
Ampliação da região que contém o Local J, o local de aterragem do Philae, localizado na "cabeça" do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko. O mosaico é constituído por duas imagens obtidas pela câmara OSIRIS da Rosetta no dia 14 de Setembro de 2014 a partir de uma distância de aproximadamente 30 km. O círculo está centrado no local de aterragem e mede mais ou menos 500 metros em diâmetro.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
A ESA deu luz verde à aterragem do módulo Philae da sonda Rosetta, no local escolhido no Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e no dia 12 de Novembro, a primeira tentativa de aterrar num cometa.
O local de pouso do Philae, atualmente conhecido como Local J e localizado no mais pequeno dos dois 'lóbulos' do cometa, foi confirmado no passado dia 14 de Outubro após uma revisão abrangente de prontidão.
Desde a chegada, a missão tem realizado um levantamento e uma análise científica inédita do cometa, um remanescente das fases iniciais da história de 4,6 mil milhões de anos do Sistema Solar.
Ao mesmo tempo, a Rosetta tem vindo a aproximar-se do cometa: começando a 100 km no dia 6 de Agosto, está agora a apenas 10 km do centro do corpo com 4 km de comprimento. Isto permitiu um olhar mais detalhado sobre os locais de aterragem principal e secundário a fim de realizar uma avaliação completa de risco, incluindo um censo detalhado no que toca a pedregulhos e rochas.
A decisão de fazer aterrar o Philae no Local J também confirma a cronologia dos eventos que antecedem o pouso.
A Rosetta vai libertar o Philae às 08:35 GMT/09:35 CET de dia 12 de Novembro a uma distância de aproximadamente 22,5 km do centro do cometa. A aterragem ocorrerá cerca de sete horas depois por volta das 15:30 GMT/16:30 CET.
Tendo o sinal entre a Rosetta e a Terra um tempo de viagem unidirecional [no dia 12 de Novembro] de 28 minutos e 20 segundos, isto significa que a confirmação da separação chegará às estações terrestres às 09:03 GMT/10:03 CET e a da aterragem por volta das 16:00 GMT/17:00 CET.
"Agora que sabemos o nosso local de aterragem, estamos um passo mais perto de levar a cabo esta emocionante - mas de alto risco - operação," afirma Fred Jansen, gerente da missão Rosetta da ESA.
"No entanto, ainda existem uma série de marcos importantes a completar antes de darmos o 'Go' final para a aterragem."
Têm que ser tomadas várias decisões "Go/No-Go" antes da separação, começando dia 11 de Novembro com a confirmação da equipa de dinâmica de voo de que a Rosetta está na trajetória certa antes da libertação do "lander."
Outras decisões serão tomadas na noite de 11 para 12 de Novembro, quanto à disponibilidade e ligação de comandos, culminando com a confirmação da prontidão do módulo para separação.
Uma pequena manobra deverá então ter lugar cerca de duas horas antes da separação. Isto vai colocar a Rosetta na posição ideal para libertar o Philae e para este aterrar no cometa. O "Go/No-Go" final para a separação ocorrerá pouco tempo depois desta manobra.
Após a separação do Philae, a Rosetta manobrar-se-á para cima e para longe do cometa, antes de se reorientar a fim de estabelecer comunicações com o módulo de aterragem.
"Caso alguma das decisões resulte num 'No-Go', a equipa terá que abortar e rever o cronograma em conformidade com uma nova tentativa, certificando-se que a Rosetta está numa posição segura para tentar de novo," comenta Fred Jansen.
Se tudo correr bem, a Rosetta e o Philae começarão as comunicações cerca de duas horas após a separação.
Durante a descida de sete horas, o Philae vai capturar imagens e levar a cabo experiências científicas, "provando" o ambiente de poeira, gás e plasma que rodeia o cometa.
Vai capturar uma imagem de "despedida" da sonda Rosetta pouco depois da separação, juntamente com uma série de imagens à medida que se aproxima da superfície do cometa. Espera-se que as primeiras imagens dessa sequência sejam recebidas na Terra poucas horas após a separação.
Uma vez em segurança à superfície, o Philae capturará um panorama dos seus arredores. Novamente, espera-se receber o panorama cá na Terra várias horas depois.
A primeira sequência de experiências científicas à superfície começará cerca de uma hora depois da aterragem e terá a duração de 64 horas, limitadas pelo tempo de vida da bateria principal do módulo.
O estudo a longo prazo do cometa pelo Philae vai depender de quanto tempo e quão bem as baterias são capazes de recarregar, o que por sua vez está relacionado com a quantidade de poeira que assentar nos seus painéis solares.
Em todo o caso espera-se que em Março de 2015, quando o cometa se aproximar mais do Sol, que as temperaturas dentro do Philae alcancem níveis demasiado elevados para continuar as operações, e a missão científica do Philae chegará ao fim.
A missão da sonda Rosetta vai continuar por muito mais tempo. Vai acompanhar o cometa à medida que este cresce em atividade até à sua maior aproximação do Sol em Agosto de 2015 e, de seguida, enquanto se afastam novamente para o Sistema Solar exterior.
Esta missão sem precedentes vai estudar como um cometa evolui e dar importantes informações sobre a formação do nosso Sistema Solar, as origens da água e, talvez, até mesmo da vida na Terra.
FONTE: ASTRONOMIA ONLINE
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