
Instituição quer se tornar referência em popularização da ciência na capital paulista
Entre os dias 24 e 29 de janeiro, pelo menos 7500 pessoas participaram da programação especial de eventos oferecida pelos planetários da cidade de São Paulo. A programação coincidiu com a comemoração dos 464 anos da cidade de São Paulo e de 61 anos do Planetário Professor Aristóteles Orsini, que fica no parque do Ibirapuera. Os visitantes tiveram acesso gratuito a diversas atividades, incluindo palestras, oficinas de reconhecimento do céu, oficinas de foguetes, espetáculos de luzes, sessões de experimentos lúdicos e até apresentações de mágica. Além de celebrar os dois aniversários, a programação especial ajuda a sedimentar a imagem do planetário como um espaço relevante de popularização científica na capital paulista.
Para isso, contribui bastante a localização de um dos planetários, em meio ao parque do Ibirapuera (há um outro no Parque do Carmo, na Zona Leste). Muitos dos participantes eram frequentadores que foram atraídos pela oportunidade de aprender mais sobre ciência e sobre os céus. Foi o caso do jornalista Andrei Spinasse, que passeava pelo parque no sábado de tarde e ficou animado com a possibilidade de assistir a uma palestra sobre física e astronomia no local. “Gosto de astronomia e pretendo ir ao Deserto do Atacama em março para fazer observações. Esta é a primeira palestra sobre astronomia a que assisto na vida”, disse.
As palestras do evento ficaram a cargo de físicos ligados a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). A de sábado teve como título "Do que o universo é feito?", e foi proferida pelo vice-presidente da Sociedade Brasileira de Física e professor da Unesp Rogério Rosenfeld. Rosenfeld explicou como nosso conhecimento sobre a natureza da matéria descreve apenas 5% do Cosmo. Os outros 95% do Universo são feitos das chamadas matéria escura e energia escura, algo que a ciência ainda não compreende. O físico respondeu a uma dezena de perguntas da audiência e, após a palestra, foi abordado por uma jovem de 16 anos interessada em estudar com ele.
Natália Pasternak, coordenadora científica dos planetários, explica que desde que eles foram reabertos, em 2016, tem havido um esforço para intensificar a agenda de eventos. Este ano, a parceria com a UNESP possibilitou trazer mais atrações. “As universidades e os acadêmicos têm esse desejo de expandir a divulgação científica. Como há uma carência de espaços públicos para tal, eles utilizam a área da própria universidade. A população leiga pouco participa por não se sentir acolhida num espaço que não é comunitário.O planetário é um local muito mais democrático. Há o público espontâneo que está no parque, e que às vezes nunca teve contato com ciência."
Fernando Nascimento, diretor dos planetários, diz que o novo momento não vai limitar-se a eventos especiais. Novas parcerias e eventos estão sendo estudados. "Queremos aprimorar as sessões que são feitas para escolas, para que passem a incluir também atividades. A ideia é congregar aqui tudo o que é científico. Queremos que as pessoas de São Paulo, e até de outras cidades, tenham os planetários como referência.”
FONTE: Carolina Marcheti Scientific American Brasil
Comentários
Postar um comentário