os grandes movimentos próprios de ambas as estrelas (no centro de cada imagem) vão fazê-las "desviar" mais de um segundo de arco em abril de 2020, quando a sonda New Horizons da NASA, a 8 bilhões de quilômetros da Terra, as fotografar. O círculo verde é uma estimativa da posição de ambas as estrelas nas imagens da New Horizons.
Crédito: William Keel/Universidade do Alabama/Observatório SARA)

Tem um telescópio de bom tamanho, com uma câmara digital? Então pode juntar-se, esta primavera, à missão New Horizons da NASA numa experiência do espaço profundo muito interessante e que vai quebrar recordes.
Em abril, a New Horizons, que na altura estará mais de 46 vezes mais distante do Sol do que a Terra, a 8 bilhões de quilômetros, vai ser usada para detetar "desvios" nas posições relativas de estrelas próximas em comparação com a posição para observadores cá na Terra.
A técnica é conhecida como paralaxe e é usada pelos astrônomos há já quase dois séculos para medir distâncias de estrelas distantes.
Nos dias 22 e 23 de abril, a New Horizons capturará imagens de duas das estrelas mais próximas, Proxima Centauri e Wolf 359. Quando combinadas com imagens, obtidas da Terra e nas mesmas datas, o resultado será uma medição recorde da paralaxe, produzindo imagens 3D destas estrelas que "saltam" à vista no seu campo estelar que o projeto New Horizons partilhará com o público.
A equipe da missão está a coordenar a utilização de observatórios astronômicos e uma campanha pública de observação para fotografar as mesmas estrelas, no mesmo dia, para demonstrar o efeito de paralaxe.
"Estas emocionantes imagens em 3D, que vamos divulgar em maio, serão como se tivéssemos olhos tão amplos quanto o Sistema Solar e pudéssemos detectar por nós próprios a distância destas estrelas," disse Alan Stern, investigador principal da New Horizons do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. "Será uma demonstração realmente vívida da imensa distância que a New Horizons já percorreu e uma maneira engraçada de tirar proveito do ponto de vista exclusivo da sonda, na fronteira do nosso Sistema Solar!"
As duas estrelas-alvo da New Horizons podem ser observadas por qualquer pessoa com um telescópio de 6 polegadas (ou maior) equipado com uma câmara digital. Depois da New Horizons transmitir as suas imagens para a Terra, a equipa da missão fornecerá uma comparação com as imagens obtidas com telescópios amadores. Wolf 359 e Proxima Centauri parecerão mudar de posição entre as imagens terrestres e espaciais.
Em adição, trabalhando com o guitarrista dos Queen, Brian May - ele próprio um astrofísico e cientista participante da New Horizons -, a equipe científica vai criar e divulgar imagens 3D que mostram estas duas estrelas.
"Durante toda a história, as estrelas fixas no céu noturno serviram como marcadores de navegação," disse Tod Lauer, membro da equipe científica da New Horizons do OIR Lab (Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory) da NSF (National Science Foundation). "À medida que viajamos para fora do Sistema Solar e para o espaço interestelar, o modo como as estrelas mais próximas mudam de posição pode servir como uma nova maneira de navegar. Veremos isto pela primeira vez com a New Horizons."
FONTE: ASTRONOMIA ONLINE
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